06/09/2013
Ano 16 - Número 856


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

O POVO NÃO SABE VOTAR?

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Outro dia quando divulguei minha crônica “O Recado dos Políticos” um amigo da antiga, excelente escritor, homem de uma cultura invejável, comentou meu texto com poucas palavras que disseram muito, pelo menos no meu entender. Ele fez uma crítica ao povo, como eleitor.

Vejam que naquele texto eu procurei expor minha visão sobre o que os senhores deputados federais teriam querido dizer a nossa gente ao “absolverem” descaradamente seu colega Donadon que acabara de ser julgado e condenado à prisão por 13 anos, pelo STF, considerando diversos crimes do colarinho branco. Reproduzirei aqui apenas um dos vários parágrafos do meu texto:

“Se alguns anjinhos julgam que vão mudar alguma coisa nesta Casa procurando dar o seu voto a pessoas que não estejam atualmente exercendo mandato, lembrem que os candidatos colocados para vocês escolherem e votarem são selecionados por nós, por nossos partidos. A vocês cabe somente votar e pronto.”

Isto significa que votar, seja em quem for, é dar o seu voto a alguém que mesmo não estando no exercício de algum mandato foi escolhido para ser candidato pelos partidos que aí estão, ou seja, no meu entender, comprometido com a política que hoje tanto condenamos. Seja qual for a cor partidária, não importa. Achar que existe algum “não comprometido”, a meu ver, é mesmo posar de anjinho.

Conheço, porém diversos amigos que jamais deixariam de votar ou dariam outro destino ao seu voto para manifestar seu desagrado com a atual situação política reinante. Falam, criticam, esperneiam, se queixam, todavia no momento das eleições... lá vão eles.

Eu lamento, mas não basta “exercer o sagrado direito ao voto”. Se você quer tentar mudar algo há que também mudar de atitude ao votar. Votando como sempre o seu voto vai ser apenas mais um a tentar eleger alguém que, queira você ou não, não vai fazer diferença alguma no quadro que aí está. Duvida?

Por eu ter dado minha concordância ao comentário acima na crítica que aquele amigo fez ao nosso povo, como eleitor, logo outro bom amigo da antiga, também pessoa inteligente e muito politizado, puxou-me a orelha mostrando-se surpreso por eu ter apoiado a afirmativa de que o povo seria idiota.

Claro que o comentário em questão dirigia aquelas palavras apenas e exclusivamente ao gesto de votar e idiotice, repito, é alguém achar que neste país, por ora, nosso voto em alguém que é indicado por um dos partidos pode mudar alguma coisa. O pior é que gente inteligente acredita nisso!

Há algum tempo o ex-jogador Pelé disse: “O povo não sabe votar”. Com ele eu discordei e continuo discordando, pois no meu entender a questão não é saber ou não saber votar, desde que quase ninguém não admite dar outro destino ao seu voto que não seja entregá-lo a algum candidato. Quantas vezes eu já vi pessoas que conheço acharem que votaram acertando e depois começarem a se queixar a mim por lamentarem ter cometido um grande equívoco?

O voto que usaram e que lhes parecia o mais correto diante das opções naquela eleição mostrou-se depois também um equívoco e a decepção não tardou. Como eu tenho escrito, minha gente, não é que o povo não saiba votar, não, pois pessoas da melhor formação e muito bem politizados cometem os mesmo erros. O grande problema, eu repetirei sempre, não está em quem votar, mas como votar. Acordem meus bons amigos e amigas, por favor, acordem.

Não se limitem a escolher este ou aquele candidato, mas pensem bem antes no que fazer com o seu voto. Pensem nas opções que estão ao seu alcance, antes de votar e lembrem sempre que somos um dos raros países neste planeta que ainda mantém esta excrescência que é a obrigação de votar. Por quê?

Por acaso nós estamos certos e o mundo todo está errado? E o Primeiro Mundo, no qual nenhum país tem esta obrigação de votar? Será que eles têm o que aprender conosco em matéria de direitos civis e outros? Por favor, amigos e amigas, parem e pensem, mas pensem seriamente, reflitam um pouco e vamos deixar de nos lamuriar após cada eleição, certo?

Já ouvi e li pessoas pelas quais tenho o maior respeito pregarem o voto nulo. Não me surpreende. Pelo que sei é o único tipo de voto que poderia, no caso de ser maioria, o que julgo impossível neste Brasil atual, cancelar, ou exigir nova eleição, repensarem os nomes dos candidatos, entre outras coisas.

Desculpem, é apenas um sonho, assim como continuamos a sonhar com a reforma política e tantas outras que, pelo visto, jamais virão. Pelo jeito vamos continuar a ser o tal “país do futuro”, só que para muita gente, como eu, por exemplo, o futuro já chegou faz tempo. Sem mais comentários.



(06 de setembro/2013)
CooJornal nº 856



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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