18/01/2013
Ano 16 - Número 823


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

A FALTA DE ÁGUA E OS CAMINHÕES PIPAS

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Esta é uma história bem antiga aqui da Região dos Lagos, conheço-a bem há décadas. Faltava água, não caía uma gota sequer em nossas cisternas, mas os caminhões pipas sempre tinham muita e muita água potável para nos vender a preço de ouro. Tenho casa aqui há cerca de 30 anos.

Quando eu morava na minha casa no bairro do Braga, hoje ocupada por uma família a quem cedi o imóvel, fui ficando cansado do abuso de não receber água, nunca, não apenas no verão. Entretanto todo mês eu recebia uma conta me cobrando por aquilo que a incompetente CEDAE não me fornecia.

Por outro lado os caminhões pipas estavam sempre circulando e vendendo água potável para quem quisesse pagar o preço deles. Aquilo já soava como uma espécie de máfia do precioso líquido. Como eles conseguiam tanta água potável se a CEDAE não nos fornecia como era sua obrigação? Desconfiei e resolvi ir à luta.

Um dia o então síndico do nosso condomínio me sugeriu fazer o mesmo que ele já fizera. Escrevi uma carta na qual eu solicitava à CEDAE que mandasse de imediato cortar o cano que me forneceria água, já que esta nunca vinha e já fazia alguns anos. Levei o documento em mãos e o entreguei na Administração daquele Órgão, exigindo um protocolo de recebimento da minha carta.

Acreditem, por favor, no que lhes vou informar agora: a CEDAE somente mandou uma equipe para cortar o meu cano 9 (nove) meses depois do dia em que entreguei a eles minha carta. Repito para acreditarem: somente nove meses depois.

Desconfiado com tanta incompetência pedi a um amigo que fazia serviços para mim que abrisse o local e verificasse o serviço da CEDAE. Outra surpresa: os funcionários haviam cortado o cano de um vizinho meu, da rua de cima, que recebia água pelo mesmo cano, e não o meu. Pedi então ao amigo Edinho que completasse o serviço mal feito pela CEDAE e ele cortou o meu cano. Passei a não ter mais nenhum vínculo com aquele Órgão.

Eu usava para tomar banho e cozinhar a água do meu poço artesiano, o que é feito até hoje, e para beber eu comprava água mineral. Só que isso ocorreu há muitos anos. De um tempo para cá quem fornece água para Cabo Frio e outras cidades da Região dos Lagos é a PROLAGOS.

Marlene mora nesta outra casa no bairro Jardim Nautilus, há 2 quilômetros do Braga, há pouco mais de 8 anos. Nunca antes houve problema de falta de água nos verões passados. De repente no apagar das luzes de 2012, ou no dia 31/Dezembro, a água da PROLAGOS também sumiu. Ficamos uma semana sem receber água.

Cansei de tentar fazer contato com o SAC da PROLAGOS por telefone, porém este só dava ocupado. Passei a me dirigir por escrito à Ouvidoria daquele Órgão visto que já fora muito bem atendido em outra oportunidade.

Mais tarde ligou-me uma funcionária do SAC dizendo estar autorizada pela Ouvidoria a me oferecer um caminhão pipa sendo que eu somente pagaria o que realmente fosse depositado em nossa cisterna e na próxima conta.

Em experiência anterior este mesmo oferecimento funcionou corretamente, só que não era verão e nem havia pressão por falta de água em outros bairros. O nosso caso fora devido a uma obra que a PROLAGOS desenvolvia numa de nossas ruas sob o pretexto de melhorar a distribuição durante o período do verão. Eu acreditei.

Agora, no sufoco de ficar uma semana sem cair uma só gota de água em nossa cisterna tive que recorrer novamente à Ouvidoria da PROLAGOS. Foi combinado de o tal caminhão pipa por eles contratado vir nos trazer água na sexta, à tarde, dia 04/Janeiro. Ocorre que ele não veio e nem alguém me deu qualquer satisfação.

Entretanto, uma vizinha nos informou que um caminhão pipa viera à nossa rua atender a outros moradores. Estes teriam pago o preço deles ou o absurdo de 200 reais pra cima. Aí volta aquela questão do passado, quando eu morava no Braga: não estava havendo água para nós e como os caminhões pipa conseguem tanta água e vendem impunemente ao preço que eles mesmos estabelecem?

Talvez o caminhão pipa que deveria vir me atender a mando da PROLAGOS possa ter se recusado a vir, pois eu não pagaria o absurdo preço deles, mas o da tabela da PROLAGOS, com débito em nossa conta futura. Não duvido disso. Isento a Empresa de qualquer culpa no evento.

Essas queixas eu estou cansado de ouvir pelo rádio e pela TV em outras cidades aqui da Região dos Lagos neste verão. Felizmente para nós a água voltou a entrar no dia 05/Janeiro, à noite. Espero que não tenhamos mais problemas deste tipo na continuação deste verão. “Milagres” às vezes acontecem.

Enquanto isso a máfia dos caminhões pipa continua a atuar livre e impunemente. Num condomínio localizado no Braga, em frente a casa do amigo Leandro, um caminhão cobrou 600 reais pelo líquido. Ou pagam ou eles vão em frente tentar quem pague. Fazem um “leilão” abusando da necessidade urgente das pessoas. É mesmo o retrato deste nosso Brasil.


(18 de janeiro/2013)
CooJornal nº 823



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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