01/03/2015
Ano 18 - Número 926


ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões


A DECISÃO

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Durante a nossa vida quantas decisões nós temos que tomar ou somos obrigados a tomá-las? Você que o diga amigo ou amiga. Relembre suas atitudes desde quando foi alcançando a juventude e daí pra frente.

Claro que algumas foram muito fáceis de serem adotadas, todavia outras logo iam surgindo no correr do tempo em que você, assim como eu, fomos alcançando maiores responsabilidades tanto para com outras pessoas como para conosco mesmo. É inevitável.

Em casa, no relacionamento com nossos familiares, com amizades que fomos formando, na Escola, no casamento e depois no trabalho seja ele qual tenha sido. Sempre surgiu ou surgirá a necessidade de tomarmos alguma decisão.

Para muitos chega o momento de se decidir por qual carreira vão querer estudar, fazer Universidade. Para alguns esta é uma decisão fácil, pois geralmente já a haviam tomado bem antes ou querem seguir a carreira de seus pais.

Outros costumam manter-se em dúvida e até mesmo chegam a se inscrever em cursos diferentes e deixam a decisão para depois. Geralmente alguns vacilam entre ser engenheiro, médico, advogado, etc. O fato é que um dia terão que decidir e se o fazem erradamente mais pra frente acabam tendo que dar um passo atrás. Diríamos que se torna um atraso de vida.

Considerando aqueles que optaram por fazer concurso para alguma Empresa sem cursarem uma Universidade poderão ter ou não uma carreira brilhante independente da formação universitária deixada de lado. Há também outros exemplos como o que mencionarei a seguir.

O escritor português José Saramago, por exemplo, jamais sentou em banco de uma Universidade. Aliás, ele foi bem despojado de vaidades ao afirmar esta verdade no grande dia de sua vida quando foi receber o Prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998, único em língua portuguesa.

Saramago largou os estudos aos 12 anos para ajudar os pais, muito pobres, tendo exercido pequenas profissões. Na Literatura em verdade ele foi autodidata. Certamente que a decisão de largar os estudos aos 12 anos deve ter sido tomada em conformidade com seus pais que não tinham recursos nem para ajudá-lo nisso.

Como podem ver há decisões que ficam muito mais a mercê de fatos e/ou situações de vida do que da vontade de quem as toma. No Banco do Brasil eu conheci colegas que mesmo sem terem cursado uma Universidade conseguiram fazer uma bela carreira no quadro do Banco.

Não pretendo com esses exemplos sugerir que não cursar Universidade seja também uma via para o sucesso, isto não. Por outro lado é verdade também que a decisão de se fazer este ou aquele curso universitário deve ser algo muito bem pensado para não vir o arrependimento a posteriori.

Meu avô que foi um químico industrial de grande sucesso tinha em mim, o primeiro dos netos, o primogênito de dez, o seu natural sucessor. Para agradá-lo eu até estudei e me submeti ao vestibular da Faculdade de Química em Belém quando ela reabriu. Minha reprovação arrasadora provou que meu caminho não era aquele.

Em verdade, eu segui mesmo os passos do meu saudoso pai, também português. Este era dedicado mais a literatura e tinha também um conhecimento muito vasto no campo da música clássica e do teatro. Acabei me voltando para a escrita desde os 17 anos no rádio paraense escrevendo e lendo crônicas diárias. Meu pai enquanto vivo foi meu maior incentivador.

A vida algumas vezes nos coloca como dizem alguns “numa camisa de onze varas” e nossa decisão pode se tornar muito difícil não só de ser tomada quanto de ser assumida. Ainda mais se já estamos em idade avançada. A vida é assim mesmo e nos cabe assumir o que decidimos e nos conduzir no rumo a ser tomado.

A única situação em que não nos cabe nenhuma decisão é na hora de nossa morte, pelo menos eu julgo assim. Lembro, entretanto o que disse certa vez o saudoso e grande escritor Rubem Alves numa entrevista à rádio CBN que eu divulguei aqui:

“Se eu tivesse um pequeno botão digamos no pescoço que eu pudesse apertar quando não mais me interessasse viver certamente eu o apertaria. O que digo agora já ouvi de outras pessoas inteligentes e ilustres não sou apenas eu que penso assim.”

Aí me vem à mente o desejo de plagiar o lindo poema de Oswaldo Montenegro, “Metade”, dizendo: hoje, amigos, metade de mim é vida e a outra metade é saudade, muita saudade de tudo que já vivi e do mundo de onde eu vim.

Mas temos que encarar a realidade em que estamos agora inseridos e se viver ficou mais difícil é a estrada que temos para seguir. Assim eu abro meu coração e concluo dizendo... no momento aos 78 anos metade de mim é resignação e a outra metade é esperança, esperança que substitui qualquer decisão a mais.

Mensagens sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(01 de março/2015)
CooJornal nº 926



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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