15/05/2015
Ano 18 - Número 936


ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões


A PASSARINHADA E NÓS

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Já algumas vezes eu escrevi sobre a convivência pacífica entre nós e a Natureza que temos aqui a nossa volta. Mostrei algumas vezes os ninhos que eles fazem seja em nossa árvore de acerola seja na laranjeira, entre outras.

Exibi e comentei diversas vezes sobre alguns constantes passeios que os passarinhos fazem entrando em nossa casa e aqui ficando por longo tempo sem qualquer censura, sem qualquer perseguição de nossa parte ou de nossos cachorrinhos.

Sentindo-se livres, totalmente livres, eles entram e saem quando querem, passeiam à vontade pelos cômodos de nossa casa até saírem novamente.

Neste forte verão de 2015 tivemos dias com temperaturas bem altas e por aqui, em Cabo Frio, dificilmente caía alguma chuva para nos refrescar e molhar um chão que estava por demais seco. Depois soubemos que só no mês de Março o verão foi o mais quente desde 1880.

Não raras vezes flagramos nossos amigos passarinhos entrando ora por uma janela, ora pela porta da frente ou da que dá para a garagem, a fim de virem beber um pouco da água na cumbuca destinada ao nosso lindo Yorkshire, o nosso bravo Touché.

A alguns pode parecer mentira e a outros talvez muito atrevimento da passarinhada, mas posso lhes asseverar que conto verdades não invento histórias. A água que destinamos a nossos cachorrinhos é sempre filtrada e no verão adicionávamos algumas vezes um pouco de água mais fresca.

Cheguei a ver passarinhos entrando a caminhar, não voando, vindo da nossa garagem pela porta que dá acesso à copa onde ficam as cumbucas de Touché. Eu procurava não falar, não fazer nenhum movimento brusco para não os assustar. Sempre achei linda esta convivência pacífica.

Alguns ousavam um pouco mais catando na segunda cumbuca um resto de comida para se alimentarem. Isto eu vi várias vezes tanto aqui dentro de casa como perto da casa de Tuane, a lady Coker de 14 anos, na garagem. Quando mais nova esta os punha a correr, mas agora não.

Antes eu ficava mesmo extasiado com a tranquilidade com que nossos amigos passarinhos pousavam fosse nas janelas, ou nos ventiladores de texto, ou na cozinha ou em nossa mesa da copa, hoje já nos acostumamos a essa rotina que, a mim pelo menos, me deixa feliz.

Outro dia, numa sexta-feira, dia de faxina geral aqui em casa, um desses nossos amigos ousou entrar justo quando eu conversava com Alzirinha, irmã de Lena e que executa durante o dia inteiro a tal faxina. Logo pedi a esta que se calasse, que não fizesse nenhum movimento brusco de modo a não assustar aquele visitante tão pequenino.

Após ele passear à vontade, pousar nos ventiladores da sala e da copa, ir até o corredor que dá para os dois quartos internos ele voltou para a sala. Até aí tudo bem, como digo já estamos mesmo acostumados a essa convivência.

Ocorre que aquela linda avezinha decidiu ousar ainda mais. De repente o vi pousar exatamente numa linda moto (miniatura, mas grande) de madeira que comprei faz alguns anos e a temos sobre uma prateleira como troféu.

Ela é uma verdadeira obra de arte e por isso eu a comprei, gosto muito dessas miniaturas tanto de carro como de moto. Ela é maior do que as miniaturas comuns, pois tem mais de 20 cm de comprimento e todos os detalhes de uma verdadeira. O autor é um autêntico escultor.

Lamentei naquele momento não ter à mão a minha máquina fotográfica. Imaginem que o passarinho pousou e ainda fez uma bela pose exatamente no selim da referida moto. Alzira ficou admirada e no seu certo espanto falou-me baixinho ser muito atrevimento dele fazer aquilo.

Logo sussurrei para ela que na verdade eu me sentia muito feliz em ter aquela convivência da natureza dentro de nossa casa, ademais algumas vezes eu até estimulo tentando falar com as aves através de meu desafinado assobio. Não sou S. Francisco , mas seu xará no nome.

Nossa vida não tem sido sempre um paraíso, claro que não, ademais problemas todo mundo tem e cada um carrega o peso que a vida lhe destina. Entretanto essa convivência com a Natureza por aqui tem compensado a nossa existência.

 

Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(15 de maio, 2015)
CooJornal nº 936



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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