15/12/2017
Ano 21 - Número 1.057

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões


BLACK FRIDAY OU BLACK FRAUDE?

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Desculpem, mas tem coisas que me tiram mesmo do sério. Uma delas é esta mania absurda do brasileiro em copiar o que vem de fora ignorando que temos um idioma dos mais ricos do mundo, com tantos e tantos recursos. Pobre povo brasileiro. Por isso as coisas acontecem até termos um Presidente que se diz inocente enquanto os Tribunais provam o contrário. Bem haja.

Eu quero me referir aqui a tal expressão que está a ser usada cansativamente em todos os veículos de comunicação pelo comércio deste Brasil. Ela começou e fez história, mas nos EUA e no Canadá, todavia em época de Páscoa, se não me engano. Quem quiser se informar melhor sobre o que digo pesquise no Google com calma e muito cuidado. Encontrarão as respostas.

Saudades do tempo em que liquidação era citada por aqui com esta e outras palavras que em português, língua pátria deste Brasil, se referem ao mesmo fato. Entretanto a partir de não sei quando o brasileiro resolveu dar mais uma de “macaquito” (como nos criticam los Hermanos argentinos) e nossas liquidações, nossas vendas com desconto, assim sempre antes anunciadas, passaram a adotar a tal expressão vinda dos States, ou a “Black Friday”.

Muita gente a usa sem sequer conhecer sua origem ou o motivo de sua colocação em situações em que prevalecem os descontos muito anunciados. Estes, por sua vez, hoje em dia alcançam cifras em que me recuso a acreditar. Você crê que alguém pode oferecer descontos de 70 a 90% em seus artigos na fase de liquidação? Desculpem, mas eu não creio, não mesmo. Acompanhem o monte de queixas que estão a ser registradas após as pessoas saírem da tal “liquidação!”.

Outro dia li, gostei e divulguei entre os meus amigos leitores uma crônica da jornalista de S. Paulo, a Marli Gonçalves, revoltada também com esta atitude do povo brasileiro. Claro que ela foi muito mais além do que eu pretendo neste texto, por isto aplaudi e muito seu trabalho. Ela foi mais fundo e com o talento que tem tornou o seu texto muito mais abrangente na crítica. Parabéns, amiga.

Vejam que o abuso, se eu posso dizer assim, do uso de uma expressão que nada tem a ver conosco nem com nossa história atualmente está se alargando exageradamente. De Black Friday (ou sexta-feira negra ao pé da letra) já há firmas usando expressões como “Black week” ou mesmo “Black Weekend” ou mesmo “Black Month” e vai por aí afora.

Já estão começando a anunciar até o que seria uma “Black Year”. Podem crer que não vai demorar a entrar no cenário de bobices esta e talvez outras expressões. E a gente tem que aturar, quando está a ver algo na TV, anúncios, alguns gritados bem alto, como se o telespectador fosse surdo, e tome expressões em inglês etc. Barbaridade. Se me recordo tudo começou por aqui quando as lojas passaram a usar, na época de suas liquidações, a palavra “sale” em suas vitrines. Esta significa venda em inglês, porém eles a usam com diversas explicações e aliada a outras expressões. Daí para a outra adaptação por aqui foi só um pulo.

Como para este tipo de estupidez eu tenho um pavio meio curto, não suporto, não aguento, então falo e critico mesmo. Pessoas próximas a mim, mais tolerantes, já disseram que tenho me tornado meio cansativo e/ou meio chato. Acredito que tenham razão, todavia elas ou eles não têm a mesma visão que eu, ou melhor não encaram este assunto da forma como a mim atinge. Desculpem, pois eu prometo me controlar, mas escrevendo estou mais solto e ninguém me cala não.

Outro dia eu ouvi um apresentador da Rádio Cabo Frio usar esta expressão: “Gente a tal de Black Friday, em certos casos, pode estar mascarando uma grande “Black Fraude” abram o olho”. Confesso que adorei, ri muito e o aplaudi aqui em casa sem ele saber o quanto ainda mais passei a admirá-lo. O radialista está carregado de razão e só não percebe quem se deixa cegar facilmente por estas e outras invencionices de um comércio que segue a linha de desrespeito ao idioma pátrio e outras coisas mais.

Aliás, cheguei a ver num jornal da TV na hora em que todos avançavam para pegar coisas que diziam estar com desconto um jovem carregando uma Tv grande e falar ao microfone que nem sabia o preço da mesma, mas ia levar. Querem absurdo maior que este? Sinceramente é um comportamento lamentável de uma gente que por isso tem talvez os políticos que tem etc e tal. Sinceramente, é uma vergonha. (Desculpe, Boris Casoy)

Você pode até usar certos “estrangeirismos”, todavia se procurar bem verá que não precisamos muito deles, embora eles não sejam de todo desprezíveis. Afinal, repito, temos uma língua muito rica e que pode dispensar expressões estrangeiras pelo menos algumas que acabam por se confundir até no seu uso por nossa gente. Parece que seremos colonizados o tempo todo, não tem jeito mesmo.



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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(15 de dezembro, 2017)
CooJornal nº 1.057



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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