01/06/2017
Ano 20 - Número 1.031

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões

LUSO-BRASILEIRO, SIM SENHOR
 

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Gente amiga hoje me ocorreu falar do meu outro lado, não do meu sangue brasileiro, mas aquele que corre há mais de 80 anos também em minhas veias, meu sangue português. Afinal sou filho, neto, bisneto etc de portugueses, apenas minha mãe e minha avó materna eram brasileiras.

Quando este homem, hoje de cabelos grisalhos, mas alguns fios meio escuros, que dizem não parecer nem de longe a idade que tem (gente bondosa, pois...) tinha 10 anos, morei com meus pais e irmãos por um ano em Portugal. Ficamos estabelecidos na linda, maravilhosa Quinta de Salreu, que ainda lá está e hoje é tombada pelo Governo Português, e que foi construída durante 15 anos pelo meu bisavô materno.

Minha festinha de aniversário quando eu completei onze anos foi na praia de Espinho. Na época nem cidade propriamente havia. Espinho era uma localização vazia de moradores, de casas e de comércio. Hoje quem for a Espinho verá uma bela metrópole, com certeza.

Certo dia meu pai levou-me à cidade do Porto, onde ele nascera, para assistirmos a um grande clássico luso, o Porto x Benfica. Claro que ele julgava fosse eu ser mais um adepto do clube dos tripeiros como ele, pois. Acontece que me encantei com o uniforme (ou a camisola como dizem por lá) do time lisboeta, o Benfica e pronto, aqui estou eu hoje a comemorar mais um título neste ano de 2017 do time vermelho.

Afinal somos Tetra Campeões portugueses tendo alcançado desta feita o 36º título de toda a história do meu Benfica. Maravilha. Em Portugal tenho bons e antigos amigos tanto benfiquistas como adeptos do Sporting, rival do Benfica em Lisboa. Aqui me refiro ao grande amigo de longa data e sua esposa, o Fernando Bento e a Conceição. Ele é excelente fotógrafo e jornalista. Sinto muitas saudades de todos eles.

Como alguns de vocês sabem, após me aposentar eu fui viver em Portugal com minha então esposa por quatro longos períodos de três em três anos. Foram oportunidades de matar muitas saudades de toda a terra lusitana como de me encantar com a cidade de Lisboa que já estava muito linda e onde nos estabelecemos.

Atualmente tenho recebido do meu bom amigo Manuel dos Santos que vive em Cascais, Portugal, notícias bem alvissareiras sobre o quanto a Europa de uma maneira geral tem olhado para Portugal e especialmente para Lisboa com olhos de quem faz justiça aos encantos da capital lusitana. Costumo acompanhar notícias de Portugal também pela Tv, pelas emissões da RTPI.

Outra imensa alegria que tive há alguns dias atrás foi tomar conhecimento da grande vitória de Portugal no famoso Festival da Canção da Europa, o Eurovision. Foi a primeira vez que Portugal alcançou tal projeção. A linda canção, suave, maravilhosa, com uma letra que acima de tudo fala em amor, e amor dos grandes. Basta ver o título da canção: AMAR PELOS DOIS, de autoria da irmã de Salvador que a interpretou no Eurovision deste ano realizado na capital da Ucrânia.

Caetano Veloso por aqui não poupou elogios à música e à letra. Estou com ele e não abro. O Eurovision é apresentado desde 1956 e Portugal já figurara entre as 10 melhores canções algumas vezes, porém sempre longe de um brilhante primeiro lugar.

O jovem que a interpretou, o Salvador, segundo eu apurei, sofre de doença séria que lhe afeta o coração e estaria à espera de um transplante para viver sem susto. Repito aqui o que eu disse a muitos amigos e amigas outro dia: ufa, enfim o AMOR venceu, enfim nada de gritos, de músicas agitadas, aquelas que nos impõem por aqui diariamente como sendo o “que temos de melhor”. Barbaridade. Salve o AMOR.

Meu sangue lusitano tem sabido comemorar a fase que Portugal atravessa. Claro que lá como cá já houve problemas diversos, especialmente em política, mas aos poucos parece que os portugueses vão se livrando do lixo que geralmente vem de cima para baixo e o povo que aguente. Quanto a isto confirmo que Portugal está em melhor momento que o nosso Brasil, com certeza. É só acompanhar os noticiários.

Alguns bons amigos meus que vivem por lá me perguntam por que eu não volto para ver in loco o Portugal de hoje. Eu sempre explico que agora tenho outras e novas responsabilidades por aqui, especialmente em Cabo Frio (RJ) onde moro. Há décadas venceu meu passaporte e os 80 anos em nada me animam a refazer tudo e viajar de avião novamente, uma viagem longa ainda que agradável, mas em outros tempos.

Meu sangue português acompanha muito do que o nosso Portugal de hoje vive e comemora por lá, todavia sempre à distância. Aqui no Brasil, no Rio, também mantenho amizades com portugueses e assim, juntando com o que me mandam de lá, eu vou aliviando a saudade que meu sangue ou meu lado português vez ou outra me cobra, pois.

Afinal eu sou luso-brasileiro sim senhor.


        * Link para a canção AMAR PELOS DOIS: https://www.youtube.com/watch?v=lv76VVZJ5lc
 


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(1º de junho, 2017)
CooJornal nº 1.031



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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