19/07/2013
Ano 16 - Número 849


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

ONDE FOI PARAR O BOXE TRADICIONAL?

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Eu costumava acompanhar grandes lutas entre mestres da arte, sim, da arte do Boxe Internacional. De repente explode na mídia televisiva o tal de MMA. Só falam nesses combates, que eles chamam de luta e que a mim não atraem.

Homens musculosos, com caras feias, a fazer caretas e no ringue uma mistura de caricatura do verdadeiro boxe com uma luta livre que já foi algo respeitado, inclusive no Brasil, porém com regras que permitem golpes meio baixos.

Pesquisei e descobri que alguns afirmam ter o MMA surgido nos EUA nos anos 90. Eu insisto então na pergunta do título: onde foi parar o boxe tradicional? Durante boa parte da minha vida me acostumei a ver o boxe em noites de grandes ídolos mundiais, inclusive alguns brasileiros, como Eder Jofre que ainda está por aí e a ensinar aquela arte a crianças.

Sou do tempo em que nós tínhamos prazer em ver no ringue, a dançar como que um bailarino, por exemplo, o famoso Classius Clay. Que estilo, quanta classe, ele e outros transformavam o que era uma luta num espetáculo que superava as fronteiras de um simples embate entre dois homens.

Nada de pontapés, de cabeçadas, pés descalços, de agarramentos como se vê na tal MMA e que, para meu desprazer, a platéia vibra e aplaude. Lutam ou brigam, até no chão.

Pior é que chamam a isto de esporte e vi em determinado site que promove o tal MMA que este “é o esporte que mais cresce no mundo atualmente”. Alguns insistem em afirmar que o MMA veio do jiu-jitsu. Mais respeito gente, o jiu-jitsu, no Brasil, foi lançado pelos irmãos Hélio e Carlos Gracie. Lembram deles?

Se neste é permitido o contato corpo a corpo, há regras claras, bem definidas, e agressões ou golpes baixos não são permitidos. Há técnica no jiu-jitsu. É ou era uma forma de combate leal e mais eficiente do que, por exemplo, a tal de luta livre. Desta eu também nunca fui adepto.

A luta livre, que me lembro, apareceu na TV brasileira mais como divertimento, suas lutas geralmente eram pura encenação. Havia uma real distinção entre os “lutadores bons”, os tais mocinhos que a platéia adorava e torcia por eles, e os “lutadores maus” que entravam sempre vestidos de forma a parecerem carrascos e eram vaiados. Tratava-se apenas de um teatrinho do qual participou o Ted Boy Marino, um jovem louro que depois virou até artista de TV. Recordam dele?

Pois bem, pesquisando encontrei esta explicação para mostrarem o começo dessas lutas atuais. Em certo site está dito que: “Os primeiros registros datam do século VII a.C., quando os gregos criaram o pankration, uma mistura de boxe com luta livre e que chegou a ser o esporte mais popular dos jogos Olímpicos da Antiguidade. Com a ascensão do Império Romano, o pankration entrou em declínio, dando lugar ao boxe e outros esportes mais difundidos no Império Romano.”

A verdade é que através de séculos o boxe se notabilizou realmente como um tipo de luta, de esporte, sendo os EUA o país que teve os maiores boxeadores de todos os tempos sem dúvida alguma. Consta que o primeiro grande ídolo do autêntico boxe mundial nasceu em 24 de Julho de 1895. Seu nome: William Harrison Dempsey, ou Jack Dempsey.

Dempsey iniciou sua carreira no boxe no ano de 1914 e disputou seu primeiro título mundial no dia 04/07/1919, lutando contra Jess Willard. A luta ocorreu na cidade de Toledo, Estado de Ohio, nos EUA. Retirei a informação a seguir do site da Wikipédia:

“O boxe ou pugilismo é um esporte de combate, no qual os lutadores usam apenas os punhos, tanto para a defesa, quanto para o ataque. A palavra deriva do inglês to box, que significa bater, ou pugilismo (bater com os punhos), expressão utilizada na Inglaterra entre 1000 e 1850. O boxe foi primeiramente considerado um desporto olímpico em 688 a.C., na 23ª olimpíada da antiguidade; seu vencedor foi Onomastus de Esmirna, que foi quem definiu as regras do esporte.”

Além de Cassius Clay, já por mim citado acima, talvez o maior dos ídolos do boxe americano e mundial, eu poderia citar ainda os nomes Rocky Marciano, George Foreman, Myke Tyson entre outros, em épocas diferentes. Cada um deles com seu estilo personalístico.

Infelizmente hoje não vejo falarem nem apresentarem lutas de boxe, como as que eu vi tantas vezes no passado. No lugar delas só divulgam as tais “lutas” do agora conhecido como MMA. Que me desculpem os adeptos desses lutadores brasileiros ou não, porém a mim não agrada assistir a tais “combates”.

Segundo li em algum lugar, pensando em uma denominação mais amena para a modalidade desse MMA alguns passaram a denominá-lo de “Mixed Marcial Arts”, ou seja, “Artes Marciais Misturadas”. Por mim podem chamá-lo como quiserem, da minha parte, mesmo nada tendo contra quem se dedica a este tipo de luta, garanto que não terão nunca a minhas assistência.

Por isso eu termino com a pergunta que fiz no título deste texto: Onde foi parar o boxe internacional?”



(19 de julho/2013)
CooJornal nº 849



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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