04/10/2013
Ano 17 - Número 860


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

A COMUNICAÇÃO VIRTUAL


 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Quero me referir ao que escrevemos a amigos e deles recebemos em “diálogos” mantidos nesta internet. Mesmo eu usando o “velho” Outlook Express, meu preferido, percebo que nem sempre o que queremos dizer, por mais que nos esforcemos, é levado ao nosso “interlocutor” tal como queríamos que fosse.

Isto se torna pior quando tentamos conversar com alguém que costuma usar e abusar das famigeradas abreviações. Eu não as uso porque ao responder a alguém sinto que o devo fazer com o máximo de clareza, educação, além de usar o respeito que o amigo ou a amiga merecem, o que as abreviações não permitem.

Se nós mantemos uma troca de mensagens sem que estejamos em polêmica ou em debate com a outra pessoa, tudo fica mais fácil. Se nós escrevemos com alguma pressa é comum trocarmos letras, mas a outra pessoa entenderá até porque com ela ou ele acontecerá a mesma coisa algumas vezes.

Entretanto o que aqui chamarei de “comunicação virtual”, algumas vezes se torna um problema no relacionamento entre duas pessoas. Posso garantir isto porque já me aconteceu e mais de uma vez. Vejam que sou alguém de inteligência mediana, que sei escrever, e sempre manifesto respeito por quem me dirige a palavra seja comentando texto meu ou apenas conversando.

Ainda assim os efeitos de um eventual desentendimento na troca de opinião através dessas mensagens virtuais têm contra si a falta da palavra dita de corpo presente, o não olhar nos olhos, a velha conversa de corpo presente que permite uma correção, ou várias, de imediato sem que o desfecho possa provocar aborrecimento.

Se já ganhei muitas e boas amizades nesta internet igualmente já perdi algumas geralmente por divergências de pontos-de-vista sobre determinado assunto, ou mesmo por eu ter sido mal interpretado ou ter eu entendido equivocadamente o que alguém me disse ao argumentar contra a defesa que eu fazia de certo assunto.

Afirmo por experiência própria que, mesmo cheio de razão, já fui levado a escrever com certa veemência na defesa de algo acabando por atingir o brio, ou o sentimento de dignidade de alguém o que não era a minha intenção. Eventualmente a recíproca já foi verdadeira também.

Hoje quase “piso em ovos”, especialmente com pessoas muito amigas, se desejo me expressar discordando deles ou delas. Não incluo aqui quando alguém se afastou de mim por ter pontos-de-vista diferentes, por exemplo, sobre política nacional ou internacional. Ficou-me, todavia a impressão que a discordância tinha para o amigo uma importância maior, mais forte que a antiga amizade.

Não relaciono também neste caso aqueles ou aquelas que me expurgaram por eu ser contra alguma tentativa de censura a texto meu, ou exigência por mim julgada descabida. Nesses casos eu defendo sempre meus direitos com muita disposição, educadamente, porém jamais cedendo a imposições que considero descabidas. Foi assim que saí de alguns poucos sites para os quais escrevi antes.

Felizmente com pessoas inteligentes que percebem facilmente na forma de nos comunicarmos por mensagens algumas vezes não dizermos o que nós queremos dizer, na forma como desejamos, isto se nós estivéssemos conversando pessoalmente, conseguimos consertar rapidamente algum eventual mal entendido.

Ocorreu por acaso há poucos dias quando eu e um grande e bom amigo da antiga “papeávamos” nesta internet como de hábito o fazemos. No vai e vem de nossas palavras, algumas brincadeiras, pequenas gozações, eu acabei entendendo errado o que ele me escrevera sobre sua futura decisão de votar.

Na verdade ele apenas tirava um sarro em parte do que eu escrevera antes, nada sério como eu entendera. Como ele, inteligente que é, percebeu que eu “deslizara na maionese”, digamos assim, tratou de botar os pingos nos ii. Da minha parte corri para apresentar minhas desculpas e corrigir tudo. Então escrevi assim para ele:

“É meu amigo, tens razão, o difícil é mesmo a comunicação, mas não era antes. Agora na era desta tal informática muita coisa que se escreve costuma ser interpretada erradamente, já me aconteceu várias vezes, tanto da minha parte como na de outros amigos. É isso aí. Confesso que eu prefiro o tempo em que nós falávamos, quando nós conversávamos pessoalmente, o que hoje quase não acontece. É uma lástima.”

De imediato meu amigo concluiu aquela “conversa” com essas sábias e verdadeiras palavras que eu aplaudi:

“Concordo plenamente. Falta calor humano. Falta o olhar, os gestos, o sorriso, enfim, falta humanidade.”

Falaste tudo, meu bom amigo, acertaste no centro do alvo. Parabéns.



(04 de outubro/2013)
CooJornal nº 860



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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