03/05/2013
Ano 16 - Número 838


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


JOGA FORA NO LIXO

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Outro dia eu estava ouvindo rádio, como faço todas as manhãs até a hora do almoço, enquanto acordo, tomo o desjejum, trabalho no computador e depois vou à caminhada e ao banho, etc.

Lá pelas tantas escutei a Sandra de Sá cantando aquele sucesso que o saudoso Tim Maia também gravou. No estribilho é repetido: “Bota fora no lixo... bota fora no lixo...” etc. Logo me veio a idéia: caramba, isto dá samba, ou melhor, samba já é, mas rende alguma crônica, por que não?

Comecei a imaginar quanta coisa e quanta gente eu não gostaria de jogar no lixo. Ah se isso resolvesse todos os nossos problemas, todas as nossas aflições, desprazeres, decepções. Quanto lixo existe espalhado nessa realidade em que estamos incluídos e que temos que aturar. Barbaridade.

Se formos começar pela política nem precisamos enumerar nomes, pessoas, cargos, não, é só pegar por lotes, talvez por partidos, jogar tudo num mesmo e imenso saco e quando o caminhão da limpeza urbana passar os amigos lixeiros ficarão felizes de poder dar sua contribuição para uma faxina geral nessa área.

Se fosse assim tão fácil! O problema é que eles ressurgem a cada eleição porque grande parte de nossa gente ainda troca votos por favores, e mesmo alguns políticos sendo cassados por alguns anos logo retornam ao posto anterior apoiados por parte do povo que, independente da sua falta de politização falta-lhes também a consciência dos deveres e direitos políticos, o que tem tudo a ver com educação.

Por que vocês acham que há muito discurso e tantas promessas nessa área quando os políticos ainda são candidatos, porém depois de eleitos eles atiram tudo ao ostracismo desavergonhado de seus interesses mais escusos? Como já disse o poeta popular naquela música... “Povo marcado, povo feliz”, e é obrigado a votar!

Está na política e nos políticos a raiz de muitos dos males que nos afligem. Aqui eu me refiro a nós como povo. São os políticos que fazem as leis, que decidem sobre seus indecentes aumentos de salários, que só comparecem ao trabalho em tese três dias por semana e ainda fazem jus ao décimo quarto e décimo quinto salários. Vocês pensam que isto acabou? Pois saibam que essas vantagens estão disfarçadas sob outras formas.

As leis que eles insistem em não rever são muito frouxas, costumam favorecer corruptos, criminosos em vários níveis, aqueles que quando vão presos pouco tempo depois já estão nas ruas porque não há como mantê-los atrás das grades. Esses casos se repetem todos os dias pelo país. Seus advogados costumam explorar “com competência” as tais brechas da lei. Uma vergonha, uma ofensa a um povo de certa forma indefeso.

Por isso nosso país continua a ser conhecido como o paraíso da impunidade. Morrem homens, mulheres e crianças por balas perdidas e ou atos desta violência desenfreada que campeia pelo Brasil afora. Em números costumam ser bem mais do que morrem em muitas guerras. A quem interessa isso?

O que se vê é muita demagogia de homens públicos, planos mirabolantes de pacificação em locais ou comunidades as quais continuam a conviver com o tráfico de drogas e eventuais tiroteios que matam até policiais. Claro que isto costuma ser minimizado pelos que defendem ardorosamente o que nós inicialmente até apoiávamos. Quero ver como vai ficar tudo isso após a Copa do Mundo e quiçá as Olimpíadas! Até isso anda nos levando ao desânimo.

Por que não endurecer leis que mais parecem é querer dar cobertura a tantos crimes, começando pelos conhecidos como do colarinho branco? Eles colocam sempre acima do interesses geral de nossa gente o interesse pessoal de virem a ser eleitos e/ou reeleitos. É quando nossa raiva aumenta e dá mesmo vontade de jogar tudo fora no lixo.

Porém há muito mais que nos incomoda, nos desrespeita, nos prejudica. Somos cidadãos comuns que pagamos impostos escorchantes vindos de todo lado, sem ter o retorno devido pelo Governo, ou governos.

Nós podemos ser assaltados a qualquer hora do dia ou da noite, nas ruas ou mesmo em casa, ser atropelados por motoristas irresponsáveis, alguns alcoólatras que parece estão a desmoralizar a tal de Lei Seca. Acompanhem os noticiários e verão que não exagero.

Somos massacrados diariamente com o lixo cultural que a mídia insiste em dizer que é “sucesso”, entre tantas outras agressões, e nós continuamos sem defesa.

Se eu mergulhasse em tanta coisa mais que nos perturba, nos molesta, nos causa estorvo talvez um só caminhão ou mesmo dez ou cem deles não fossem suficientes para levar tanto “lixo”. Como não me move criar polêmica com ninguém fico por aqui, porém aviso que, apesar de tudo, meu saco ainda tem espaço para muito mais lixo.



(03 de maio/2013)
CooJornal nº 838



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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