30/08/2013
Ano 16 - Número 855


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

AO SOM DO TELHADO BRANCO

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

De quando em quando nós costumamos vir ao Rio de Janeiro com base em meu apartamento em Ipanema. Ficamos por aqui alguns dias matando saudades do bairro em que vivi por cerca de quase trinta anos e onde finquei muitas raízes.

Desde meados de 2003 eu decidi morar na aprazível Cabo Frio onde já tinha uma casa há muito tempo. Sempre que nos programamos para vir ao Rio eu consulto o Informativo semanal da nossa AABB – Lagoa para ver a programação deles pelo menos pelas próximas duas semanas.

Estando no Rio desenvolvemos várias atividades. Uma delas, quando cabe, é termos o prazer de irmos num sábado à noite ao Salão Granito da AABB se lá está tocando o maravilhoso conjunto conhecido como “Telhado Branco”. O nome já define uma das características dos componentes daquele grupo.

A única pessoa que não se encaixa na descrição acima é a jovem crooner, loura, simpática e muito comunicativa. Ela canta a letra de algumas músicas e encanta os presentes brincando e levando a eles o microfone, vez ou outra, para que possam também participar como “cantores”.

Tudo começa por volta das 19:30 horas e vai até quase meia-noite. Quem nos acompanha sempre nestas noitadas é o amigo Tabajara única pessoa com quem nos deslocamos no Rio quando a distância é grande e não dá para ir a pé. Além de amigo há muitos anos ele é motorista de taxi e por seu corpo e altura funciona de certa forma também como nosso “segurança”.


O som da turma do “Telhado Branco” é composto só de músicas da melhor qualidade, nacionais ou internacionais, aquelas que dão prazer em ouvir e dançar. A freqüência masculina e feminina de uma maneira geral é de pessoas que não vão a baladas, mas adoram passar uma noite dançando agarradinho, como na minha juventude e na de quase todos que lá vejo.

Eu e minha esposa damos preferência aos ritmos mais lentos, bolero, samba-canção, todavia não desprezamos vez ou outra um balanço em ritmos mais alegres e brejeiros do tipo chorinho. Enquanto dançamos e/ou conversamos nas mesas uma equipe de garçons nos serve salgadinhos e bebidas.


Recentemente descobri que o “Telhado Branco” estaria atuando justo no sábado em que chegaríamos ao Rio. O show deles começa ali pelas 19:30 h e nós geralmente chegamos em Ipanema, vindo de Cabo Frio, ali pelas 16:30 para 17 horas. Convenhamos que pouco tempo depois estar na AABB Lagoa para dançar era um tanto cansativo, mas eu não desisti e lá fomos nós, como sempre, levados pelo bravo Tabajara. Acabou sendo uma noite e tanto, adoramos.

Aliás, naquela noite o Salão Granito estava bem cheio, mais do que em outras vezes que lá fomos. Havia uma mesa bem grande com diversas pessoas a comemorar os noventa anos de um simpático senhor. Cheguei a conhecê-lo pessoalmente graças a uma iniciativa do comunicativo Tabajara. Este fala com todo mundo cumprimenta a todos e dança como poucos.

Que vitalidade tem também o cidadão que chegava aos 90 anos de cabeça erguida, sorriso fácil, dançando e até tocando pandeiro, em certos momentos, no conjunto Telhado Branco. Bom ter uma vida longa assim.

Costumo dar sempre uma volta por partes externas da AABB, contornando as piscinas, vendo as quadras de esporte, etc. Neste rápido passeio passa em minha mente um breve “filme” de tantas recordações desde os anos sessenta, momentos alegres que ficaram no passado.

Nestas eventuais noitadas na AABB – Lagoa nós renovamos a emoção de viver, provamos a nós mesmos que ainda podemos sim exibir os nossos passos de dança sem ligar para a platéia, pois afinal outros muitos estão ali como nós e certamente procurando umas poucas horas de alegria e prazer.

Eu costumo lamentar a ausência dos companheiros da antiga do BB que nunca encontro lá no Salão Granito. Chego a sentir uma ponta de inveja dos muitos que se cumprimentam, se abraçam, sorriem e conversam animadamente talvez relembrando parte de seu passado na ativa do Banco do Brasil. São também “telhados brancos” cujos fios de cabelo dão seu testemunho de uma longa convivência anterior.

Vidas que a própria vida ou destino com o tempo foi separando, traçando rumos diversos para muitos de nós. Uma pena, mas pelo menos a internet nos reaproxima com alguns que mantêm acesa a velha chama de nossa amizade.

Costumo relembrar as lindas noites de festa dos anos sessenta e setenta quando era promovido o encerramento de algum dos cursos do DESED (Treinamento de Pessoal) onde trabalhei por anos. Colegas e suas esposas se reencontravam ali mesmo ou no salão da parte de cima. Mais recordações mais saudades.

Naquele mesmo Salão eu realizei minha primeira Exposição de Fotografias Artesanais fora da Associação Brasileira de Artes Fotográficas que freqüentei por muitos anos. Foi minha primeira experiência exibindo meus trabalhos fora dos salões da ABAF. A presença de colegas do BB naquela inesquecível noite de 1986 foi maciça. A AABB me deu sorte. A partir dali realizei várias outras exposições.

Voltando à turma do “Telhado Branco” digo-lhes que quando vamos ao Rio costumo torcer para que eles se apresentem num dos sábados que lá estaremos. Vamos ver se na próxima ida ao Rio damos esta sorte.


(30 de agosto/2013)
CooJornal nº 855



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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