01/11/2013
Ano 17 - Número 864


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

CARTA DE MEIA DESPEDIDA




 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Eu estava tentando começar a escrever este texto quando me lembrei deste pensamento que tenho colado no interior de uma das portas do armário que fica ao lado da mesa do computador, em Ipanema, Rio. Diz ele:

Langston Hughes: “Nunca largue mão de seus sonhos, pois se eles morrem a vida se torna como um pássaro de asa quebrada que não pode voar.”

Naquele momento lembrei que eu já estava com a tesoura na mão e pronto para cortar as asas deste meu sonho de porão, o de escrever. Parei e deixei minhas emoções se assentarem antes de tomar uma decisão que depois pudesse me abater e, quem sabe, me derrubar de um dos sentidos da vida que eu alimento desde jovem. Como seria, ou será minha vida daqui pra frente sem escrever?

Olhei para o teclado, comecei a digitar estas palavras, porém me senti sem rumo certo. A indecisão tomou conta de meus sentimentos, minha pulsação aumentou um pouco, a ansiedade sentou-se ao meu lado e quando ia me abraçar eu a recusei.

Recordei que faz algum tempo eu quase tomei a decisão de parar, ainda que temporariamente, e assim poder organizar melhor muito do que faço e me sobrar mais tempo para eu ler. Curioso é um aposentado como eu convencer alguém de que meu tempo anda exíguo e acaba por tornar um prazer em uma obrigação. Refiro-me à escrita.

Por favor, não pensem que estou desconversando para não falar sobre eventuais problemas de saúde. Garanto-lhes não ser isto, até porque não obstante meus 77 anos, minhas recentes visitas tanto ao meu médico homeopata há 40 anos, o Dr. Carlos de Faria, como ao meu cardiologista, O Dr. Ricardo Azevedo, foram por demais estimulantes.

Repito que está tudo bem com meu coração, sob controle, meu colesterol (117) etc e tal. Claro que nesta vida nunca estamos livres de alguma surpresa boa ou má, entretanto a se confirmarem os resultados de todos os meus exames anuais não tenho nada a recear por ora.

Ocorre que eu sempre fiz questão de escrever e de divulgar neste CooJornal da revista Rio Total, de Irene Serra, onde me encontro há quase treze anos sem faltar a algum compromisso, os meus textos semanais. Como sabem hoje já totalizo 931 textos divulgados deste Janeiro/2001 nesta internet.  

Eu digo “meia despedida” porque não poderia parar de escrever e deixar de levar até vocês meus textos, sejam sobre que assuntos forem. Só estou retirando de meus ombros uma responsabilidade que até aqui eu me impusera, até quando eu escrevia para vários sites literários simultaneamente. Só vou reduzir a marcha, digamos assim.

Minha intenção é divulgar meus escritos sem uma rotina de compromisso que eu mesmo criara. Para os que não sabem, desde quando comecei a escrever para o CooJornal assumi com Irene Serra a obrigação de enviar-lhe toda semana textos inéditos, nunca antes divulgados por qualquer meio, fosse onde fosse.

A verdade é que até agora ela nunca teve qualquer queixa de mim sobre isso. Esta boa amiga me incentivou a voltar a escrever, digamos publicamente, nesta web, já estando eu então com 64 anos de idade. Devo muito a Irene Serra e a Luis Guedes, pois sem eles minha história como pretenso escritor poderia ter sido outra.

Sem demagogia eles sabem que eu considero a revista RIO TOTAL a minha “casa virtual”. Digo isto após ter recebido de Irene uma longa mensagem tentando me desestimular de diminuir o meu ritmo de divulgação de crônicas. Ela foi por de mais gentil, amiga, leal como sempre, até “exagerando” nas palavras.

Permito-me registrar apenas este pequeno trecho do que recebi de Irene: “Amigo Francisco, se deixar de escrever não vai ficar só de asa quebrada. Vai minguar, perder todo estímulo e tesão pela vida. Sonhos construímos e os realizamos de acordo com nossa capacidade. Você foi capaz, construiu seu nome de escritor, assim como de radialista e fotógrafo. Agora, continue mostrando sua força! Continue escrevendo! Leve as pessoas a compartilharem de seu sonho.”

Em princípio realmente eu tentava me afastar da divulgação por um bom tempo, todavia repensei o assunto e não quis, de forma alguma, decepcionar ainda mais a amiga Irene. Por isso eu concluí então pela “meia despedida”. Significa que mantenho o meu espaço no CooJornal, mas divulgo vez ou outra algum texto recente sem a obrigação de qualquer ritmo, entendem?

Havendo algum assunto palpitante que mereça minha atenção e que eu deseje opinar sobre o mesmo posso até divulgá-lo direto na web desde que esteja longe a data da nova edição do Rio Total e o tema exija um comentário imediato. Claro que na medida do possível darei sempre preferência para postar meus textos no CooJornal.

Não é um adeus, de forma alguma, mas um até logo, em relação ao CooJornal, todavia estarei aqui no computador todos os dias ou quase todos os dias escrevendo para quem se comunicar comigo, e eu espero que não deixem de fazê-lo. Precisarei sim desses contatos, por favor, e sem fazer média eu peço, não esqueçam o velho amigo.

Continuarei repassando textos excelentes como os da amiga Marli Gonçalves, pois sei que ela continuará enviando-os a mim. Minhas imensas desculpas à Irene Serra e ao Luis Guedes, mais uma vez, e a certeza de que eles moram de graça no meu coração. Obrigado por tudo, gente boa. Tchau.

 
(01 de novembro/2013)
CooJornal nº 864



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com

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