14/12/2012
Ano 16 - Número 818


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


BRASIL: DOS BIGODES À MARAJATINA, PASSANDO PELO ENGAVETADOR OFICIAL ATÉ O MENSALÃO
(Tragicomédia político brasileira)

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Eta Brasil político trapalhão. Sobreviveu a tanta censura, tanta tortura, perseguição, quando a Constituição foi rasgada. Anos sombrios de uma liberdade usando óculos escuros fingindo estar tudo bem. Mortes estranhas, assassinatos (?!), luta armada, sucessões de Generais no poder, militares e alguns civis de mãos dadas. Sempre estive do outro lado, mas nunca fui guerrilheiro.

Encerrado o longo período da ditadura (20 anos) mergulhamos na “escuridão inflacionária” dos incompetentes bigodes Presidenciais do Sarney. Ele nem foi levado a Tribunais! Nós voltávamos aos poucos à democracia pagando um preço muito alto e aquele que servira à ditadura fingia-se então de democrata. Escreveram outra Constituição, porém o destino não quis que o Tancredo iniciasse a Nova Era. Começávamos mal a nova Democracia.

Logo a seguir elegeram um “Caçador de Marajás”, sem saber que o marajá era ele próprio. A inflação que continuou levou-o a jogar, nas costas do nosso povo, uma solução absurda e injusta, como sempre. Collor e seus asseclas meteram a mão na nossa poupança e anos depois quando recebemos de volta aquele dinheiro ele estava totalmente desvalorizado. Certamente pessoas mais “chegadas” ao então Presidente não tiveram o mesmo prejuízo de milhões de brasileiros.

Alguém foi preso por aquilo? Não. Alguém foi julgado por aquele verdadeiro “assalto oficial” a nossa Poupança? Não. Apenas o Presidente Collor tempos depois tomou um impeachment, por outras razões, e assumiu seu Vice. Aliás, o Collor sofreu alguns processos sim, no STF, mas foi inocentado em todos eles (?!). Fiquei com medo que nós ainda tivéssemos que o indenizar!

O Vice, Itamar Franco, falecido em 2011, apelidado por alguns de “o homem do topete”, teve o mérito de apoiar o excelente trabalho de sua equipe de economistas que elaborou o plano do qual resultaria a moeda do Real. Seu então Ministro, FHC, levou-lhe o projeto e Itamar aprovou e o autorizou a pô-lo em execução. Muitos creditam a FHC aquele plano. Lembro que este é e sempre foi sociólogo.

A propósito disso permitam-me transcrever aqui o que retirei do blog do jornalista Reinaldo Azevedo, edição de 04/11/2011, logo após a morte de Itamar, mas que também saiu na revista VEJA: “Ele sempre foi um homem simples no modo de viver, falar e relacionar. Ele não se deixou fascinar pelo poder. A ética dele vai fazer falta. Eu devo ao Itamar porque foi ele quem abriu espaço ao obscuro político, que era sociólogo, que não era economista. Eu choro de saudade dele e o Brasil também chora”, disse FHC.” -- Sinceridade temperada com falsidade.

No rastro do sucesso do Real FHC acabou sendo eleito o novo Presidente. Seu governo teve muitos acertos, é indubitável, por outro lado teve também muitos casos obscuros que deram origem a inúmeras denúncias não apenas da oposição, como também de parte da mídia brasileira não comprometida com a situação. As denúncias chegaram a dezenas, porém nunca algo foi sequer apurado. Por quê?

Aqui entra a terceira parte do título deste texto. Constava que o grande responsável por tudo “varrido para baixo do tapete” fora o então Procurador Geral da República, nomeado por FHC em substituição ao anterior que não lhe era “simpático”. O novo Procurador Geral da República passou então a ser apelidado de “Engavetador Geral da República”. Relembro isto porque faz parte de nossa História, doa a quem doer, aborreça a quem aborrecer.

Basta pesquisar no GOOGLE ou semelhantes que encontrarão muito do que deixo de relacionar aqui por pura falta de espaço. No GOOGLE escrevam: “escândalos do governo FHC”. Pronto, podem se lembrar para os que têm memória curta. Creio que foram mais de quarenta escândalos nunca investigados.

Só gostaria de lembrar que um dos menores escândalos foi a intervenção do próprio governo para que se mudasse a legislação vigente e pudesse o então Presidente concorrer à reeleição. Em outras palavras, o Governo, usando sua força, seu poder, legislou em causa própria. E valeu. A oposição foi “calada”.

Constou na época que alguns parlamentares teriam vendido, ou “negociado”, seu voto para aprovar aquilo. Lembram disto? Uns poucos foram cassados e outros “perdoados” pelo próprio Partido! Jamais algo foi sequer apurado com seriedade ou levado ao STF da época. Enfim, no embalo de tanto “engavetamento”, aconteceu a reeleição de FHC.

Quem quiser se dar ao trabalho, pesquise também em jornais e revistas da época e terão a confirmação do que nunca foi surpresa para ninguém. Seguindo o rumo da História, o fato é que o segundo mandato daquele governo deixou muito a desejar em relação aos primeiros quatro anos. Os tucanos perceberam que estavam perdendo terreno enquanto o nosso povo, o mesmo que recusara o poder ao PT contra o Collor e a seguir contra FHC, decidiu alterar o rumo da nossa política.

Milhões de brasileiros, entre os quais eu me incluo, enfim acabaram por dar oportunidade de se conferir a tão apregoada ética dos petitas. Queriam dar a eles a chance também de realizarem as tão prometidas reformas básicas de que o país até hoje continua dependendo, a luta contra a corrupção denunciada em governos anteriores, e muito mais. Enfim elegemos a “esperança”.

Mas a nossa esperança ainda hoje permanece no desencanto. Pouco tempo após o PT assumir o Poder Maior estourou o escândalo do Mensalão. Denúncias pipocavam, acusações de todo lado, procesos iniciados, mas o governo insistia em desmentir tudo. Pior, o maior Mandatário do País se fez de surdo, cego e mudo. De nada sabia, nada mandara fazer, nada ouvira. Você acredita?

Felizmente dessa vez houve um Procurador Geral da República que resolveu agir dentro de suas verdadeiras funções. Nada foi engavetado, apenas andaram e ainda andam, a pôr vendas na Justiça “blindando”, como se diz atualmente, a figura maior deste maquiavélico plano para, quem sabe, se eternizarem no Poder neste país. Cabeças antes intocáveis, estão a rolar graças a um STF atuante, competente, não comprometido (pelo menos em sua grande maioria) com a situação atual.

A “queda de braços” continua pois alguns políticos insistem em se colocar acima de todas as Leis. Vide J. Dirceu. Ainda que não se possa esperar uma limpeza geral, uma faxina como seria desejável, pelo menos podemos acreditar que há pessoas sérias dando o melhor de si e emplacando exemplos de que a impunidade pode estar a partir de agora com seus dias contados. Será? Quem sabe, eu levo fé.

Como disse outro dia o Ilustre Dr. Joaquim Barbosa, a seguir a este Mensalão ele quer mergulhar nos outros que não foram trazidos à tona ainda. Torço por ele. Vão ter que remexer em algumas sujeiras muito bem abafadas há vários anos.

Mas há muito caminho a perseguir a partir de quando estou escrevendo este texto. Quantos serão realmente presos, quantos perderão o mandato (se é que alguém perderá mesmo), e a queda de braços entre Congresso e STF, vence a força ou a Lei? Enquanto isso a Polícia Federal tira o atraso desde governos passados nos quais nada foi apurado e agora querem pôr tudo em dia. Haja escândalos!

Daqui a dois anos teremos eleição Presidencial. Segundo pesquisas que li D. Dilma derrota Lula por larga margem. Se olho o quadro da chamada oposição entro em depressão. Minha opinião: não vejo também ninguém confiável, ninguém competente, ninguém sério, só muito fingimento e discursos (de oposição, claro) além de um certo “janota” já fazendo pose de pré candidato. Não esqueçam que eles já foram Governo antes!

Nesta zorra político eleitoral brasileira, acabrunhado, envergonhado, termino citando o nosso palhaço/deputado/“filósofo” Tiririca: “Vote em mim, pior do que está não fica.”



(14 de dezembro/2012)
CooJornal nº 818



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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