01/07/2017
Ano 20 - Número 1.035

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões

ADEUS, LINDA TUANE

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Certo dia Marlene adotou a linda cachorrinha quando esta ainda era bem novinha, tinha apenas um mês de vida. Logo Lena e sua filha Grasiele a “batizaram” de Tuane. Sua raça era Coker. Anos depois eu conheci Marlene quando esta veio a ser nossa amiga.

Anos se passaram até que eu precisei demais de Marlene durante a doença de minha segunda esposa. Ela foi imprescindível tanto para mim como para a minha Zezé. Esta fase durou cerca de um ano e meio entre o começo de 2002 e junho/2003. Finalmente naquele mês eu fiquei viúvo.

Cheguei a implorar à Lena que se dedicasse a cuidar de mim, de minha casa, já que eu escolhi permanecer morando sozinho aqui em Cabo Frio. Ela me atendeu prontamente e de repente eu já me vi incluído entre seus familiares. Eu já conhecera Tuane por algumas visitas que eu e minha saudosa esposa fizéramos a Marlene.

Seis meses após minha viuvez ganhei de presente de um sobrinho aquela linda bolinha de pelos que se chamava Touche Muraoca. Ele está conosco até hoje. Quando eu ia à casa de Marlene levávamos o Touche e este desde bem pequeno demonstrava ser um macho dos bons. Adorava azucrinar a linda Tuane deixando esta tonta, pois não era chegada às “brincadeiras” que o macho Touche queria fazer com ela.

No final do ano de 2004, Marlene mudou-se com a família para sua casa própria onde mora até hoje. Ela continuou a cuidar sempre de mim e de minha casa no bairro do Braga e eu me aproximei ainda mais do seu seio familiar. Touche foi crescendo e Tuane também, claro.

Meu cãozinho que é da raça Yorshire, portanto bem pequeno se comparado com Tuane, já conseguira “dobrar” a bela Lady Coker. Tenho fotos incríveis dos dois na maior intimidade brincando tanto na varanda como no jardim ou no quintal na nova casa de Lena.

De Tuane eu tive muitas oportunidades de fotografá-la como que posando propositadamente, se posso dizer assim. Era mesmo incrível além de muito bonita e com um ar de dama maravilhoso. Cachorros da raça dela costumam viver de 14 a 16 anos no máximo. Vejam que a nossa querida Lady Coker estava hoje com mais de 17 anos caminhando para 18.

Em relação aos seres humanos Tuane tinha bem mais de 100 anos, podem crer. Nos últimos tempos ela foi ficando doente, e Marlene sempre lhe deu o melhor de sua atenção. Não faltaram consultas médicas e exames os mais variados. Ocorre que Tuane já bem velhinha tinha até dificuldade em comer e ficara cega. Ela costumava andar em voltas sem saber direito aonde ia. Isto nos entristecia muito, sempre a amamos demais.

O peso dela chegara a apenas 7 quilos, praticamente o que pesa o nosso querido Touche, bem menor e da raça Yorkshire. Quando Lena saiu de casa com a irmã Josi levando no carro uma Tuane completamente combalida e com bichinhos a sair pelos olhos, fraca, magrinha, quase sem vida, imaginei o que seria o nosso dia seguinte.

Foram à Clínica que conhecemos e onde temos tratado nossos lindos cachorrinhos. O médico a examinou e sugeriu que a deixasse passar a noite lá sendo tratada com todo carinho e remédios. Nós conhecemos bem o zelo que eles dedicam aos animais. Lena voltou para casa meio desanimada, todavia havia uma tênue esperança de vida.

Na manhã seguinte telefonaram da Clínica pedindo que Marlene fosse até lá. Queriam falar com ela sobre Tuane. Já desconfiamos do que acontecera e não deu outra. Em lá chegando Lena foi informada do falecimento de Tuane durante a madrugada. Embora temêssemos por isso já esperávamos, não foi uma surpresa propriamente.

Marlene então autorizou a incineração da linda Lady Coker, uma das opções que ofereceram a nós. Restam-nos as lembranças, muitas, que teremos sempre da linda Tuane, sem dúvida alguma um membro de nossa família. Eu e Marlene já casamos há mais de nove anos.

Agora temos apenas o nosso lindo Touche, o pequeno e arteiro Touche Muraoca que, entretanto já está também meio velhinho com 13 anos. Este percebe que algo aconteceu e assim caminha algumas vezes pela garage e fica olhando a casa de Tuane com certa curiosidade, mas ela não mais sairá dali como antes.

A saudade que deve alimentar os pensamentos de Touche também nos invade constantemente, podem crer. Agora é continuar a viver com um de nossos entes queridos a menos. Adeus, linda Tuane.


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(1º de julho, 2017)
CooJornal nº 1.035



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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