13/09/2013
Ano 16 - Número 857


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

A PALAVRA AOS INFIÉIS

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Já escrevi aqui sobre amigos, sejam os da antiga, cuja amizade nasceu no Banco do Brasil, floresceu e foi criando raízes com o passar do tempo e se mantém até hoje, certamente para sempre, como os que eu conheci na juventude em Belém e aqueles que me foram chegando aos poucos, e hoje felizmente são muitos, desde que comecei a escrever nesta internet em janeiro/2001.

Hoje, entretanto, resolvi enfocar o mesmo assunto, mas pelo “outro lado da moeda”. Vamos supor, vejam bem, apenas supor, certo, que entre tantos bons e leais amigos houvesse alguns que, qual Judas, com o passar do tempo começassem a se tornar infiéis. Digamos que eu continuava a considerá-los bons amigos, porém desconhecia que os caras não estavam mais nem aí para minha amizade.

Você pensou que eles ficariam felizes com o reencontro após tantos anos separados pela vida. Afinal cada um segue o seu destino e isto sempre nos afasta pelo menos por algum período, de quando em vez. É normal acontecer. O que não é normal é pessoas que sempre se deram bem, que nunca algum deles tomou atitudes que desagradasse aos outros, de repente se insurgirem contra a velha amizade usando como arma o desprezo.

A música maravilhosa composta por Simon and Garfunkel, “The Sounds of Silence”, pelo menos nos comunica emoção, êxtase, alegria, mas, o silêncio dos que chamaríamos aqui de “infiéis” é triste, traiçoeiro, patético, aleivoso, pérfido. É um silêncio que injuria que despreza que insulta e trai a amizade que cultivava antes. Claro que o silêncio de alguns é apenas jeito de ser, não agressão. Estes não estão incluídos na relação dos infiéis. Mas estes se reconhecem bem.

Continuando, apenas no campo das suposições, repito, suposições, imaginemos como agiríamos se um dia descobríssemos alguns infiéis (uns chamariam de “traíras”) entre tantos e autênticos amigos? Qual seria a nossa reação? Faríamos de conta que nada havíamos percebido? Daríamos de ombro? Só isso?

Desculpem, se fosse comigo, que não tenho sangue de barata, jamais admitiria tanta deslealdade. Não conseguiria apenas “fazer de conta que” e continuar a dedicar a mesma amizade a quem, pelas costas, estivesse a dizer mal de mim, ou a rir da minha tentativa de manter uma amizade que já naufragara e eu não sabia. Vamos então supor como este velho Chico trataria o assunto. Haja suposição!!

Talvez eu escrevesse: “Prezados amigos, ou seria ex-amigos? É, talvez fique melhor assim. A partir daí usaria de ironia e de humor mostrando a superioridade de quem nunca traiu, porém se sabe traído. Algo assim:

“Esta mensagem vai só para vocês, não identificados, mas que bem sabem quem são. Poucos, mas não importa, pessoas que sempre considerei amigos desde longa data. Pessoas que trabalharam comigo, conviveram comigo, outros que conheci aqui mesmo, nesta internet, e que tanto me passavam de amizade e consideração, e de repente romperam o contato, ou tiraram a “máscara”. Por que isso?”

“Curioso que alguns, conhecidos neste espaço virtual, ainda estão por aí, até escrevendo ombro a ombro comigo, porém “deletaram” a amizade antiga. “Esqueceram” o velho amigo de tantos papos? O que houve? Quem mudou?”

“Pessoas, (aqui entram os da antiga mesmo) a quem sempre dediquei minha amizade leal, e que ao reencontrar nesta internet, já faz algum tempo, fiquei feliz e esperava reciprocidade. O que tive foi uma resposta bem deselegante, para ser educado. Outros mantêm até hoje, um silêncio pesado, cruel, injusto e desleal.”

Um dos mais leais amigos da velha guarda um dia me escreveu: "Amigo, não esquenta a cabeça. Há amizades silenciosas que por serem mudas podem parecer ex-amizades, mas apenas estão adormecidas, não mortas. Vai em frente, amigão."

“Sábias palavras, pena que não se encaixassem nos casos aos quais me refiro. Dei tempo demais para que alguns me dissessem algo, ao menos que não esqueceram a velha amizade, como outros muitos o fizeram, mas não, preferiram me ignorar.”

E eu continuaria o texto assim: “Fico decepcionado, é verdade, mas não aborrecido, isso não, prefiro é sentir pena de quem antes nunca mostrou ser um caradura, ou falso amigo, mas me abraçou tantas vezes, riu junto comigo, passou confiança e depois, bem depois, quando o reencontro deveria ser uma comemoração, transformou-o numa grande decepção.”

“Como disse outro dia o psicólogo e médium por demais conhecido e respeitado não só no Brasil como no exterior, o Luiz Gasparetto: "reciprocidade acima de tudo. Não é questão de desculpar ou perdoar. Isso é outra coisa."

“Eu tenho o orgulho de dizer que aos 77 anos sou um aposentado que não deixou de trabalhar, de ser útil de várias formas, em diversas atividades, e que faz bem mais de 12 anos que retornei a escrever publicamente pela internet e fora dela, trabalhando todos os dias, escrevendo, escrevendo, e lendo sempre.”

“Meu trabalho, em termos de literatura, felizmente tem sido muito recompensado, com certeza. Perguntem a quem me apóia. Sem falar nas inúmeras exposições de Arte Fotográfica que realizei, dos filmes de curta metragem que produzi sozinho e das várias premiações em concursos literários.”

Aqui eu faria uma breve pausa para conter a emoção traída e concluiria dizendo:

“Sigo a minha estrada de cabeça erguida, todavia nunca subi em algum pedestal. Acertei, errei, tropecei, caí e levantei nesta vida onde se precisa sempre estar atento para driblar as pedras do caminho. Agradeço aos que me estenderam sua mão, aos que estiveram presentes nos meus piores momentos e aos que compartilharam comigo os momentos vitoriosos.” Foram poucos, porém valeu pela sua lealdade e confirmação de uma amizade que vale uma vida inteira.

“Deixo aqui o que li no nosso saudoso Henfil: “Se não houver frutos, valeu a beleza das flores, se não houver flores, valeu a sombra das folhas, se não houver folhas, valeu a intenção da semente.”

“È isso aí, continuo regando algumas sementes que geraram tantas amizades bonitas e sinceras. Essas, ou esses, tiveram a intenção de ser amigos para sempre e para sempre os manterei plantados no meu coração. Obrigado, gente boa.”

“Os que nunca chegaram a ser frutos, jamais deram flores, e suas folhas mortas permitiram que matassem também as sementes. Esses nunca devem ter tido a intenção de florejar e assim jamais regaram uma amizade que deixaram à míngua de reciprocidade e de amor fraterno. Deste jardim só me restam recordações”.

Acho que é o que eu diria supondo, repito, apenas supondo, que descobrisse infiéis entre uma população considerável de bons amigos que tenho. Falei e disse.



(13 de setembro/2013)
CooJornal nº 857



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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