25/05/2014
Ano 18 - Número 893


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

Francisco Simões

 

VOU FALAR SOBRE O QUÊ?


 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Sempre gostei de escrever e comecei cedo, ainda aos 16 para 17 anos, escrevendo e lendo no rádio paraense textos que eu redigia na velha máquina de escrever de meu saudoso pai português, um amante da literatura e de música clássica. Era uma pessoa simples, um contador ou como se dizia então, um guarda livros.

Não sou nem nunca me considerei algum intelectual, isso não, não tenho qualificações para tanto. Deixo este rótulo para os que o merecem e gostam de ostentá-lo. Já produzi muitas poesias, versejei bastante sim, ganhei bons prêmios também, mas sempre dentro do meu pequeno espaço não na amplitude dos verdadeiros poetas, o que não me considero. Podem ver as premiações no meu site pessoal em www.francisco-simoes.com 

Quando escrevo não me preocupo com o que vão dizer, todavia gosto de conhecer a opinião de quem dá parte do seu tempo a ler meus textos. Disso eu gosto e me orgulho de ter uma Pasta de Comentários de leitores hoje chegando aos 6.000. Uma vez ou outra gosto de relembrar o que este ou aquele disse do que escrevi. Considero a opinião do leitor um aprendizado, sempre a respeito.

Algumas vezes fui buscar inspiração para escrever justo no que alguém dissera ao comentar algum texto meu. Sempre há quem ao analisar o que eu escrevi acabe por me contar alguma situação que vive ou viveu e não raras vezes transformei sua história numa narrativa que me agradou escrever. Sempre peço autorização ao autor/ora do comentário quando faço isto.

Hoje confesso que estou, como se diz, meio pra baixo. Não importam os motivos, as razões, e isto me leva à situação de quase dizer que estou “sem assunto”. É claro que assunto não me falta, talvez disposição para escrever, hoje, sim. Chego a me indagar o que se passa comigo neste instante.

Claro que eu sei, posso disfarçar para quem me lê, mas a mim não engano, ninguém se engana em circunstâncias idênticas. A vida é assim mesmo, temos altos e baixos. Momentos que nos lançam numa felicidade que torcemos para que nunca acabe, mas tudo nesta vida tem sempre um fim.

O que mais costuma nos jogar num sofrimento inesperado são justamente os saltos a que nossa emoção está sujeita. Parece que ficamos à mercê de sentimentos que nem sempre controlamos, não costuma depender de nossa vontade. Se a vida nos permitisse é claro que procuraríamos ser sempre felizes, porém navegar em felicidade é mais ou menos como nascer e morrer, um dia tudo acaba.

Este pensamento me faz recordar minha crônica “O Sentido da Vida” que escrevi no primeiro semestre de 2003. A diferença é que ali eu não tinha ilusão, eu não tinha esperança embora necessitasse dar a impressão de que esta existia. Eu não podia passar um sentimento de desilusão se bem próximo a mim outro coração continuava a pulsar em ritmo de esperança. Nem sei como escrevi aquele texto.

Pois é, eu que comecei a escrever sem saber do que ia falar de repente me pego divagando. Já que cheguei até aqui vou “caminhar” mais um pouco em meus pensamentos. Há algum tempo atrás estive para parar de escrever, porém senti que poderia ser ainda pior para mim. No fundo soaria como uma derrota de quem aos 77 anos tem como um de seus maiores prazeres justo escrever.

Não me importa o que digam o que pensem o que falem (homenagem com muita saudade ao inesquecível Jair Rodrigues) aqueles que eventualmente não apreciem meus escritos. Eu sei que os há e é muito natural isto. Igualmente esses merecem meu respeito possa eu concordar ou não com esta ou aquela crítica. Faz parte.

Por outro lado tenho consciência de que a partir do dia que eu me for deste plano de vida tudo que eu fiz tudo que produzi meus textos, poesias, fotografias, filmes em curta metragem etc, desde jovem e por tantas décadas este acervo de razoável tamanho certamente morrerá comigo. Não me iludo.

Raramente alguém irá se lembrar de que eu existi, de que não fui apenas bancário, professor, coordenador de cursos, de que eu soube fazer muitas amizades, mas talvez não tenha conseguido mantê-las todas como eu gostaria. Não importa, bastam-me os amigos e amigas sempre fiéis que ainda tenho, e não são poucos.

Serei sempre grato por quem esteve ao meu lado quando mais precisei de ajuda, de companhia, e de alguma forma acabou desenhando sentido para a continuação do meu viver. Obrigado de coração.

Enfim acabei achando sobre o que falar. Se também funcionou como uma espécie de desabafo é porque eu não tenho vergonha de me desnudar, de expor meus sentimentos. Eu sou assim, sempre sincero, verdadeiro, leal, jamais trairia uma amizade. Este sou eu.


(25 de maio/2014)
CooJornal nº 893



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com

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