25/10/2013
Ano 17 - Número 863


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

MEDO DE MORRER? EU?


 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Todos que me lêem sabem que estou hoje com 77 anos. Quando eu tinha um pouco menos, 72 anos, um amigo me perguntou um dia se eu não tinha medo de morrer. Ele acabou me fazendo refletir, lembrar situações vividas, lembranças guardadas para sempre na minha mente e no meu coração, até resolver responder-lhe.

Eu disse que medo de morrer, pelo menos, na idade em que estou confesso que não sinto. Afinal tenho vivido muito e hoje estou mais para o final de tudo do que para o começo de uma vida que está mesmo a ser bem longa. Na minha família, com raríssimas exceções, meus pais, avós, bisavós e outros partiram desta vida após os 85 e até após os 90. Uma longevidade que vem de longa data.

Sei que isso não quer dizer nada, pois cada um de nós, conforme a vida que leva, ou de acordo como cada um se cuida em alimentação, exercícios etc, pode viver mais ou mesmo menos. Já conheci pessoas que levaram uma vida tão saudável e de repente uma doença incurável lhes roubou o bem mais precioso, a vida.

Mas eu disse ao meu amigo que quando eu estava ali pelos trinta e tantos anos, em volta dos quarenta, realmente eu tive medo da morte. Diziam que aquela era a idade em que o enfarte agia com muito mais vigor e matava mais rápido. E não era mentira não. Testemunhei a perda de uns poucos e bons amigos no BB que não levaram a sério esta recomendação e partiram tão jovens.

Um deles era alto, forte, parecia esbanjar saúde. Um amigão como poucos o Agostinho. Depois de trabalharmos juntos no Treinamento de Pessoal eu o fui reencontrar no CESEC, no bairro do Andaraí, quando eu chefiava um Setor de Comunicação de Áudio Visual. Um dia ele foi internado às pressas com um enfarte dos brabos. Afinal infelizmente com toda aquela aparência que tinha o nosso bom amigo fumava demais. Demais, mesmo.

Ele achava sempre que falavam muita “bobagem” contra o cigarro. Certa vez saiu do Hospital, fugido, digamos assim, e apareceu na minha sala. Tomei um susto, pois eu sabia que ele estava de licença-saúde. Fiz ver a ele que estava arriscando sua vida numa decisão nada inteligente. Ele riu, nunca acreditou que pudesse morrer tão novo com aquele físico todo. Pois bem, dias depois outro enfarte fulminante o levou para o outro lado desta vida. Perdemos um grande amigo.

Naquela altura, por este e outros exemplos semelhantes, realmente eu tinha medo de morrer de repente embora não fosse um fumante, apenas pegasse em um ou outro cigarro muito eventualmente e sem tragar. Mas mesmo assim era perigoso. Abandonei o que nunca chegou a ser um hábito para mim, apenas uma forma de querer parecer como outros, uma bobagem que podia me custar caro.

Depois que a gente vai passando pela vida, vai transpondo barreiras, vencendo etapas difíceis, comemorando sucessos e se levantando nos eventuais fracassos, vemos que está chegando o momento de só olharmos para trás a fim de recordar um passado que teve alegrias muitas e algumas tristezas. Dessas devemos sempre aprender com nossos próprios exemplos e erros, jamais confiar só nos dos outros.

Nem sempre os exemplos de terceiros são úteis para nós, é ledo engano pensar o contrário. Digo por experiência própria. A vida é que nos mostra, nos ensina lições e basta estarmos atentos, como dizem alguns, aos sinais que ela nos dá. Mas na vida corrida de hoje, na pressa em não chegar a lugar algum, quem tem tempo para pensar nisso, para meditar, quem?

Sempre tive boa saúde e me cuidava bem na alimentação e nos exercícios. Eu caminhava cerca de uma hora pela manhã e à tardinha, umas quatro a cinco vezes por semana eu completava o exercício com o que eu chamava de “corridinha de manutenção”. Apenas uns 25 a 30 minutos. Vejam que eu já tinha mais de sessenta anos e mantinha este mesmo ritmo. Quatro a cinco vezes por semana eu não abro mão de fazer alguns abdominais. Quando acordo eu faço mais de 100 pedaladas movimentando as pernas no ar deitado na cama. Meus médicos aprovam.

Depois do que me ocorreu em Janeiro/2007 tive que parar com as corridinhas, apenas faço caminhadas quase todos os dias. Até ali eu jamais fora a um cardiologista, porém acabei ficando cliente de um, o nosso bom Dr. Ricardo Azevedo, aqui em Cabo Frio. Além dele sou cliente há quarenta anos, do Dr. Carlos de Faria, no Rio de Janeiro, grande homeopata.

O problema que me acometeu em 2007 teve a ver com hipertensão. Eu já tomava um medicamento recomendado pelo meu médico de homeopatia, todavia jamais sentira qualquer sinal, qualquer indício, como outras pessoas dizem sentir. Sou e sempre fui muito disciplinado no cuidar da saúde, entretanto aquilo me aconteceu justo numa fase bem difícil do meu viver. Foram mais de quatro anos em que eu permanecia a maior parte do tempo numa solidão sofrida e torturante.

Seguindo as recomendações dos meus dois médicos, hoje tenho um colesterol bem baixo para a idade, algo em torno de 117. Minha pressão vive sob controle talvez graças aos medicamentos que o cardiologista me passou. Minha pulsação, que eu controlo tanto na caminhada como em outras ocasiões (já virou um hábito, quase um cacoete), em repouso é comum estar pouco acima de 70 e algumas vezes perto de 60. Meu recorde em repouso é de 58 pulsações. Isto aos 77 anos.

Ao verificar o resultado do meu eletro-cardiograma que ele acabara de fazer, agora em Outubro de 2013, o Dr. Ricardo mais uma vez comemorou e me revelou algo que eu não conhecia. Disse que o coração retém parte do sangue e bombeia 53% para o nosso corpo. O meu, quando tive o “piripaco” em 2007, chegou a estar bombeando pouco mais de 30%.

A cada ano, com meu empenho nas caminhadas e medicamentos, ele foi alterando seu funcionamento para melhor. No ano passado ele já estava bombeando algo em torno de 51% e neste ano 52%, ou seja, voltando ao normal. Meus exames das artérias e outros que faço todo ano têm sido estimulantes. O escrever também me ajuda muito visto que me mantenho atuante. É importante não parar.

Então vamos tocando a vida e deixemos para Ele a decisão de um dia “carimbar o nosso passaporte”. Até lá procurarei viver, amar, ser amigo, ser produtivo. Só isso.


(25 de outubro/2013)
CooJornal nº 863



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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