26/07/2013
Ano 16 - Número 850


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

CRÍTICA À CRÍTICA

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Estamos vivendo uma fase de reação de nosso povo a tantos desmandos, corrupção, bandalheiras de toda ordem que já vêm ocorrendo há alguns anos. Parece que enfim nossa gente acordou de uma sonolência letárgica que vinha aceitando tantas imposições, especialmente na área da política, sem manifestar qualquer tipo de reação.

Como diz o velho ditado “antes tarde do que nunca”. É claro que essas manifestações plenamente justificáveis andam servindo de “carona” para que pessoas mal formadas se infiltrem nelas e pratiquem seus atos de violência, danificando prédios, pontos de ônibus, caixas eletrônicos, praticando roubos e fazendo algumas vezes com que a polícia tenha que intervir e assim sobrando conseqüências desagradáveis para quem está ali apenas para um protesto pacífico.

Este tipo de comportamento, “pegar carona” na revolta popular e tentar difundir idéias que não são o que nossa gente deseja com as inúmeras manifestações, já começa a ocorrer também na internet. Explico melhor: vejam que o povo quer uma reforma política para valer, entre outras, quer mais verbas para a Educação e a Saúde e se possível o fim da corrupção galopante que vem assolando este país há algum tempo, não apenas nos últimos anos.

Quando se deseja uma reforma política geral queremos dizer que não aceitamos mais o que aí está, independente de partidos ou de políticos, de esquerda ou direita. Se hoje o PT é o mais visado é justo porque ele está no poder há dez anos e foram seus representantes, ou alguns deles, que deram início ao processo do Mensalão.

A decepção se estende também ao judiciário e/ou a leis que ainda temos, ultrapassadas, que acabam por dar guarida a malfeitores, corruptos, engessando algumas vezes a própria Justiça.

No presente é inegável que há também uma espécie de choque, de contenda mal disfarçada entre o Congresso e o STF. Por outro lado, muitos dos políticos de todos os partidos fingem não entender o mote maior do descontentamento de nossa população e seguem atuando na contramão das muitas manifestações de rua.

Nas caladas das noites e/ou em sessões a que ninguém tem acesso eles continuam urdindo decisões as quais, quando dão entrevistas, desmentem visto quererem dar a impressão de que já estão atuando para alcançarem as modificações reclamadas pelo nosso povo. Mentira, descarada mentira.

Quando se trata de reforma política e que, portanto mexeria com todos os partidos e os seus políticos, a “classe” se une não importa a cor de cada legenda. Aí não há governo nem oposição, estão todos no mesmo barco, embora tentem mentir e mentir sempre quando aparecem na TV em rápidos horários políticos.

Voltando ao assunto internet, percebo que já começam aquelas mensagens apócrifas, onde quem as cria não se identifica ou usa nome falso, ou atribui autoria a pessoas inexistentes. Geralmente elas são criadas com letras grandes, assim como quem grita, usando vez ou outra, cores diferentes nas letras, o que chamo de meros “carros alegóricos” de profundo mau gosto.

Estas “mensagens” que tentam fazer com que as pessoas as repassem para suas listas parece trazerem reivindicações e denúncias que nós também fazemos. Atenção, muitas delas usam apenas isto como mote, porém se vocês repararem bem, elas já fazem parte de uma antecipada “campanha eleitoral” para 2014.

O alvo maior e quase permanente é o PT. Alguém diria que está certo, e eu afirmo que está errado. Criticar, denunciar atitudes, fatos criados por petistas que estão no poder é uma coisa e geralmente justa, mas querer fazer crer aos “ingênuos da web” que a corrupção foi inventada por eles é ser mal intencionado.

Recebi na semana passada uma mensagem vinda de certa amiga redigida com letras grandes, trazendo, sem maiores comprovações, como autor, o nome de um padre do nordeste. O texto era mal redigido, com linguagem grosseira, erros de português, ataques e denúncias apenas a um partido, o PT.

Por que o “autor” não foi mais profundo em sua análise e não se preocupou com a reforma política geral que todos queremos? Não, este não era o objetivo de quem inventou aquele texto apócrifo. Outros muitos, do mesmo tipo, vão começar a ser espalhados na web. Preparem-se e, por favor, ao recebê-los, não me mandem, é pura perda de tempo, pois eu os apago na hora.

Outro dia ouvi alguns tucanos, que já estiveram no poder por oito anos, inclusive o possível candidato deles, o Sr. Aécio Neves, a pregar contra a reeleição. Diziam em tom de crítica que ”não se pode continuar admitindo a reeleição para Presidente”. Então eu dei uma risada.

Bolas será que por muita gente ter a memória fraca eles pensam que todos nós somos iguais nisso? Claro que eles pregam contra o que eles mesmos criaram. Antes do governo tucano do Sr. FHC o Brasil não tinha reeleição para Presidente. Será que vocês também já esqueceram? Foi o PSDB que inventou o projeto para que se pudesse reeleger o Presidente, justo quando o primeiro mandato do Sr. Fernando Henrique Cardoso caminhava para o seu fim.

É evidente que foi o mesmo que legislar em causa própria. O assunto foi tratado no Congresso em regime de urgência como raramente eles decidem sobre algo. Por outro lado foi muito noticiado na mídia brasileira que estaria em curso uma espécie de “leilão”. Procurem jornais da época e reavivem suas memórias. Chegaram a anunciar uma cifra elevada que seria “doada” aos que aderissem à aprovação daquele projeto. Eu consideraria uma espécie de “pré Mensalão”, este tucano.

O objetivo foi alcançado e FHC foi reeleito. Mas agora parece que eles se arrependeram desta “invenção” e querem derrubá-la. Quem sabe se um deles se eleger em 2014, eles não retornam o mesmo projeto ao Congresso? Vocês duvidam? Dizia minha avó “quem faz uma é capaz de fazer mil”.

Estou atento aos anseios de nossa gente e certamente você também, mas e os políticos? Ora, conhecendo-os como os conhecemos tenho certeza que não obstante um aparente apoio deles aos reclamos do povo, por trás dos panos essa politicalha vai querendo é ver o tempo passar, o povo se cansar e as manifestações aos poucos irem se exaurindo. Se perdermos este trem vai ser difícil vir outro logo atrás.


(26 de julho/2013)
CooJornal nº 850



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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