12/04/2013
Ano 16 - Número 835


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


O QUE NÃO SE FAZ PELOS FILHOS

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Esta é uma expressão muito comum que costumam dizer se referindo ao amor materno e paterno especialmente quando os filhos são merecedores de tanta atenção e carinho.

Não trato aqui da educação em si, isto já fiz dando meu ponto-de-vista em cima do texto de uma senhora, mãe, que divulguei recentemente. Hoje me referirei apenas ao que pais e mães costumam ceder quando algum filho ou filha lhes faz certo apelo. E quando o fazem é sempre com a maior boa vontade.

Sem contar com as cenas de ciúme que um e outro algumas vezes demonstram o que julgo perfeitamente normal. Digamos que tanto o filho quanto a filha morem em suas residências. Que o rapaz seja casado e lá uma vez ou outra eles vão almoçar com a mãe na casa desta ou a convidem para ir almoçar ou lanchar na casa deles, em tarde de domingo.

É quando de repente surge o ciúme expressado com poucas palavras. A filha, aparecendo de surpresa, como quem não quer nada diga pra sua genitora: “Mãe, quando vocês vão me visitar ou passar umas horas comigo?”

Aí está implícito um convite, quase “intimação”, para brevemente a mãe ir ao apartamento dela. A expressão acima costuma vir seguida de mais algumas palavras fáceis de serem adivinhadas: “Outro dia vocês foram almoçar com meu irmão, e eu?...” Não se impressionem isto é uma coisa muito natural. Eu que sou o mais velho de 10 irmãos conheço bem essa história.

No caso acima referido por mim a filha não disse, mas fica também implícita a expressão “será que eu não mereço?”. Claro que tudo não passa de um pequeno exagero, pois é tudo uma questão de momento, de oportunidade e como a jovem trabalha até em dias de fim de semana nem sempre dá para ser visitada. Afinal ela é Auxiliar de Enfermagem e atua em Hospital particular. Algumas vezes ainda tem que dar plantão. Mas, tudo bem vamos em frente.

Essa “disputa” não para por aí, pois o rapaz, hoje com 30 anos, eventualmente também pode dizer algo semelhante à genitora. Claro que pela natureza de seu trabalho ele tenha chance de surgir vez ou outra para almoçar na casa da mãe durante a semana. Por essa e outras é que ela, a mãe deles, faz questão de tempos em tempos juntar todos na casa dela e almoçarem com a família reunida.

A filha está solteira, tem 31 anos, e vive sozinha, o filho, 30 anos, é casado e tem um casal de filhos. A família sempre foi muito unida tanto na alegria quanto nos piores momentos que o destino já lhes impôs antes quando eles eram criança. A mãe é uma heroína, batalhadora, e hoje enfim consegue ter uma vida mais tranqüila em todos os sentidos. É casada pela segunda vez.

Eventualmente juntam-se todos e, para variar, resolvem ir jantar fora. Isto ocorre geralmente em algum sábado. Aproveitam esses momentos para botar a conversa em dia embora tenham sempre a oportunidade de se falar pelo telefone, ainda mais na era do celular.

Continuando dentro dessa história imaginem que a mãe deles tem três cachorros, um grande e dois pequenos. Ama-os muito assim como seu marido e os trata muito bem. Eles fazem parte da família, o que nem todos entendem, mas é uma felicidade poder curtir essa turminha amiga, fiel.

O filho dela também tem três cachorros, igualmente um grande, tipo Labrador, e mais dois menores. Chega uma hora em que ele e a esposa decidem ir passar uns dias fora. Claro que não podem deixar os cachorros sozinhos, pois há que dar comida e água a eles, além de ter aquele cuidado habitual. Com quem eles pretendem deixar seus cães? Adivinhem?

Pois acontece, embora raramente. Eles deixam um dos menores com um vizinho e os outros dois cachorros, o Labrador e o Poodle, o filho e a esposa tratam de fazer um pedido chegado a apelo à mãe para ficar com eles por uns poucos dias.

Lembram o que eu já disse mais acima neste texto? A mãe do jovem tem também três cachorros e cão é assim, marca o seu território e não gosta muito dele ser, digamos, invadido por outros cachorros. Mas a mãe não sabe dizer não a seus filhos desde que ela considere que o apelo ou pedido é muito justo. E sempre o é.

Assim mais uma vez ela e o marido acabam tendo que conviver com cinco cães. De quando em vez ouve-se o rosnar de um dos cachorros da casa, pois eles também sentem ciúme pelo espaço ocupado pelos que vêm de fora e quando esses se aproximam da dona da casa. Até que estes os respeitam, porém procuram manter uma distância sem maiores aproximações nem intimidades. Interessante isso.

Nada melhor para acalmar ânimos meio acirrados pelo “ciúme fraterno”, digamos assim, do que uma reunião de todos, dias depois, na nova casa da filha. A paz mais se reafirma onde jamais aconteceria uma guerra, jamais mesmo.

Quando hoje vivemos num mundo com tantas desagregações, inclusive familiares, quando vemos quase todos os dias notícias de filhos que batem ou matam pais e avós, com jovens ameaçando ou mesmo batendo em professores e professoras nas Escolas, (acompanhem o noticiário e verão que não minto) tem-se que dar um valor imenso se vivemos em seio familiar onde impera o respeito recíproco, um amor materno ou paterno e filial, onde impera a certeza de que o elo de família jamais foi ou será rompido em nenhum dos sentidos.

Garanto-lhes que tudo que narro neste texto é verdadeiro, é real. Digo isto porque a mãe dos jovens citados é minha esposa.


(12 de abril/2013)
CooJornal nº 835



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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