01/08/2016
Ano 20 - Número 994

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



OS COMENTÁRIOS SEMPRE BEM-VINDOS

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal




Recentemente, na edição do dia 15 deste mês de julho, eu divulguei neste CooJornal da revista RIO TOTAL, de Irene Serra, o texto com o título “Faróis acesos de dia?”. Eu me referia a recente exigência feita pelo Departamento de Trânsito obrigando os motoristas a manterem os faróis de seus carros acesos nas estradas mesmo à luz do dia.

Estou às vésperas de completar 80 anos de idade e há cerca de um ano eu desisti de dirigir por não aguentar mais tanta violência, tanto desrespeito seja aos sinais de trânsito nas cidades assim como nas estradas. Da parte do Departamento de Trânsito cansei de ver crescer o que chamam de “indústria de multas” com os tais “pardais” crescendo em quantidade com a visível intenção de arrecadar sempre mais.

Igualmente me horroriza a quantidade de acidentes, especialmente fatais, com pessoas irresponsáveis dirigindo bêbadas, drogadas, algumas vezes sonolentas, ou mesmo até sem possuírem a carteira de habilitação. Tão ou mais triste é ver como certos acidentes destes são resolvidos. Pessoas com certa influência cometem barbaridades e sequer ficam presas ou levam uma pena como seria de se esperar. Este é o Brasil em que vivemos.

Nunca vi as tais autoridades do trânsito deste país quando elas falam em segurança preocuparem-se em melhorar as condições de nossas estradas. O asfalto é lamentável e os remendos que fazem são ridículos e rapidamente voltam a nos criar dificuldades ao dirigir por abrirem novamente os buracos mal fechados. Incompetência? Não, desinteresse mesmo, com certeza. O objetivo maior deles é mesmo arrecadar.

Até em nossas estradas já privatizadas se essas apresentam melhores condições de asfalto, de sinalização, de socorro, o fato é que ficam a dever e muito àquelas que eu conheci, por exemplo, na Europa quando lá morei 4 vezes por longos períodos. Aqui o que eles sabem fazer com “eficiência” é aumentar constantemente o valor do tal pedágio com o beneplácito de nossas autoridades.

O meu texto anterior acabou gerando diversos comentários que li com atenção e decidi agora me referir a alguns deles sem nomear os leitores. Houve os que se referiram justamente à falta de segurança que tem sido deixada para plano inferior e as autoridades de trânsito priorizando, o que é verdade, as multas e mais multas. Educar então nem pensar.

Nos seus vários comentários a maioria concordou com minhas críticas sendo que mesmo uns dois que discordaram deixaram claro que se os faróis acesos de dia ajudam então vamos respeitar. Não abriram mão, porém de fazer suas críticas a diversos aspectos do posicionamento equivocado ou desinteressado dessas autoridades em relação aos motoristas especialmente nas estradas, mas também nas cidades.

Sobre o comportamento estranho de alguns examinadores na renovação da Carteira de Habilitação, como eu relatei no texto anterior, um amigão bem da antiga lembrou-me o que aconteceu com ele ao se submeter ao tal exame. Ele é pessoa séria e da minha maior confiança.
Pois bem, quando fazia o tal “exame de vista” a certa altura a examinadora que demonstrava, segundo ele, estar de mal com a vida, solicitou ao meu amigo que ele tirasse toda a roupa. Com receio de ser reprovado caso se negasse aderiu à solicitação da referida senhora. A examinadora olhou-o novamente e em seguida disse que ele estava aprovado.

Eu pergunto: o que tem o “nu” a ver com a “habilitação”? E ele teve apenas 6 meses na carteira em vez dos 3 anos habituais para pessoas de mais idade. Recordo aos de pouca memória que no texto anterior contei o que passei num dos exames quando eu já tinha perto de 70 anos de idade.

Lembro-lhes que o examinador me submeteu a uma série de exercícios como se eu estivesse me candidatando a servir ao exército e não indo apenas para renovar minha habilitação. Estando eu em boa forma apesar da idade saí-me muito bem nos exercícios e meio a contragosto (foi o que me pareceu) ele acabou me dando mais 3 anos na carteira. Que loucura, gente.

Já ouvi relatos escabrosos de pessoas em exames aqui em Cabo Frio onde resido. Sabendo de tudo isto e vendo os maus exemplos das próprias autoridades de trânsito quando visam e muito arrecadar e não educar, eu volto a perguntar: “Como faróis acesos de dia podem ajudar a evitar acidentes de trânsito em estradas?” Repito: se alguém sequer consegue ver um ou mais veículos do tamanho que eles são, no que um simples farol, em país tropical, de dia vai ajudar?

Claro que a resposta é uma só: procurar arrecadar mais e mais e mais. Nos primeiros dias de aplicação da tal lei eu soube que já multaram muitos milhares de motoristas e não me venham amanhã dizer que estão evitando acidentes. Respeito quem “acredita em Papai Noel”, mas repito, não abro mão de fazer minha crítica séria e responsável.


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(1º de agosto, 2016)
CooJornal nº 994



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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