01/04/2016
Ano 19 - Número 978

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões

Brasil, dos generais a Eduardo Cunha
 

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Não tenho nenhuma pretensão de dar aula de história, muito menos fazer algum Tratado Político num país que navega em rumo incerto, não pensa, decide mal, e sequer sabe quem poderá ou deverá assumir o “trono”.

Não entrarei em detalhes dos chamados tempos negros de um regime de exceção civil militar. Digo civil sim porque alguns poderosos homens da política, banqueiros e outros ajudaram a concretizar o golpe de 1964. Uns poucos políticos que serviram à ditadura ainda estão por aí a ser eleitos e a ocuparem algum espaço no poder. Este é o nosso Brasil democrático.

Pretendo apenas dar algumas “pinceladas” num rápido relato de fatos ocorridos. Após os tais 20 anos negros cresceu o movimento pela abertura do regime ou pelas Diretas Já. As manifestações de rua superaram as que vimos agora contra e a favor do atual governo petista. O povo bradava por eleições diretas, mas os donos do regime então vigente nos impuseram uma “eleição indireta”.

O candidato da Arena, ou o falso partido da ditadura, foi o Sr. Paulo Maluf. Ele mesmo que depois passou a posar de democrata e tem tantos processos nas costas que nem sequer pode agora sair do país ou a Interpol põe a mão nele. Sempre sorrindo sabe que a impunidade o protege neste reino da corrupção.

O candidato indicado pelo MDB, o movimento democrático, foi o Sr. Tancredo Neves. Curiosamente um pouco antes das eleições o Sr. José Sarney, um dos líderes da Arena que defendia a ditadura, rompeu com o grupo a que pertencia há décadas. Ficou sem partido por pouco tempo.

Tancredo Neves, num rasgo de bondade estendeu a mão a um velho amigo da política, convidou-o para ser o Vice em sua chapa no MDB. Muitos estranharam tal atitude, mas ela acabou se concretizando. A eleição foi realizada dentro do então Congresso e Tancredo venceu a Maluf. Efetivava-se a abertura política, sabe Deus como, pois quis o destino que uma doença acabasse por tirar a vida de Tancredo pouco antes do dia da posse do mesmo como Presidente.

Assumiu o seu vice, o José Sarney. Ah Brasil, meu Brasil brasileiro, entregou seu poder maior em plena abertura a quem acabara de servir à ditadura por longo tempo. Convivemos por anos com uma inflação galopante, cada mês, cada ano, ela crescia e nosso país corria à deriva. Maldita abertura tão desejada e mal realizada. E Sarney ainda obteve um quinto ano de mandato mesmo deixando o país no precipício.

Após este período podemos enfim votar para Presidente em eleição direta. E nosso povo embarcou numa “canoa furada”. Elegeu o Sr. Fernando Collor que de imediato cassou sem mais nem menos a poupança do povo brasileiro. De todos eu não digo, pois duvido que o tenha sido. Só recebemos o que o então Presidente tomou de nós na mão grande alguns anos depois e mesmo assim muito menos do que teríamos caso nossas economias continuassem aplicadas na Poupança. Democracia!!!

O fato é que no mandato do “caçador de Marajás” descobriram em pouco tempo mutretas tantas que acabaram levando a um imenso processo que gerou o impeachment do Sr. Collor. Seu vice era uma pessoa correta e nada tinha a ver com Collor. Assim assumiu a Presidência o Sr. Itamar Franco. Confesso que me surpreendeu, pois fez um bom governo e teve o mérito de nomear pessoas competentes para o Ministério da Fazenda, colocando como Ministro o Sr. FHC, que é sociólogo, não economista.

Este teve o mérito de reconhecer a importância do Plano Real montado pelos economistas. Mérito maior teve o Presidente Itamar ao acolher o parecer do Sr. FHC e ordenar que fosse executado o Plano Real. Com o sucesso deste que derrubou a inflação galopante que nos massacrava o sociólogo se elegeu fácil Presidente a seguir. Cumpriu um bom primeiro mandato, mas infelizmente resolveu “convencer” o Congresso para aprovar o projeto de reeleição que não existia no Brasil.

Seu segundo mandato deixou muito a desejar e a verdade que pode ser pesquisada e comprovada nesta internet nos meios próprios foi que segundo consta houve cerca de 40 denúncias contra vários projetos inclusive de privatizações de empresas. Na época não havia “Lava a Jato” e o PGR por nunca agir ao receber as denúncias acabou por ser chamado pela mídia em geral de “Engavetador Geral da República”.

Muitos não devem se lembrar, outros fazem questão de não lembrar, outros que nasceram depois sequer se informaram desses fatos. O segundo mandato de FHC acabou facilitando enfim a vitória de Lula como Presidente ele que já perdera para Collor e duas vezes para FHC.

Lula entrou anunciando uma esperança de renovação, de que o Brasil seria outro, para melhor. Se teve acertos também fechou os olhos ao que se passava em torno dele e daí acabou estourando o tal “Mensalão”. O PT começou a cair em descrédito, embora grande parte de nosso povo continuou a apoiá-lo e apoia ainda hoje.

Não obstante o escândalo do Mensalão Lula se reelegeu e 4 anos depois elegeu sua sucessora. D. Dilma teve um primeiro mandato com algumas contestações e algumas aprovações. O fato a meu ver é que ela não se houve bem no geral e acabou levando o país a ter de volta a inflação de que já nos livráramos há uns anos. Ela se reelegeu mentindo nos discursos sobre a situação econômica deste país.

Resumindo e finalizando o PGR atual cumpre seu dever e as denúncias espocaram de todos os lados. O que nunca se vira neste país está acontecendo, políticos e empresários são denunciados, presos e alguns usam a tal delação premiada para reduzir suas penas. O vulto dos escândalos denunciados que já chegam ao Lula e mesmo à D. Dilma estão levando o povo às ruas exigindo impeachment da Presidente.

Assusta-me ver que nosso povo está meio dividido e isto pode desencadear uma crise trazendo consequências bem piores do as que já temos agora. Concordo que é a grande oportunidade de passarmos este Brasil a limpo para valer, agora o que não aceito e não consigo entender é que o Presidente da Câmara, com tantos processos em andamento, à mercê de ser cassado há meses nem sei por que nada acontece com ele, de repente se lança como o “herói” que vai levar adiante o processo de impeachment.

Brasil será que continuas o mesmo ou pioraste. Enquanto isto o presidente do Senado responde também a vários processos, mas continua impune. Sem citar expoentes da chamada oposição que também estão envolvidos em escândalos. Pior é ver o Vice, Michel Temer, sorrindo e fazendo de conta que nada tem a ver com os desmandos de um governo que ele apoia há tantos anos participando ativamente dele. E já começa a fazer contatos para “constituir um novo governo” caso o impeachment de D. Dilma se concretize. Tu perdeste o rumo de vez oh meu Brasil...

Pior ainda é ver lideranças de oposição apoiando Temer na esperança de tirarem alguma “casquinha” num novo governo. Como vão cozinhar este imbróglio e como será legalizado um movimento destes não sei. Temer não é totalmente inocente, amigos e amigas. Ah meu Brasil, não esperava chegar aos 80 anos e presenciar isto que desmente o que ouvi de meus pais e avós, ou seja, de que o Brasil seria “o país do futuro”. No futuro já estou eu faz tempo, quanto ao Brasil... para onde caminhas meu país.

Pior dos piores, caso Dilma seja afastada junto com Temer, vocês sabem quem assume como Presidente pela Constituição... Pois é ele, o presidente da Câmara, ou... Eduardo Cunha. Bye bye Brasil.


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(1º de abril, 2016)
CooJornal nº 978



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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