15/11/2014
Ano 18 - Número 915


ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões

 

OH VIDA, OH CÉUS
 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

 
Quem dizia sempre esta pequena frase era o personagem de um desenho animado. Nem sei se ainda existe. Sobre o texto que escreverei agora alguns ao lerem vão julgar tratar-se de uma peça de ficção. Podem estar certos, talvez sim talvez não.

Outros ao lerem talvez interpretem como a descrição de uma realidade sofrida, muito doída e quem sabe martirizante ao extremo. Estes por já terem passado situações semelhantes talvez estejam com a razão, mas talvez não. Eu nada afirmo nem nego.

O fato é que ninguém vive uma felicidade eterna, isto não existe. Você pode ser ou estar feliz por um período muito longo, tendo um relacionamento que lhe passa paz de espírito, tranquilidade, enfim uma vida que parece compensar tudo. Parece sim.

É verdade também que nunca se sabe o que o futuro nos reserva. Se de repente o mar de rosas se transforma num tsunami que arrasta para longe o que antes era felicidade não adianta você ficar imaginando que foi castigo de Deus, ou azar, ou sei lá mais o que. Pare, reflita e procure encarar, se for o caso, sua nova realidade.

Vai ser muito difícil, eu sei, e o grande perigo é você enfraquecer seu equilíbrio emocional e se deixar levar por uma depressão da qual muitos não conseguem sair. Neste caso você estará passando do céu para o inferno, como dizem muitos. Pode ser uma situação sem volta.

Conheci pessoas, alguns bons amigos, que passaram da felicidade maior para uma solidão que parecia interminável. Eles não mereciam aquele castigo da vida, ou do destino. Alguns se entregaram outros resistiram heroicamente até o último de seus dias.

Se não podiam mais contar com a felicidade que durou décadas de existência por outro lado, por sua formação muitas vezes espiritual, encontraram forças para seguir em frente e até socorrer alguns amigos ou amigas. Eu conheci pessoas assim. Afinal de contas também eu me conheço. Ninguém está livre dessas oscilações de um viver longo.

Uma das saídas, quando nós a encontramos, é agarrar-se a uma "tábua de salvação". Por várias razões podemos ver na nova situação uma realidade, não que ela nos devolva a felicidade que nós perdemos, isso não acontecerá, porém mergulhamos nela com a esperança de não terminarmos nossos dias sozinho, ou sozinha.

De qualquer forma o que encararemos pela frente será um rosário de incertezas. Se nós queremos apostar naquilo que vislumbramos ser uma amizade leal sincera e verdadeira, deixamos muitas vezes de lado em nosso julgamento algo como amor, tolerância, fraternidade etc.

Pior é com a idade avançando você ter que suportar os altos e baixos da roda viva atropelando suas expectativas, seus sentimentos, seus anseios por um viver que lhe devolva um pouco da paz que o destino lhe furtou. Você começa então a perceber, digamos assim, que o amor mesmo replantado não brota mais.

Eu me recordo então de lindos versos do poeta, meu amigo e conterrâneo, o Alberto Cohen, nos quais ele diz: "A solidão é mais do que um gemido/ Ou a forma silente de ser um".... Pois é, a solidão costuma estar à espreita para muitos que nos desencontros da vida alcançam um longo viver e de repente percebem que estar perto não significa estar acompanhado. O poeta está certo: "Ou a forma silente de ser um..." É um triste fim de viver sem dúvida.

Alguns estarão sujeitos a se ver envolvidos neste ambiente, de repente, onde nem a mais forte das luzes, acesa, consegue impedir a escuridão de sentimentos. O que antes parecia verdade tira a máscara e revela a face da mentira que tortura que magoa, que pode leva-lo ao precipício.

Quando você começar a ser ignorado, deixado de lado, sua opinião não mais tiver relevância em momento algum, e você viver esbarrando na intolerância, acredite já era. É apenas o começo do fim. Espero que seu script de vida esteja sendo bem diferente deste por mim imaginado.



(15 de novembro/2014)
CooJornal nº 915



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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