05/07/2013
Ano 16 - Número 847


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


O QUE NINGUÉM DISSE

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Desculpem, mas hoje voltarei ao futebol da Copa das Confederações. Não entendi a revolta tão grande de muito espanhóis ao verem sua seleção ser massacrada, este é o termo correto, pela brasileira. Eles simplesmente perderam o rumo e viram o tal futebol imbatível ser travado por uma tática inteligente e eficiente.

Porém o que nem os espanhóis nem a imprensa brasileira deram destaque foi ao fato que a seleção de Espanha esteve por pouco de não ser uma das finalistas naquela Copa. Será que esqueceram?

Afinal de contas quando eles enfrentaram a Itália na partida da semifinal os italianos nos mostraram como o tal “tic-tac” (sistema de toque de bola dos espanhóis) poderia ser anulado com competência. Não lembram não?

No primeiro tempo daquela partida a Itália foi superior o tempo inteiro, dominando amplamente o jogo e não fazendo gol por muito pouco. Lembrem também que os italianos haviam perdido para o Brasil em partida anterior por 4x2. Já naquele jogo o Brasil mostrou que estava sim a fim de ser campeão.

A Itália anulou o toque de bola que os espanhóis fazem e que vinha sendo tão decantado na Europa. No segundo tempo daquela partida os italianos diminuíram o ritmo, porém ainda foram superiores, enquanto o time de Espanha não justificava o favoritismo que o colocava como um provável campeão antecipado. Infelizmente muita gente não aprende que em futebol não se ganha de véspera nem com artimanhas.

Aquele jogo terminou em 0x0 e foi à prorrogação. Ali os espanhóis já mostravam que não eram imbatíveis, não mesmo. Nos noventa minutos regulamentares os italianos chutaram ao gol de Espanha onze vezes, sendo seis com defesas espetaculares do goleiro espanhol que evitou golos. Já os espanhóis haviam chutado apenas duas vezes ao gol da Itália sem maior perigo de gol.

É verdade que no tempo de prolongamento os italianos mostraram certo cansaço, todavia souberam conter a fúria espanhola e levar a decisão da semifinal para as penalidades máximas.

Nos penais tudo corria bem para ambas as seleções. Chegaram a cobrar 14 penalidades para alguém sair de campo como vencedor. Foi quando um defensor da Itália ao cobrar o pênalti mandou a bola direto para a torcida. Ali a Espanha enfim se classificou como finalista.

Vejam que os espanhóis poderiam ter sido eliminados na semifinal pela seleção da Itália que a mesma Espanha havia batido por 4x0 quando da decisão da última Euro Copa. Futebol é isso, ninguém ganha sempre, ninguém perde o tempo todo, nem mesmo o conhecido Íbis de Pernambuco.

Então, amigos e amigas, antes de o time do Brasil dar uma aula magnífica de como jogar futebol com seriedade, eficiência, talento, vontade de vencer, o consagrado toque de bola espanhol já fora contido, anulado mesmo pelos italianos na semifinal.

Posso dizer que a seleção de Itália nos mostrou o caminho, nos provou que “tic-tac” é coisa de relógio, não de esquema tático de futebol. Os espanhóis que se irritaram com a derrota de meia goleada para o time do Brasil já deviam estar alertas, pois uma luz vermelha se acendera quando da quase derrota para a Itália.

Tanto a imprensa européia em geral quanto a espanhola em particular reconheceram a superioridade da seleção do Brasil fazendo-lhe justiça com manchetes e noticiário amplamente favoráveis. Esperemos que nosso sucesso se confirme quando da próxima Copa do Mundo.

Para os torcedores brasileiros que podem ter-se surpreendido com a mudança de postura dos jogadores, agora sob o comando de Scolari, eu diria que antes eles jogavam em “ritmo de valsa”, com certa lentidão da fala do então técnico, o Sr. Mano, com todo o respeito.

Agora o time assimilou o modo de ser e de atuar do técnico Scolari, sua competência, sua empolgação, sua vibração e a autêntica vontade de vencer, não apenas de justificar resultados negativos como antes. Era o que eu queria acrescentar.

Por favor, só não embarquem na canoa furada esperando desde agora que seremos novamente Campeões do Mundo, pois eu repito: futebol não se ganha de véspera.


(05 de julho/2013)
CooJornal nº 847



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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