15/02/2015
Ano 18 - Número 924


ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões

BOM PRA TODOS?
 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

" O “nosso” BB de hoje, ou melhor, de alguns anos para cá, está muito diferente do que ele já foi pelo menos no tempo em que nele eu trabalhei. E olhem que me orgulho de dizer que nos meus 30 anos de serviços a ele prestados, 28 foram todos em Departamentos da Direção Geral.

Cheguei a ocupar alguns cargos de certa relevância dos quais me orgulho muito mesmo sem nunca ter sido Chefe de nenhum Departamento. Fui Chefe, mas de um belo setor de Comunicação Áudio Visual no qual eu tinha uma equipe maravilhosa de 13 funcionários, todos muito competentes no que faziam.

Coordenei cursos de treinamento de pessoal pelo Brasil afora além de dar aulas nos mesmos, o que eu gostava muito de fazer. Esta fase durou uns oito anos.

Acabei depois virando programador de cursos no então DESED chefiado por dois grandes amigos sendo o primeiro o professor Admon Ganem, já falecido, e que chegou a Diretor de Pessoal do BB na época. Foi ele o idealizador e implantador dos Menores Aprendizes, uma experiência que teve muito sucesso e depois passou a ser copiada por várias Empresas.

Fora do Banco do Brasil dei aulas e muitas, inicialmente preparando candidatos a concursos tanto para o BB como para o BACEN. Depois cheguei a ministrar aulas em um curso só para Gerentes de outros Bancos convidado por outro colega e amigo, também professor.

Naqueles tempos o BB era Administrado por funcionários de carreira e não se imiscuía em política, como de uns tempos para cá. As pessoas eram alçadas a cargos mais altos somente por sua competência demonstrada nas funções que iam ocupando aqui e ali.

Já há algum tempo os cargos de maior relevância no nosso BB passaram a ser ocupados por pessoas que têm o tal “QI”, ou o “quem indica”, geralmente de Partidos da situação no âmbito federal. Isto ninguém pode desmentir.

Sinto saudades, confesso, da estatura que tinham Administradores que foram não só Presidentes ou Vice do BB como Superintendentes, especialmente no Rio de Janeiro onde tenho vivido há décadas.

Trabalhei com Chefes de Departamento que exerciam esses cargos por total mérito deles, nunca pela influência política dos mesmos. Tão diferente dos tempos atuais.

Cheguei a assessorar no Gabinete da Chefia do então CESEC – RIO o colega Almir dos Santos que eu conhecera como programador e implantador de sistemas nas agências. Encontrávamo-nos quando coincidia dele estar atuando em filiais nas quais eu ia coordenar algum curso.

Depois de ajudá-lo em alguns serviços realmente importantes para a mecanização do então CESEC acabei sendo chamado para assessorar o então Presidente da PREVI. Pouco depois eu soube da doença que acometeu o bravo Almir dos Santos e que acabou por levá-lo à morte.

Agora no dia 25 deste mês de fevereiro de 2015 eu completarei 29 anos de aposentado do BB. Estou hoje com 78 anos de idade. Lembro-me que na época eu estava atuando no Gabinete da Presidência da PREVI quando resolvi me aposentar. Eu tinha ainda pouca idade para tanto, mas já tendo 34 anos de contribuição ao INSS planejei direitinho minha aposentadoria.

Eu já preparara um projeto de vida sempre útil, mas também prazerosa. Em nenhum momento me arrependi da decisão que tomei embora quando me aposentei estivesse ocupando um cargo de certa relevância e tendo como Presidente da PREVI alguém competente e que me inspirava total confiança. Nunca fui um “carreirista”.

Minha então esposa já se aposentara e eu queria por em prática tudo que planejara para aproveitarmos melhor a vida juntos, todavia sabia que para isso precisava de tempo e de saúde. O que eu jamais poderia imaginar era o que a vida guardara para nós logo uns 16 anos após minha aposentadoria. Isto é assunto para outro texto.

Como aposentado, minha relação com o BB passou a ser apenas a de cliente para com a empresa na qual eu aplico meus recursos. Inicialmente sempre fui bem tratado, podia falar com minha gerente que depois se aposentou. O BB mudava, mas ainda não complicava o relacionamento com seus clientes.

De uns tempos para cá, embora eu continue a ter Gerente de contas e o site do BB me recomende falar com ele quando precisar, dificilmente eu consigo ter acesso ao referido gerente de minhas contas, e isto não acontece só comigo. O gerente é educado, simpático, eficiente e a culpa não é dele, mas do BB de hoje.

Já ouvi de alguns funcionários que há sempre algum gerente, homem ou mulher, de nível mais acima que eles, a realizar reuniões e mais reuniões diariamente impedindo-os até de ter este contato direto com seus clientes. O tal lema de BOM PRA TODOS é falso, amigos e amigas, pois é corriqueiro eu telefonar e logo me arrumarem algum assistente do gerente para falar comigo.

Uma lástima! Eu sinto mesmo saudades do BB de antes não obstante todos os avanços em termos de tecnologia. No relacionamento humano parece que andam a regredir, inclusive internamente, mas isto eu tenho ouvido somente como boatos, todavia... Não pensem que escrevo isto como um desabafo meramente pessoal, não, eu o faço porque tenho espaço e posso escrever, entretanto é fácil se ouvir opiniões iguais a minha.

Acreditem: o BOM PRA TODOS é um lema que deve valer para alguns, o termo “PARA TODOS” com certeza é um exagero. Hoje, mesmo sendo septuagenário, como sabem continuo atuando, sem parar, escrevendo e divulgando minhas crônicas. Do BB só quero que administre meus recursos e, tanto quanto possível, me permita ter acesso ao gerente de minhas contas, o que anda muito difícil. Só isso.


(15 de feverero/2015)
CooJornal nº 924



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com


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