25/02/2014
Ano 17 - Número 881


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

DESORDEM SEM PROGRESSO




 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Eu não tenho me pronunciado ultimamente sobre a triste e catastrófica realidade em que estamos todos inseridos porque tenho lido pessoas do maior gabarito, gente que respeito muito, comentar constantemente a desordem que se alastra por este país que parece navegar à deriva de alguma ordem ou progresso.

Hoje, entretanto, decidi abrir meu coração que vem sofrendo e muito com tudo de ruim que eu vejo que eu ouço que acontece em nossas ruas a cada dia, a cada semana, a cada mês. Estamos naufragando numa falsa democracia que tenta se impor espalhando um mar de corrupção, desorganização, desmandos, de um poder que desavergonhado, petulante, insolente aponta seus dedos para quem discorda de suas manobras políticas acusando qualquer tipo de oposição.

Por outro lado não vejo nenhuma oposição verdadeira, atuante, confiável, não comprometida, na qual nossa gente pudesse se apoiar para tentar mudar este estado de coisas. Alguns que se apresentam hoje como opositores ao regime já estiveram no poder e sabemos muito bem do que são capazes. Haja vista as denúncias e processos que estão em curso contra esses a que me refiro aqui.

Outros tentam manipular a opinião pública, querendo se passar por pessoas de moral inatacável, mas que até outro dia apoiavam o poder que aí está e que condenamos veementemente, buscam caminhos e alianças que os ajudem a se aproximar do poder e quem sabe tomá-lo com um discurso que a mim não agrada.

A partir daí não vislumbro pessoas em quem eu pudesse confiar e recomendar o voto de quem quer que fosse. Afinal não sou de fazer oposição só por oposição, de forma alguma.

Encontro-me sem convicção de uma mudança verdadeira, autêntica, necessária, mas comprometida com a seriedade, com o progresso real e não o pregado em discursos políticos que não ultrapassam a barreira de simples promessas, como sempre. Disto estou cansado, decepcionado, me sentindo ultrajado como cidadão, envergonhado como brasileiro e desanimado na reta final da vida.

Não esqueçamos, entretanto que o esquema montado por aqueles que detêm o poder em suas mãos há mais de uma década, que vai resistindo a tantos escândalos, com lideranças envolvidas em negociatas de várias ordens que estão a gerar até prisões, têm conseguido com projetos meramente populistas ganhar votos e mais votos de cabeças que não pensam, apenas querem vantagens por menores que sejam.

Mas não pensem que apenas o chamado povão usa deste artifício na hora de votar, de forma alguma. É muito injusto se afirmar tal coisa. Em nível de empresariado há pessoas comprometidas com o atual poder e que preferem continuar a dar seu apoio ao que aí está do que jogar com mudanças que podem não lhes ser favoráveis no futuro. Quem lê as notícias, inclusive nas entrelinhas, sabe disso.

Os que ainda têm independência de pensamento e de opinião lamentavelmente estão “no mato sem cachorro”. Reafirmo que não vejo ninguém daqueles que já se anunciam como prováveis candidatos ao poder maior deste país reunindo condições para merecer a nossa confiança, o nosso voto.

Todos eles procuram sempre alianças e estas levam naturalmente a compromissos, conchavos que serão cobrados após uma eventual vitória daquele grupo. Tem sido assim e não será diferente agora e talvez nunca. Quando o PSDB esteve no poder maior sua aliança mais forte foi com o PFL, atual DEM, que mereceu favores como cargos de Ministros e outros. É sempre assim, ou estou mentindo?

Já com o PT no poder seu aliado mais forte sabemos que é o PMDB. Este, entretanto desfez recentemente laços com os petistas em Estados como o Rio de Janeiro. O PT decidiu lançar candidato próprio ao Governo do Estado entrando em choque com os peemedebistas. Se pesquisarem nos demais Estados verão que há alianças entre partidos que vocês jamais poderiam supor que um dia aconteceriam. Os interesses políticos estão sempre acima do Estado, acima do País.

Alguns me perguntariam como já ocorreu outras vezes: então o que fazer? Ora bolas vocês sabem muito bem que atitude tomar, falta é coragem ou talvez o admitir que votar sim, mas não em nomes e sim em opções que todos conhecem, porém me criticam quando as indico. Isto tem sido feito em outros países, mas sei que por aqui jamais vingará. Pois então que ninguém se queixe após as eleições.

Encerro pedindo vênia para a boa amiga escritora e poeta Cleide Canton e também para a amiga jornalista de S. Paulo, a Marli Gonçalves, para eu usar aqui o que elas citaram nos seus textos, algo atribuído ao jornalista Wilson Weigl e que expressa corretamente os meus sentimentos também:

“Pra mim já deu! Não aguento mais ouvir falar de: manifestação, protesto, caos, crise, crime, Black Blocs, arrastão, rolezinho, roubo, assalto, polícia, tráfico, metrô, faixa de ônibus, tarifa de ônibus, apagão, racionamento, favela, comunidade, UPP, crack, cracolândia, máscara, médicos cubanos, Ramona, Mais Médicos, Bolsa Família, Cuba, porto cubano, eleição, Copa, imagina na Copa, Pizzolato, Pedrinhas, Pampulha, Maranhão, PT, PSDB, Dilma, Lula, Alckmin, Haddad, Padilha, Cardozo, Sarney etc etc etc. #cumbicajá.”
 

 
(25 de fevereiro/2014)
CooJornal nº 881



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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