25/03/2014
Ano 18 - Número 885


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões

 

BRASIL, TUA MÁSCARA JÁ CAIU


 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Vivemos atualmente numa realidade a cada dia mais cruel, mais injusta, mais desigual, onde prevalece a violência, a indiferença a semelhantes em situações as mais variadas, ou seja, é o “cada um por si” ou também “meu pirão primeiro” como dizia minha avó.

Um país onde muitas vezes quem manda é a força, a prepotência, onde a justiça de há muito deixou de ser “cega” e pouco se importa com as mais severas criticas porque afinal o que vem de baixo certamente não a atinge. Poucos que a defendem ainda prezam a faculdade, o dever de julgar segundo o direito e melhor consciência sendo sempre imparciais sem se deixar envolver por sentimentos extra toga que algumas vezes falam mais alto que a própria justiça.

Uma nação onde quem governa são interesses inconfessáveis cinicamente justificados por sorrisos masturbados, já de há muito tempo, onde a bandidagem é chamada pelas autoridades de “crime organizado” e a polícia tem que conviver em suas entranhas com o dever e o desejo de servir, de defender a população desamparada por políticos que dela somente se lembram quando se aproximam as eleições e ainda tolerar ou punir as fardas que agem também fora-da-lei.

Um país no qual tantos corruptos não apenas são chamados de “doutores” como têm ao seu lado permanentemente uma equipe de defensores legais, hábeis em descobrir e usar as tais “brechas da lei” ou prolongar processos com artifícios que as próprias leis facilitam, pois muitos dos que as redigem um dia foram de alguma forma incriminados e/ou receiam sê-lo futuramente.

Uma nação na qual a honestidade hoje é vista como certa deformação de caráter e ser experto, ardiloso, maquiavélico, talvez corrupto mesmo, é que coloca o cidadão em posição de destaque numa sociedade em boa parte podre, pervertida, sem princípios morais, porém mentindo sempre que lhe convém e usando a impostura, a fraude e afins como verdade quando lhe é útil ou proveitoso.

Um país no qual hoje se manipula quase tudo desde estatísticas, mesmo oficiais, a consciências que costumam estar permanentemente à venda sabendo que a impunidade vem do poder e este é quem tem decretado a extensão e a força da corrupção nos mais variados níveis.

Um povo que se diz não preconceituoso, mas que vive a dar maus exemplos não só nos casos de homo sexualidade, como na violência contra mulheres quando a tal Lei Maria da Penha tem sido muitas vezes ignorada em delegacias, gente que agride e até mata pelo preconceito da cor da pele, da raça, ou que chega ao extremo de agredir e atear fogo em mendigos. Isto vem se repetindo perigosa, continuada e impunemente.

Um cenário político no qual o que vislumbramos como eventual oposição ou não tem força nem qualificações para tentar impor propostas, apenas discursos surrados como todos o fazem, ou os Partidos que podem tentar novamente um poder que eles já dominaram e cuja herança se teve alguns méritos deixou também um rastro de denúncias que não os credencia tanto para nova experiência.

Talvez até por falta de opção e desejosos de votar muitos certamente embarcarão novamente nesta canoa furada alegando não ver uma “escolha melhor”. Que seja, mas não contem comigo.

Uma pessoa amiga comentando meu texto DESORDEM SEM PROGRESSO me escreveu dizendo: “Concordo completamente com vc. Mas o que fazer? Simplesmente deixar que esta turma se perpetue no poder? Mesmo sabendo das opções penso que só resta fortalecer o que se diz oposição. (seja QUEM FOR).ESPERANÇA? NÃO.APENAS TER A CONSCIÊNCIA QUE TENTAMOS EVITAR A CONTINUIDADE DO CAOS.”

Desculpe amiga, porém o que você diz nada mais é do que fazer oposição apenas por oposição e com isto eu também não concordo. De repente trocamos somente o péssimo pelo menos ruim, se é que será assim mesmo. E aí? Quando você afirma “fortalecer oposição seja com quem for”, eu mais me desiludo de virmos a ter uma mudança verdadeira, autêntica, pois nesta decisão estamos é fazendo um jogo e quem sabe para chorar depois novamente. Perdoe, não vejo convicção no seu voto.

As alianças que já começam a ser costuradas pelo país afora tendo como mira algumas das muitas governanças que estarão em disputa me dão arrepio, se é que ainda me impressiono ou me assusto com a súcia de políticos deste país. Ideário político é algo que hoje pintam com palavras mentirosas em discursos nos palanques, porém já morreu nas consciências de cada candidato há muito tempo.

Os senhores e as senhoras que me lêem sabem que a maioria expressiva dos deputados federais se fez ausente à maior parte das sessões da Câmara no ano passado? Não deve ser novidade. Vários certamente receberam os votos de tantos que me estão a ler porque confiaram neles. Pois é. Acreditem que o único a comparecer a todas as sessões da Câmara Federal foi... o Tiririca... para quê?

E neste país de fantasia, mentiras, histórias da carochinha, onde ainda se troca favores por votos, aonde a corrupção vai se tornando cada vez mais endêmica, nosso povo hoje nem sequer sabe se manifestar nas ruas como o fez no passado e quando o faz, sem terem lideranças bem definidas, muitos apelam para baderna, desordem, agressões e até matam. Esta covardia se esconde atrás de máscaras.

Por trás disto logo surgem advogados interessados em defendê-los. E vai seguindo a violência que acaba justificada em muitos casos pela maioridade penal não modificada no Congresso ou pelo poder de quem paga para driblar nossas leis repletas de brechas a favorecer impunidades.

Um país que segue “patinando” em incertezas, ilusões, numa democracia com sintomas autocráticos visíveis e mal disfarçados, que despende bilhões para efetivar um capricho objetivando frutos eleitorais visíveis enquanto relega a um plano inferior a saúde e a educação de seu povo, este que por seu turno parece mesmo adormecer em “berço esplêndido”, iludido, hipnotizado com programas populistas fingindo ser feliz sem encarar com seriedade o seu futuro.

No quadro político atual, amigos e amigas, sinceramente não vejo qualquer oposição confiável e que possa nos pôr nos trilhos de um desenvolvimento que passe primeiramente pela nossa gente, pelo nosso povo visto que sem este não haverá país, não haverá nação desenvolvida, nunca, jamais.

Então fazer o quê? Esperar o quê? Não me pergunte, pois conhece a minha resposta. A mim compete terminar este texto como o comecei, afirmando: “Brasil, tua máscara já caiu.”

 
(25 de março/2014)
CooJornal nº 885



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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