26/04/2013
Ano 16 - Número 837


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


OS RISCOS DE UMA DEMOCRACIA

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Estamos vivendo no Brasil um tempo de Democracia, ainda meio cambaleante, mas Democracia. Jamais pensei, entretanto que um dia eu diria isso: pois aí é que está o perigo. E o afirmo com tristeza e certo receio.

No tempo da ditadura civil militar perseguiam, prendiam, torturavam, matavam sob o pretexto de evitar a implantação do comunismo no país e assim se passaram longos vinte anos. Houve movimentos populares reagindo àquele regime, mas havia quem o aprovasse. Eu me incluía entre os primeiros citados.

Depois finalmente veio a fase de transição, bem à brasileira, bem tupiniquim. Alguns políticos que estavam do lado dos generais de repente viraram casaca e vieram pro time dos democratas. Um deles chegou logo a ser presidente, e ainda anda por aí com grande poder no Congresso e o mesmo bigode. Outros continuam militando na política também com “uniforme” de democratas. É o Brasil.

Hoje a nossa Democracia anda meio tonta, desnorteada, com tantos desacertos, tanta violência, tanta corrupção, conchavos em profusão, uma quantidade imensa de Partidos e a cada ano muito, mas muito mais cabides de emprego a pesar-lhe em cima. Sei que nossos problemas vão muito para além do que aqui eu relaciono, não resta dúvida.

Quando algum governo democrático tem que exigir sacrifício, sempre o faz pra cima do povo, jamais vi governo cortar despesas e, convenhamos, o que tem de gastos inúteis que nem saem pelo ralo, mas ali, na nossa cara, rindo da gente, é uma “grandeza”.

Aí tome demissões, cortes de salários, até de aposentadorias, aumento de impostos, enfim, o mesmo de sempre, seja no terceiro, no segundo (onde fica este?) ou no primeiro mundo, vide o que está ocorrendo em países da Europa. A fórmula é sempre a mesma e os governantes nem tiram o cínico sorriso de suas caras. Estão sempre a rir porque a eles nada atinge, eles afinal são governos democráticos! E eu que antes pensava que Democracia era algo bem diferente.

Só que no momento, neste país do famoso “Vampiro Brasileiro” do saudoso Chico Anísio, anda crescendo a olhos vistos outro poder, um poder perigoso que se alastra pelo Brasil afora com a palavra de um homem que não prega amor, somente desagrega, que comemora a morte de quem ele odeia, que volta sua voz contra quem o critique com fúria e ódio.

Ou o param agora ou este raro espécime satânico disfarçado de agente de Deus vai continuar jogando irmãos contra irmãos. O perigo nos ronda num dos mais altos poderes da República. Este "Vampiro" existe, é real, suga seus seguidores e se alimenta da boa fé de grande parte de nosso povo.

Sua língua deve ter sido afiada nos tridentes demoníacos dos belzebus que também andam infestando esta realidade a cada dia mais assustadora e perigosa. Ele desafia a todos e, pior, tem ao seu lado, segundo dizem, a lei. Para quem é crente, porém não aceita o comportamento daquele cidadão, seria ele, conforme os preceitos bíblicos, um sinal dos tempos? O mal travestido de bem e a falar em nome deste carregando em suas intenções o reino da inclemência?

Quando se mistura política com religião, objetivando vôos maiores eu temo pelas conseqüências futuras. Vejam que atualmente quem mais grita contra a influência desta ou daquela religião no Estado, exigindo que este seja laico, são justamente os que avançam na direção de um poder sempre maior. Não se iludam, amigos.

O cidadão a quem me refiro mantém sempre aquele sorriso cínico, usa fartamente de deboche, se sente acima de qualquer suspeita, domina corações e mentes hipnotizadas em suas pregações, e parece não hesitar em aprovar matar em nome de Deus. Há vídeos no Youtube que o comprovam.

Assim ele ironizou o assassinato de John Lennon, este que somente pregou a paz e o amor, que compôs uma das mais lindas canções que já conheci, ou “Imagine”. Deu-me asco vê-lo e ouvi-lo aprovar o assassinato covarde de Lennon e tripudiar do mesmo com justificativas absurdas. Vade retro.

Por favor, não julguem que estou a falar de alguém que seja louco, isto ele não o é, quando muito mal intencionado. Ele tripudia de tudo e de todos. O que também condeno é que estão a lhe dar muitos holofotes, falando sempre dele e o entrevistando na TV, ou seja, tudo de que o sujeito precisa para continuar em evidência. Outro dia o Ciro Gomes disse numa entrevista exatamente isto.

Tirando seus seguidores por interesse, os demais parecem hipnotizados e sem condições sequer de contestá-lo eventualmente quando grita coisas absurdas e os tenta fazer acreditar ser uma espécie de “enviado de Deus”!

Se hoje Glauber Rocha, o inovador do cinema brasileiro há décadas, estivesse vivo, provavelmente produziria “Deus e o Diabo na falsa fé de Feliciano.”

Este espécime de ser humano, como diria um amigo meu crente, pode ter sido criado à imagem do que deve haver de pior nos modelos celestiais, ou saído de uma placenta contaminada com hemácias de Belzebu.

O pior é que ele foi eleito democraticamente por alguns de seus pares da tal Comissão que preside. Daí o Mestre Rubem Alves ter dito outro dia numa entrevista na rádio CBN no programa Mundo Alternativo, que: “Este cidadão é a maior prova de que a Democracia é uma farsa.”

Dizer mais o quê? Só reverenciar o Mestre na altura dos seus 80 anos aplaudindo sua lucidez e coragem mesmo sem perder totalmente a fé em nossa Democracia.



(26 de abril/2013)
CooJornal nº 837



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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