15/08/2016
Ano 20 - Número 996

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



VIVENDO A VIDA

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Quando eu cheguei a este mundo não sabia de nada sequer imaginava o meu destino ou quantos irmãos e/ou irmãs eu teria. Claro que isto acontece com todo bebê que nasce algum dia. Sequer falamos, sequer pensamos, sequer temos noção de algo apenas vivemos.

Nasci em agosto de 1936. Faz é tempo não? Em que dia? Ah depois eu digo. Com a passagem do tempo e eu crescendo fui vendo que meus pais, ele português e ela brasileira, não estavam ali para brincadeira não, “trabalharam” e trabalharam muito e muito bem. E eu crescendo e tomando conhecimento das coisas.

O tempo passava e mais chegavam meus irmãos e irmãs. Anos depois vi que nós já éramos dez (10), por sinal muito bem calculados, quero dizer cinco homens e cinco mulheres. Vejam que as mulheres chegaram a estar “vencendo” os homens por 5x2. Felizmente meus pais decidiram reagir e equilibrar o “placar”.

A partir dali foram chegando, um a um, mais três meninos. Resultado final de 5 x 5. Era uma família grande, bonita e feliz. Claro que nem tudo foi alegria, pois a menina que nasceu logo depois de mim, a Isaurinha, aos dois anos de vida teve meningite.

Em família nós a chamávamos de Nenên. Ela perdeu a fala, mas em compensação se emocionava com muita facilidade. Nenên, ou Isaurinha, viveu até os quarenta anos quando faleceu. Recordo-me de ter sido acordado às quatro da manhã com o telefone tocando. Era meu pai que chorando me comunicava a notícia. Eu já estava no Rio e casado pela segunda vez, morando em Ipanema.

A vida foi em frente, cada um de meus irmãos e irmãs foi traçando o seu rumo, o seu destino. Eu vim para o Rio de Janeiro tentar melhorar minha sorte em relação ao trabalho embora já estivesse no Banco do Brasil há uns dois anos e tal. Tive a ajuda de um grande e saudoso amigo, também colega, o Germano que trabalhava no então MEDIC, Deptº Médico do BB na Direção Geral. Ficava à Rua do Acre perto da Praça Mauá.

Trabalhei os outros 28 anos até minha aposentadoria sempre em Departamentos da Direção Geral do BB. Os últimos 4 anos atuei no Gabinete da Presidência da PREVI como Assessor do meu grande amigo e Presidente, o professor Joaquim Amaro. Ele já fora meu Chefe também no DESED, o Departamento de Treinamento de Pessoal. Tinha como colega no Gabinete o também amigo da antiga o Luiz Carlos da Fonseca.

Durante os anos vividos eu casara por duas vezes. Na primeira eu acabei me separando com apenas uns 3 anos de união e no segundo, quando fui mais feliz, quis a vida, ou o destino que tudo terminasse após 39 anos de casado. Um câncer nos impôs muita dor, sofrimento, embora minha então esposa jamais tivesse perdido a fé e a esperança em que se salvaria.

Aproveitamos bem a vida nas quatro décadas de união, não posso me queixar disso, todavia jamais nos passou pela cabeça que aquela doença maldita viria interromper um script de viver tão bem traçado por nós. Achei que meu caminho também terminaria ali, pois a alegria, a paz, a felicidade pareciam chegar ao fim. Estávamos no ano de 2003 quando ela partiu. Era o último ato da união que sempre julguei indestrutível.

A vida passou a me impor uns 5 anos de certa solidão amparada por alguns poucos, mas bons amigos e amigas aqui mesmo de Cabo Frio. O estado solitário me levou certo dia a um pique de pressão que por pouco não me apagou de vez. Meu companheiro diário era meu lindo cãozinho que até hoje está comigo, o nosso bravo yorkshire, o Touché hoje às vésperas de fazer 13 anos.

Pois foi uma boa amiga, a Marlene, que já convivia conosco desde antes e depois nos tempos de minha segunda esposa quem me socorreu e em verdade salvou minha vida. Ela já estivera junto conosco também durante um ano e meio da doença de minha falecida esposa. Não fosse ela eu não saberia o que fazer.

Sempre disciplinado especialmente no que se refere à recomendação médica eu acabei me recuperando rapidamente. Marlene sempre esteve ao meu lado e está até hoje. Explico, embora durante uns anos ela cuidasse de mim aconteceu que quando eu estava já com 71 anos de vida decidi pedi-la em casamento. Ela é mais jovem que eu.

E o menino que nasceu em Agosto de 1936 embarcava na sua terceira união como marido agora de uma boa amiga que sempre esteve ao meu lado também após minha entrada no período de solidão.

E assim vamos seguindo, vivendo a vida. Ah, quando eu nasci? Bem, foi justo no dia 17/agosto, quando estarei completando os 80 anos. Obrigado por me aturarem e muita felicidade para todos que me leem.
 


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(15 de agosto, 2016)
CooJornal nº 996



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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