01/04/2017
Ano 20 - Número 1.023

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões


A GENTE NÃO TEM CARA DE BABACA

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal



É claro que muita gente conhece a frase acima que eu tirei de uma das lindas canções de Gonzaguinha. Canções muitas que ele compôs lutando contra a opressão de uma ditadura que censurava e mais censurava obras de tantos compositores, não só de Gonzaguinha.

Este chegava a ter que compor cerca de 30 ou mais músicas para conseguir editar um LP, ou long-play. Consta que certa vez ele teve 15 músicas censuradas, isto só num LP. E ainda tem gente hoje que sonha em consertar este país com outra ditadura!! Barrabás!!

Pena que Gonzaguinha morreu tão jovem num acidente de carro. Hoje ele teria um imenso manancial de assuntos nesta falsa democracia para tecer suas críticas. Estaria muito decepcionado com a classe política que emergiu pós-ditadura.

Não apenas este mar de lama que a corrupção já quase endêmica tenta afogar direitos, leis, calar vozes que hoje se amedrontam diante de qualquer grito de poderes que deveriam nos defender e querem mais é criar regras e mais regras que os perpetuem no poder. Está tudo aí, só não vê quem não enxerga ou não quer enxergar porque sua visão ou é comprometida ou tem rabo preso, o que dá no mesmo.

Aliás, a crítica que ele teria para fazer iria para além da política alcançando com certeza a realidade tanto a nossa volta quanto em nosso caminho. Por outro lado temos aí uma juventude que com raras exceções anda a se render aos fascínios do avanço da tecnologia.

Não só jovens, mas muitos de mais idade caminham hoje pelas ruas como robôs conduzidos nos seus passos por suas maquininhas a cada dia mais fascinantes a lhes roubar até o direito a pensar por si próprios e a participar de papos pessoalmente e não pelos meios virtuais.

Não só nas ruas como nas casas e até à mesa é quase só o que se vê hoje em dia. Vão se tornando escravos mesmo como já temia o nosso Einstein dizendo que poderíamos vir a ter uma “geração de idiotas”. Uma pena. É o exagero do relacionamento com as tais máquinas.

Nós que resistimos a esses “cantos de sereia” insistimos em dizer que “a gente não tem cara de babaca”.

Agora eu retorno ao clima de política, ou politicagem, como diz minha amiga jornalista e cronista de S. Paulo, a Marli Gonçalves, de quem peço emprestado este parágrafo de uma de suas magníficas e recentes crônicas:

“Hoje, o que temos? O linguajar chulo de coxinhas, mortadelas, palavras sendo distorcidas, ódio entre amigos, óbvios ídolos de barro e lama cobertos por milhões de dólares de corrupção sendo defendidos, literalmente, com unhas e dentes, fantasiosamente em prol de dogmas antiquados e inadequados. Não há política, mas politicagem, se alastrando daninha em todos os poderes da República, cada um puxando a sardinha, a toga, o pato, o quebra-quebra, repartidos entre si como carniça entre urubus.”

Aí surge na cena o Sr. Ciro Gomes a fazer ameaças ao Sr. Sérgio Moro da Lava-Jato. Pior que ele de público como se estivesse encenando um filme de faroeste diz que se Moro mandar prendê-lo por denúncias certamente comprovadas, ele, Ciro, receberá os homens da PF à bala... E o político pode ser um dos prováveis candidatos à Presidência da República. Que exemplo!! Que nível!!

Então eu recorro ao saudoso Cazuza que em música perguntou: “Que país é este?” Até hoje esta nação não teve uma resposta à altura ou que satisfizesse à indagação do jovem autor/cantor. Pelo jeito tão cedo não conseguiremos algum exemplo que possa tirar este país do lamaçal em que se encontra faz é tempo. A coisa vai de mal a pior.

Dizem que cada povo tem o país que merece, será? Então o mal está enraizado de baixo pra cima e não ao contrário? Deus meu, onde estás que não nos respondes, ou será que nós é que não te merecemos? Nem precisas responder.

Repito que mesmo sendo obrigados a votar “a gente não tem cara de babaca” por isso prego o voto nulo ou em branco nos meus 80 anos. Mas infelizmente tem quem acredite que o seu candidato após eleito se “regenerará”. Vá acreditar em milagre no raio que o parta.

Infelizmente tenho que admitir que vivemos num país meio sem rumo, sem destino, comandado por pessoas, segundo consta, envolvidas de alguma forma em processos em curso na Lava-Jato. Depuseram a Presidente dita incompetente, mas aceitaram seu vice, naturalmente comprometido em algumas denúncias junto com ela em apuração e vamos empurrando o barco contra a maré.

A verdade é que tudo caminha bem devagar, apurações, denúncias, julgamentos, condenações, e nosso povo a sonhar com uma limpa geral nessa triste politicagem. Por esta e por outras é que começam a surgir valentões como o Sr. Lula a pedir a prisão de Sérgio Moro, agora o Sr. Ciro (com arma na cintura) a bancar o valentão contra a PF, pelo menos da boca para fora, e outros tantos políticos a pregar o que lhes passa na venta. Cada um diz o que lhe convém e jura inocência.

Nada mudou até agora e nem sabemos se mudará, embora alimentemos esperança.


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(1º de abril, 2017)
CooJornal nº 1.023



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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