10/02/2014
Ano 17 - Número 879


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

JILÓ




 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Você conhece o jiló? Já viu algum? Já provou ou já comeu um jiló? Achou doce ou amargo? Se você respondeu doce das duas uma, ou você anda com seu sentido de paladar “desregulado” ou lhe enganaram e não era jiló.

Há quem deteste o dito cujo, mas há quem o adore. Parece uma relação de amor e ódio de alguns seres humanos com o simpático jiló, este fruto do jiloeiro. Mas também o classificam como erva.

No dicionário Aurélio, que eu uso, além do Houaiss, está dito assim sobre o bravo jiló: “Erva anual, da família das solanáceas (Solanum gilo), de origem duvidosa, talvez africana, e muito cultivada no Brasil, de folhas oblongas e agudas, flores alvas e racemosas, com estames porosos, e cujos frutos, bagas vermelhas, comestíveis, têm acentuado sabor amargo.”

Bem, por aqui devemos entender que erva é o jiloeiro, ou a árvore do jiló, já o dito cujo em questão seria mesmo fruto. Curiosamente na sua origem ele é escrito com “g”, perceberam ali em cima?

O fato é que Marlene também experimentou plantar sementes do que poderia vir a ser depois um jiloeiro. Poderia não, a árvore acabou vingando e nos surpreendendo visto que jamais víramos o jiló pendurado num exuberante jiloeiro.

Quando vi pela primeira vez aquelas coisas vermelhas, simpáticas, crescendo em mais uma das plantações de Lena nem imaginei o que seria. Perguntei a ela se era alguma fruta ou legume e ela sorriu. Quanta ignorância minha, meus amigos.

Confesso que já comi jiló, mas não morro de amores por ele não. Eu o acho simpático na árvore, porém no prato, se possível eu o evito atualmente. Nada pessoal, apenas uma questão de agressão ao meu paladar.

Os amigos e amigas mais vividos devem se lembrar do grande sucesso que fez aquele forró composto pelo saudoso mestre Luiz Gonzaga. Os mais novos, ou mais jovens, nem sequer devem conhecer o ritmo do forró, exceto os que vivem no nordeste, claro.

Sobre isso eu lhes afirmo que Luiz Gonzaga foi e é consagrado tanto por aqui como na Europa por vários sucessos, mas especialmente por aquela maravilhosa página musical que carrega em sua letra um belo poema. Refiro-me a “Asa Branca”.

Viajando em terras européias quando lá morei por quatro longos períodos eu ouvi essa canção até num comboio TGV (Trem de Grande Velocidade) francês e de dois andares.

Igualmente em Paris numa imensa e maravilhosa loja de discos conhecida em toda a Europa, a “Virgin” (a matriz é em Londres) eu encontrei muitos CDs com músicas do consagrado Gonzagão. Imaginem que até discos de Amelinha (quem se lembra dela?!) eu vi lá expostos à venda. E aqui? Ah país sem memória!

Mas como o nosso assunto nesse texto é o jiló vamos encerrar então com esta letra de outra canção de sucesso do saudoso Luiz Gonzaga. Quem for da antiga e disser que não a conhece precisa urgentemente procurar um médico para avaliar o estado de sua memória, pois.

E salve o nosso brasileirísimo jiló.



Luiz Gonzaga
QUI NEM JILÓ
Se a gente lembra só por lembrar

O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer
que é feliz sem saber
Pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade intonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer
Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga que nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar
Saudade, o meu remédio é cantar.

Francisco Simões. (Maio / 2012)

 

 
(10 de fevereiro/2014)
CooJornal nº 879



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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