15/04/2017
Ano 20 - Número 1.025

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões


NA FILA PREFERENCIAL

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal



O Brasil demorou, mas acabou assumindo tanto em bancos, como supermercados e outras empresas as tais filas preferenciais. Só não gosto delas na ocasião de ir a terminais eletrônicos para sacar algum dinheiro. Explico: os colegas idosos costumam pagar contas e também se enrolar nos comandos o que faz com que demorem mais do que o necessário nessas filas.

Mas eu quero mesmo é contar rápidos fatos que ocorreram comigo nas ditas filas. Quando não tem nenhum idoso, gestante ou cadeirante as filas atendem naturalmente a qualquer pessoa ainda que jovem. Muito justo. Não concordo é quando estes se enfiam nas ditas filas sabendo que ali estão pessoas idosas ou outras. Acabam gerando alguma confusão.

Quem me conhece bem sabe que estou às vésperas de completar meus 80 anos de idade. Assim mesmo talvez por ter aparência de pessoa com menos idade (é o que dizem muitos) já enfrentei situações meio desagradáveis.

Certa vez eu estava indo para ser atendido na fila preferencial de um supermercado em Cabo Frio quando um senhor, certamente bem mais novo do que eu, tentou “furar” a fila. Reclamei educadamente apontando para a placa de identificação da fila e o cidadão pôs em dúvida minha idade. Claro que me irritei chegando até a mostrar a ele minha identidade. Eu acho isto ridículo, porém foi necessário.

O cara meteu-se numa fila ao lado e continuou a falar bobagens de lá. Ele viu que perdera a razão e aí arrumou outros argumentos. Tudo mais se complicou quando minha esposa 20 anos mais nova que eu se aproximou de mim com outro carrinho cheio. Eu ainda estava sendo atendido e avisara que ela viria a seguir. A moça da caixa me deu razão, mas o referido senhor insistia em repetir bobagens à distância.

A seguir ele procurou me ridicularizar certamente por ter uma esposa bem mais nova e mulata o que já caracterizava um desrespeito pendendo para o preconceito da parte dele. Antes de me calar fiz-lhe uma advertência e todos em volta acabaram por ficar do meu lado. Eu estava carregado de razão, todavia mesmo assim é muito desagradável.

Em outra ocasião topei com outro cidadão que quis pôr em dúvida a minha idade. Neste caso pelo menos bastou eu ameaçar mostrar a minha identidade após ter dito quando nascera para o outro cavalheiro pedir-me desculpas e dar o assunto por encerrado. Ainda bem.
Em Ipanema, no supermercado Zona Sul, eu entrara certa vez na fila preferencial e à minha frente duas mocinhas começavam a ser atendidas. Entendi como certo, pois quando elas ali se postaram não havia ninguém naquela fila. Infelizmente um casal de idosos com pose e pouca educação chegaram e logo partiram pra cima das duas jovens reclamando e exigindo que “eles é que tinham o direito de ser atendidos ali, não elas.”

Como eu e minha esposa estávamos logo atrás delas e, portanto seríamos os seguintes na vez chegou a me dar vontade de advertir o casal agressor, pois se alguém ali tinha algum direito a seguir seríamos nós, não eles que haviam chegado à fila depois. Daquela vez eu lamentei que duas pessoas idosas dessem tão mau exemplo, fossem tão mal educados, além de estarem rigorosamente numa atitude agressiva e “furando” a nossa fila.

Eu estava bem tranquilo então preferi ignorar o que acabara de testemunhar e não reagi. Saí no lucro, mas a verdade é que alguns idosos que deveriam dar o bom exemplo acabam pondo a perder a referência ao nosso direito estabelecido em lei. É lamentável.

Acredito que por sermos mais vividos, digamos assim, além de estarmos de quando em vez a reclamar de maus exemplos a que assistimos da atual juventude (claro que há muitas exceções) temos obrigação de nos comportarmos exemplarmente. Isto não implica em nós sermos sempre sérios o que convenhamos passa a ser uma chatice.

Eu sempre tive um temperamento alegre provavelmente adquirido pela minha genética. Gosto de sorrir e de contar histórias, quem me lê sabe disso, não obstante a vida me ter pregado algumas “peças” que me jogaram ao chão. Nunca me deixei vencer e não seria um ou outro episódio desagradável nas filas preferenciais que iriam me irritar ao ponto de perder o controle, apenas respondo à altura quando sinto que devo fazê-lo.

No mais se essas filas dão preferência a idosos, gestantes, cadeirantes, etc só desejo que todos respeitem este direito que a lei nos concede e em caso de dúvida é muito melhor ficar quieto, talvez calado, do que incorrer em episódios nada dignificantes como alguns que presenciei e outros de que até participei por ser o atingido.

Já basta o quanto desrespeitam as vagas para carros destinadas a cadeirantes, idosos e outros. A autoridade dificilmente está presente e se estiver raramente faz valer os nossos direitos. Era só isso, até a próxima.




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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(15 de abril, 2017)
CooJornal nº 1.025



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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