10/06/2014
Ano 18 - Número 895


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

Francisco Simões

 

EU NÃO AGÜENTO


 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Todo ano que tem eleição, seja para o que for, chega um ponto em que eu não agüento mais tanta propaganda, denúncias, acusações, xingações, e é o tipo de spam que passa por qualquer programa contra eles.

Este ano então a coisa ficou pesada por demais. Além de já terem começado os ataques a este, aquele ou aquela candidata à Presidência ou a Governador de Estado, por ser aposentado do Banco do Brasil eu ainda tive que suportar a carga das propagandas, muitas com acusações, denúncias, um nível nunca antes visto em eleições para a nossa PREVI.

Durante semanas todo dia eu recebi mensagens falando das “qualidades” desta ou daquela chapa, algumas carregando também em denúncias e acusações que mais parecia que no caso da nossa PREVI estavam concorrendo a cargos eletivos nos quais ganharão salários que possam eventualmente “justificar” tanto interesse, tanta disputa, tanto empenho, tantas agressões.

Antigamente não era assim e não era mesmo. As coisas devem ter mudado e muito e para pior, assim eu vejo. Que me desculpem os que discordarem, mas é a minha opinião diante do cenário que se me apresentava diariamente nesta telinha. Mesmo eu tendo votado logo no primeiro dia, ou 16/Maio, o “bombardeio” continuou até o último dia das eleições.

Para duas chapas eu resolvi escrever dizendo já ter votado e que o fizera democraticamente e usava do direito de não abrir meu voto a ninguém. Não houve jeito, só os de uma chapa me escreveram pedindo que eu então adotasse determinado procedimento para não receber mais as propagandas daquela chapa. É mole? Até por telefone houve uma candidata que me “atacou”. Barbaridade.

Enfim as eleições de lá já terminaram e agora me resta buscar paciência numa reserva especial para continuar agüentando o que continuarei a receber sobre as eleições, especialmente a presidencial.

Tenho amigos que me enviam matérias sérias, artigos, crônicas tiradas diretamente deste ou daquele jornal ou revista. Nada inventado ou falseado. Estes eu leio embora nem sempre emita opinião. Afinal neste tipo de noticiário muitas das vezes nos informamos sobre algo importante que ainda não tivéramos conhecimento. É importante lermos.

Eventualmente eu também escrevo sobre política, mas confesso que não me faz bem. É um assunto sobre o qual embora devamos ter certo interesse, visto que numa democracia ela é necessária, já que o oposto não me agrada nem um pouco, pois seria um regime de exceção, ou ditadura. Infelizmente hoje em dia vivemos uma realidade em política que desanima o mais democrata dos cidadãos.

Acrescentem-se as investidas por telefone com mensagens previamente gravadas. Vez ou outra elas ocorrem. Quando atendo ao telefone e percebo do que se trata, algumas vezes até com a voz de determinados candidatos ao governo do Rio de Janeiro, logo desligo. Creio que isto não é permitido, mas qual deles respeita leis vigentes neste nosso país, amigos e amigas? E some-se a carga imensa de propaganda eleitoral pela TV, agora acontecendo diariamente além das quintas.

Desagrada-me, chegando algumas vezes a me irritar, são as mensagens “trabalhadas” com letras de vários tamanhos, diversas cores, parecendo mais carros alegóricos que não merecem de mim nenhuma atenção. Estas, que infelizmente vão sendo a maioria a navegar nesta internet com a aproximação das eleições. Alguns têm o trabalho de elaborar aquelas coisas de profundo mau gosto, que em nada contribuem a defender candidatos sejam de oposição ou da situação. Quanta falta de imaginação.

Só podem gostar e mesmo aplaudir aquele tipo de “mensagens” quem seja tão vulgar como os criadores de tais coisas horrorosas. A mim pouco se me dá se elas vêm defendendo políticos de oposição ou da situação, eu as apago de imediato lamentando que tanta gente perca tempo a produzir bestices daquele jaez.

Há os que me enviam em caráter pessoal ou por lista piadas bem boladas caricaturas bem feitas satirizando candidatos e/ou partidos. Isto eu acho bom, eventualmente até repasso a amigos mais chegados. Nada repasso quando trazem palavras chulas, denúncias sem provas, ou coisas semelhantes.

Se alguns acham que para vencer o governo, para derrubar o que aí está vale tudo, vale qualquer coisa desculpem, mas eu não penso assim. Afinal não podemos cobrar ética, seriedade, honestidade dos outros e nos comportarmos sem qualquer decoro. Não faz sentido. Infelizmente o que tenho visto a se rotular de “oposição” não me estimula também nem um pouco a votar neles.

Eu afirmo que não vislumbro a possibilidade de ocorrerem grandes e necessárias mudanças na política de nosso país, ganhe quem ganhar, muito pelo contrário. Os discursos são muito parecidos e a verdade é que nessa fase pré- eleitoral os candidatos aparecem sempre sorrindo e jurando que se ganharem vão dar prioridade para a Educação, para a Saúde e o Transporte. É sempre a mesma lenga-lenga, a mesma cantilena.

Já ouvi isto tantas vezes e nada foi concretizado que me considero um descrente geral nessas pessoas que entram para a política muito mais pensando em se fazer do que arrumar o país que irão governar. Não tenho fé em nenhum candidato ou candidata. Prefiro seguir a expressão latina: “Alea jacta est” e quem quiser que vote.

Em verdade, em verdade vos digo, eu não agüento mais.



(10 de junho/2014)
CooJornal nº 895



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com

Direitos Reservados