25/07/2014
Ano 18 - Número 901


 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões

 

SER OU NÃO SER VERGONHA


 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Pois é, tomamos da Alemanha, a nova campeã de mundo, uma goleada daquelas históricas. Não foi a única, até de 10x1 já aconteceram goleadas em outras Copas, além de 7x0, 6x0, etc. Nesta Copa mesmo houve 4x0, duas vezes, 5x1 (da Holanda na Espanha) etc. Claro que não pretendo justificar os 7x1 que tomamos da Alemanha. Digamos que foi um acidente de percurso. Ficamos mais envergonhados ou mais tristes?

Em 2002 eles até chegaram à final justamente contra o Brasil. Naquele Mundial nós os vencemos por 2x0, dominando amplamente o jogo, e vencendo com dois gols do Ronaldo, o tal “fenômeno”. O técnico era o mesmo Scolari agora escorraçado.

Os alemães insistiram no seu trabalho de base que vem sendo feito há mais de 10 anos, reformulando idéias, infra-estrutura, tudo, pois visavam voltar a vencer o que não vinha acontecendo nem nas Taças Européias. Aos poucos e com muito denodo os alemães conseguiram impor uma nova forma de jogar embora com um estilo inconfundível que não muda nunca, nem quando eles estão perdendo.

Se na Copa de 2002 eles perderam para nós, nas seguintes, as de 2006 e de 2010, a Alemanha chegou ao terceiro lugar em ambas as Copas. Para eles ser terceiro já lhes dava muito orgulho, não vergonha, significava um trabalho que vinha apresentando bons resultados.

Quero dizer que o trabalho de base feito para levar sua seleção novamente a um título Mundial, não parou e nem eles ficaram a trocar de técnico a cada eventual fracasso por causa disso, como ocorre aqui no Brasil. Não temos planejamento.

No Brasil qualquer reformulação séria para apresentar frutos tem que começar pela CBF. Não é novidade para ninguém que na CBF existe, e há muito tempo, uma casta e eles vão se sucedendo sem que nenhum deles queira prejudicar, denunciar seu antecessor por isto e aquilo. O sucessor é como um “herdeiro de trono”. Isto vem mesmo de muito, muito longe, amigos e amigas. A CBF teria que ser investigada inclusive por muitas denúncias que surgem constantemente e assim fazermos uma “faxina geral” para podermos ter alguma esperança de que algo mudaria a sério no futebol brasileiro. Mas quando?

Agora pulando de um extremo a outro, sem querer de forma alguma minimizar a tal vergonha da nossa seleção nos jogos finais desta Copa das Copas, gostaria de fazer rápidas colocações para saber o que mais nos envergonharia. É verdade, saibam que há vergonhas e vergonhas na história já de vinte Copas do Mundo.

Sinceramente eu resumiria aqui, antes de argumentar, que prefiro perder duas Copas em casa, ainda que com a “sapatada” que nos aplicou a campeã Alemanha, e aquele inesperado gol do pequeno Gighia na Copa de 1950, do que vencer em casa com escandalosas ajudas de arbitragens como aconteceu com algumas seleções. Algumas que são hoje cantadas e decantadas, mas já aplicaram golpes sujos, vergonhosos, sim senhor, e nada aconteceu, pelo contrário. Muitos sabem, mas eles preferem ignorar, outros não eram talvez nascidos, então vamos lembrar.

A primeira das Copas aconteceu no Uruguai e muitas das seleções européias não compareceram. Havia na Europa um clima de ditaduras em alguns países e iam a caminho da guerra que acabou por acontecer depois. O Uruguai foi campeão com justiça, não teve culpa das ausências.

Em 1934 ocorreu a segunda Copa, na Itália, a Itália de Mussolini, amigo de Hitler. Naquele clima o resultado não podia ser outro e os campeões foram os italianos. O Uruguai não compareceu em represália às ausências dos europeus na Copa de 1930. Em 1938 houve a última Copa pouco antes da Grande Guerra Mundial. A Espanha com problemas de guerra civil não compareceu. Os italianos repetiram a façanha e foram bi campeões. O Brasil ficou em terceiro.

Aqui dou um salto para mergulhar nas pequenas e grandes vergonhas de alguns Mundiais. Em 1954, na Suíça, a Europa sediava uma Copa após 16 anos. A grande favorita era a Hungria de Puskas e Cia. Brilharam ganhando todos os jogos, mas na final eles venciam os alemães por 1x0 quando sofreram dois gols. Aconteceu que o grande artilheiro Puskas, da Hungria, voltou a marcar, todavia o árbitro anulou seu gol legítimo dando assim a vitória aos alemães. Talvez a primeira das grandes injustiças e/ou vergonhas das Copas.

Saltemos para a Copa de 1986 realizada na Argentina. Maradona fez um gol com a mão direita, nunca negou isso e até se vangloriou do que fez em programas que eu vi na TV. O gol foi contra a Inglaterra. Naquela Copa o Brasil deixou de chegar às finais graças a uma manobra vergonhosa, imoral e antidesportiva dos argentinos. Eles pagaram aos peruanos, já sem chance, para deixarem que fizessem pelo menos 4x0, acabaram fazendo 6x0. Assim eles foram às finais e venceram a Holanda num jogo muito disputado e cheio de denúncias contra a arbitragem.

Alguns jogadores peruanos anos depois já aposentados confessaram publicamente e chegaram a pedir desculpas aos brasileiros. Isto eu também vi e ouvi na época. Muita gente vai dizer que “não se lembra”! Tudo bem. Isto é muito, mas muito mais vergonhoso e imoral que o resultado de uma partida, por mais que este nos deprecie pelo placar final, no caso os 7x1 contra os alemães este ano. Ou não é?

Em 1966 na Copa da Inglaterra esta foi flagrantemente favorecida pela arbitragem em alguns jogos. Os árbitros foram complacentes com a violência. A mais vergonhosa e imoral das decisões de um árbitro foi na partida final contra os alemães. O jogo foi para a prorrogação e a Inglaterra teve um gol confirmado com uma bola que flagrantemente não entrou. Isto está provado em imagens até hoje. O autor do gol ilegal foi Hurst. Vergonha, imoralidade, porém acaba caindo no esquecimento de todos, mas a história confirma para sempre.

Na Copa de 1998, realizada na França, único título dos franceses até hoje, novamente o Brasil era o favorito. Nem franceses com quem eu conversei em Lyon acreditavam em sua seleção. Charges em jornais de lá mostravam certo desinteresse pela decisão. Eu estava na França.

De repente na concentração aconteceu aquele estranho episódio com o Ronaldo. Ele teria sofrido uma “convulsão” repentina sem mais nem menos. Esta foi a versão oficial na qual eu jamais acreditei. Ele foi levado a um hospital em Paris e lá disseram que nada havia de anormal com Ronaldo!!

Zagalo já escalara o Edmundo, todavia o Ronaldo teria pedido para jogar no retorno do hospital. Apesar disso Ronaldo parecia grogue. Visivelmente não estava bem. Como se justifica então que um homem sério e responsável como Zagalo tenha acreditado quando Ronaldo disse que podia jogar se nem quase em pé ele conseguia ficar? Como acreditar que não houve “outras influências” extra campo que talvez tenham obrigado Zagalo a voltar atrás na decisão de barrá-lo? E o médico da seleção, como teria dado condições ao Ronaldo diante do seu estado?

Quem o viu avançar pelo gramado cambaleante, sério, abatido, não podia crer que Ronaldo estivesse em condições de jogar. Algo não revelado ocorreu. Não é querer fantasiar, nada disso, mas não me venham também com estórias da carochinha, pois conversei com um jornalista brasileiro em Paris, dois dias após o jogo, e ele se mostrou inseguro e saiu pela tangente. Ele ainda está na ativa inclusive numa emissora de televisão. Revelo o nome a quem o desejar.

O ânimo dos demais jogadores de nossa seleção era zero. Pareciam obrigados a aceitar aquela situação sem mais comentários. Quem sabe era a vez da França ganhar seu primeiro e único título até hoje?! A FIFA jamais vai confirmar isto. Tenho esperança de que, assim como fizeram os peruanos, um dia alguém se encha de brio e revele o que verdadeiramente aconteceu naquela noite em Paris.

Honestamente eu prefiro não ganhar títulos em casa que vencer, conforme os exemplos acima, com recursos desonestos, imorais, antiesportivos, mas cada um tem o direito de pensar diferente. Só não me venham depois defender a ética, pô.

Quem quiser conhecer em todos os detalhes as Copas do Mundo desde 1930 até 2002 entre por este link e procure o que quiser. Lá tem tudo sobre cada uma daquelas Copas:
http://esportes.terra.com.br/futebol/copa2006/interna/0,,OI691412-EI5490,00.html


(25 de julho/2014)
CooJornal nº 901



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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