01/01/2018
Ano 21 - Número 1.059

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



ANO NOVO MUNDO VELHO

Francisco Simões, colunista - CooJornal


Pois é, gente amiga, aqui estamos nós saindo de um ano que termina e entrando em outro que vem cheio de muitas promessas, descaminhos, ameaças, esperanças, sei lá mais o quê.

Vamos enfrentando uma realidade cada dia mais amarga plena de torturas que nos nocauteiam seja no particular seja no coletivo. Neste sentido refiro-me ao nosso país meio sem rumo e meio desgovernado, seguindo a caminho de novas eleições.

Pergunto: será que estas vão consertar alguma coisa? Como diz uma boa amiga minha... será? Não encho meu coração de muitas esperanças não, ademais já vivi mais do que o tempo que ainda me resta, com certeza. Promessas eu passei a vida inteira a ouvir, mas cadê as realizações? Será?

Quem quiser viver de sonhos e acreditar sempre que o mundo vai ser melhor no próximo ano que acredite, nada tenho contra, porém, acordem de vez em quando para nossa realidade, sim? Olhem pela janela do mundo e percebam que lá fora também pairam ameaças sobre nossas cabeças. E como pairam.

Talvez sejam felizes os que conseguem viver só vendo maravilhas e tocando o tempo da existência sem amor. Desculpe, amigo ou amiga, mas para mim não dá. Como diz a boa amiga gaúcha Sarita Barros em seu poema “Amor Salvação”. A base deste seu poema se apoia nesta afirmação: “Só no amor existe salvação.” É verdade, Sarita, concordo plenamente com você amiga.

Enquanto isto eu tenho vivido meus altos e baixos que o tempo ou a vida me têm imposto. Acredito que muita gente passa por estes momentos também, parece que quem determina nossa existência, seja lá o que for ou quem for, nos impõe algumas vezes cobranças que podem vir, como dizem alguns, de “outra vida” ou de outra existência. Não discuto, não desminto, nem nego, apenas respeito.

Eu nasci numa família muito católica e assim não poderia seguir em outro caminho, mas a verdade é que com o tempo certos acontecimentos me empurraram para outras visões, outros pensamentos, outros caminhos no que se refere ao que diríamos ser religião. Tive outras experiências só nunca me considerei ateu, mas respeito estes e tenho ótimos amigos que o são por pura convicção.

A verdade é que ninguém, eu acredito que ninguém mesmo, pode assegurar ser esta ou aquela religião a verdadeira. Afinal nós, cristãos, acreditamos em Deus e na minha visão Ele está em toda parte, não apenas nos templos. Se eu estiver errado só o saberei após minha partida desta vida. Enquanto isto, nós vamos vivendo empunhando as bandeiras da paz, do amor, da esperança, e respeitando as diferenças acima de tudo. Ninguém pode se considerar dono de qualquer verdade.

Repito o título deste meu texto: “Ano Novo Mundo Velho”. O que virá pela frente é sempre uma incógnita sabemos apenas do que já vivemos. Nosso velho mundo parece não criar juízo ou ele assim o é porque quem o comanda não o tem, ou seus interesses falam mais alto que o interesse da maioria, isto é, do povo. Este acredita sempre quando vota que está fazendo o melhor, ou nem todos, afinal há sempre quem troque seu voto pelos mais variados interesses. Não me venham com churumelas, pois.

Os fogos de artifício no último dia de cada ano apenas nos envolvem numa fantasia que se estende pelos shows que ocorrem em palcos montados em certas praias durante alguns minutos. As pessoas se juntam aos milhares, vibram, cantam, bebem, e fogem da realidade por certo tempo, mas depois acabam acordando novamente e aí... é vida que segue e esta vida não promete só alegrias e festas no correr do seu tempo.

Contrastando com nossa idade vemos nosso netinho que está completando um ano de vida. Ele nasceu bem ao começo de 2017. Mostra que é esperto e cada dia mais procura se comunicar com este mundo que para ele é novo, ao qual acaba de chegar. Benjamin é uma gracinha e ainda vai demorar a entender a lógica, ou a falta dela, tanto de cada Ano Novo como deste Mundo Velho.

Nós já tivemos nosso começo de vida há muito tempo, e bota tempo nisso. Esperamos que nosso Mundo Velho traga vida mais repleta de alegria de modo que tanto Benjamin como outras crianças que chegam trazendo nova vida possam ajudar a construir a realidade com que sonhamos, todavia não nos foi dado conhecê-la.

Mas nós temos sabido viver o melhor que podemos dentro de nossas limitações sem ignorar o próximo, por mais distante que ele possa estar de nós. O egoísmo jamais esteve integrado em nossas atitudes, muito pelo contrário. Assim sendo, não obstante eventuais desilusões, viver é e sempre será uma arte.

Vamos driblando dificuldades, vencendo desilusões, procurando plantar o amor e a paz onde até possam germinar ervas daninhas. Jamais nos deixaremos vencer pela desesperança ou pelo medo. A vida é um dom maravilhoso e a nós compete valorizá-la. Ano Novo Velho Mundo e nós remando a favor ou contra as correntes de modo que jamais nos abateremos enquanto vida nós tivermos.

Feliz Ano Novo para todos que nos leem.



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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(1º de janeiro, 2018)
CooJornal nº 1.059



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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