14/06/2013
Ano 16 - Número 844


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


CÓDIGO NACIONAL DE TRÂNSITO
Para Irresponsáveis, Assassinos, Alcoólatras, Valentões e afins.

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

O que lhes direi neste texto ocorre na maioria das cidades brasileiras impune e repetidamente com freqüência assustadora. Referir-me-ei ao que testemunho aqui na minha querida Cabo Frio, mas não é diferente por este país afora, haja vista os índices de mortes no trânsito. Matam mais do que numa guerra.

Claro que prefiro contar histórias de vida, falar sobre as emoções humanas, porém não posso fugir à nossa realidade, vez ou outra, usando a denúncia responsável. Então vamos lá:

- Como avançam sinal vermelho por aqui, tanto motoristas, quanto motoqueiros e os que usam bicicleta. Sobre estes me deterei em outro texto. Alguns imaginam que não, mas eles são regidos também pelo Código de Trânsito, sim senhor, é que no Brasil nem as autoridades do trânsito se importam em coibir os excessos e abusos dos ciclistas. Vou escrever sobre isso logo e apresentarei provas do que digo;

- Como abusam no dirigir em ziguezague, motoristas, motoqueiros e ciclistas, cortando-nos inesperadamente e fazendo manobras arriscadas tanto para os recalcitrantes infratores como para os demais motoristas;

- Como invadem nossas ruas na contra mão na maior cara de pau, mesmo havendo placas indicativas do sentido da rua, e vá reclamar que o xingam ou agridem. Infelizmente nunca há autoridade presente para puni-los nesta e em muitas outras transgressões às leis de trânsito;

- Como estacionam mal seus veículos, especialmente em esquinas, tirando a visão de quem vai manobrar para entrar à direita ou à esquerda. Até no centro da cidade. Um absurdo infelizmente nunca punido. Não é que desconheçam as regras de trânsito, não, é mesmo falta de educação, prepotência, desprezo ao direito alheio, etc. Isto vale também para caminhões;

- Em cruzamentos de ruas onde não há sinal de trânsito tanto motoristas como motoqueiros dificilmente diminuem a velocidade, e tanto arriscam que um dia eles acabam encontrando outro a fazer o mesmo no cruzamento e aí nem preciso dizer mais nada. Já tomei diversos sustos, mesmo sendo muito prudente e parando sempre para conferir, especialmente nos bairros das Palmeiras e no Braga;

- Outro dia eu ia pela Av. Joaquim Nogueira e reduzi a velocidade. Preparava-me para entrar à direita quando três moças, todas jovens, abraçadas, numa só moto, sem capacete, saíram de trás de mim e subiram a calçada para me ultrapassar, justo pela direita, para onde eu iria manobrar logo adiante. Ainda ficaram a rir, afinal eu era o “otário”. Assim eles e elas vão perdendo a vida sem quase ter vivido; aprontam, mas um dia eles ou elas acabam achando o que procuram;

- Nas rotundas alguns entram na curva circular como que a dizer “saiam da frente que não vou diminuir”, uma barbaridade. Aqui perto de nós temos a maior e mais perigosa delas. É comum, quando voltamos para casa, um carro parar e me ceder a vez para eu virar à direita logo a seguir, de repente alguém dotado de alto grau de imbecilidade, avança pela direita dele e me prega um baita susto. A falta de educação está na raiz de todas essas mazelas e por ela vão morrendo e matando;

- Há algumas semanas posso dizer que salvei a vida de um motoqueiro que, afinal, teve uma reação de quem queria ou me bater ou me matar. Num cruzamento sem sinal, nas Palmeiras, parei e deixei passar três carros que vinham da direita. A seguir passei a primeira marcha e quando ia me deslocando devagar surgiu uma moto, do lado oposto, numa velocidade típica de pista de competição. Parei novamente e só fiz um gesto reclamando da irresponsabilidade do cidadão. Ele parou mais adiante, fez a curva e retornou, mas eu seguira em frente e o vi, pelo retrovisor, parar no cruzamento e desistir, felizmente para mim, de uma possível violência. Além de tudo foi mal agradecido, mal educado, irresponsável, um autêntico energúmeno; as ruas e estradas estão cheias deste tipo de gente;

- Quando eu ia buscar as crianças no colégio era comum me deparar com veículos largados no meio da rua, havendo espaço para estacionar normalmente. Outras vezes um deixa o carro mal parado à direita e outro repete a infração à esquerda da rua, fechando a nossa passagem. Ainda que você buzine os infratores nem se tocam. Prefiro geralmente dar meia volta e pegar outro caminho. As pessoas desrespeitam o direito alheio constantemente porque a autoridade se faz omissa;

- E o DETRAN, em geral, se preocupa com os “exames de vista”, que no meu entender dizem muito pouco, como testes escritos para “apurar o conhecimento de regras e leis do trânsito” (acertei 29 das 30 questões em 2006 em apenas 13 minutos quando eles nos dão uma hora para o teste), mas não liga para a cabeça dos motoristas, seu estado emocional, talvez até através de um psicoteste bem elaborado, mas eles não ligam. Assim não dá;

- Conforme esta cidade cresce mais vamos tendo que aturar pessoas mal criadas, mal educadas, maus motoristas, que continuam a fazer do seu carro uma arma, nas imprudências, nos abusos e na intolerância ao dirigir, tudo impunemente.

No ano passado um assessor ligado à Prefeitura, no jornal local da TV, teve o descaramento de dizer que “é difícil ficar a punir com multas pessoas e firmas no momento”, e após respirar fundo, fazendo-nos engolir esta barbaridade e outras que acrescentara, completou com o que eu preferia não ter ouvido: “Afinal estamos em um ano eleitoral...” Seria melhor que tivesse ficado calado.

Este é um dos retratos deste Brasil que só navega em “céu de brigadeiro” para autoridades enclausuradas em lindos e confortáveis gabinetes no planalto central que parecem habitar um país de conveniente ficção.

Enquanto isso o Congresso faz de conta que legisla, governadores e prefeitos fingem que governam, e nós, povo que elegemos essa gente, estamos sempre sob ameaça de novo imposto, da violência, de uma inflação camuflada nos índices, da incompetência e/ou desatino de políticos pouco ou nada sérios, de candidatos que só os partidos selecionam a seu bel prazer e interesses tantos. E ainda nos obrigam a votar naqueles que nos impõem ficando nós restritos no direito de escolha. Fui.


(14 de junho/2013)
CooJornal nº 844



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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