01/02/2018
Ano 21 - Número 1.063

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



POR QUÊ?

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Até alguns anos atrás não se falava em dengue, nem chicungunya e muito menos na tal de “febre amarela” já banida de nosso país há muitas décadas. Pois é, tudo ia bem até certo ponto, porque sobre política, educação, saúde não se pode dizer que estivemos bem nos últimos anos, de forma alguma.

Mas no ano de 2010 de repente eu senti sintomas de uma gripe meio forte, o que não me é habitual, já que quando tenho é apenas um resfriado alérgico e sei lidar com ele muito bem sem grandes medicamentos. Conforme o caso, eu uso apenas inalações de Transpulmin ou se o corpo estiver meio mole tomo uma aspirina C e logo me refaço. Apenas isto. Hoje eu nem posso tomar os tais antigripais que têm efeitos fortes, conforme recomenda meu cardiologista, Dr. Ricardo Azevedo.

Voltando aos tais sintomas que senti em maio/2010 eu acabei descobrindo que havia pegado a tal de dengue, ou ela me pegara, melhor dizendo. Tive apenas dois dias de febre baixa e o pior foi começar a não sentir o paladar. Para me alimentar eu tinha que procurar “engolir” a comida tomando-a com água. Parece estranho, não, mas vejam que eu precisava comer sim, porém nada descia. Precisei mesmo forçar minha alimentação para não ficar fraco. Tratei de ser prático e me dei bem.

No mais eu segui sempre a orientação do meu médico de homeopatia há quase 40 anos, o Dr. Carlos de Faria. Após uns 6 dias tudo havia terminado e eu voltara a me sentir muito bem. A partir daí passei a tomar uma vez por semana, o que faço até hoje, uns pequenos tabletes, fórmula do mesmo médico. Marlene minha esposa também os toma já há anos. O sentido é que caso possa se ter algo como eu tive antes os sintomas serão bem mais fracos. Eu sou adepto de homeopatia desde 1982.

Nos anos seguintes aumentou a divulgação de cuidados contra a dengue. Até vacina inventaram e começaram a aconselhar que se tomasse. Afirmo que não as tomei nem tomarei. Depois da “onda” da dengue veio a seguir, se vocês se lembram, as denúncias de uma tal de chicungunha, ou chikungunya. O mesmo mosquito, ou sua fêmea, dizem ser quem transmite as tais doenças.

Fizeram muita gente correr para se vacinar, já que o contágio poderia ocorrer em qualquer parte visto que os tais mosquitos estão tanto em cidades do interior como em cidades maiores e capitais. Tudo bem. Devem ter vacinado muita gente. No ano seguinte ainda alardearam os riscos de se pegar as mesmas doenças. E tome vacina para quem nunca se vacinara antes.

Eu tenho procurado ser cauteloso usando o spray repelente antes de minhas caminhadas feitas aqui mesmo no quintal de nossa casa. Minha esposa faz o mesmo. Aliás, pelo que sei o tal mosquito que pode transmitir as doenças acima referidas atua mais pela manhã. Hoje, com 81 anos, não mais me animo a caminhar pelas ruas face aos buracos e outras deformações que podem acabar por nos derrubar ao solo.

No ano passado de 2017 e neste atual de 2018 parece que deixaram de lado tanto a dengue quanto a outra doença de nome complicado. Quando se referem a elas na mídia é muito de passagem não dando maior destaque nem alertando para as medidas a serem adotadas no caso de adoecerem por elas.

O que se viu e ouviu e muito, e continuamos a ouvir agora, são notícias sobre a morte de alguns macacos, porém somente em zonas de florestas, jamais em cidades, ou em ambientes urbanos. Pelo visto, macaco não pode mais morrer que gera pânico! No começo esperavam que fosse feito o exame nos macacos mortos para saber-se a causa das mortes. Só depois de confirmada alguma morte pela febre amarela então começavam a anunciar a necessidade de pessoas que vivem ou frequentam zonas de florestas se vacinarem por precaução. Muito justo.

Infelizmente alguns seres ditos humanos passaram a matar macacos “com medo da transmissão da doença”. Pura irracionalidade para não dizer coisa pior, já que os macacos são nossos aliados, jamais transmitem a doença. Embora isto esteja a ser dito na mídia, a maioria das pessoas, como que apavoradas, têm tomado vacinas, muitas delas morando em zonas totalmente urbanas nas quais tem sido informado que desde 1942 nunca mais houve qualquer caso. Isto tem feito acabarem estoques de vacinas que poderiam vir a ser utilizadas por quem realmente precisa.

Por outro lado, ocorre que as informações na grande mídia parece confundirem as pessoas visto não terem outro assunto para comentar (!?) e assim vivem a dar ênfase à morte de qualquer macaco mesmo antes de terem certeza de que ele faleceu motivado pela febre amarela. Ouçam os noticiários e verão que é verdade. Percebo certa pressa em difundir o perigo da tal doença em vez de alertar que não vivendo nem frequentando lugares de floresta, ou nem visitando locais onde existem muitas árvores, pelo menos por ora, as pessoas não precisam tomar a tal vacina.

Assusto-me ao ver nossa gente, aos milhares, em filas intermináveis até mesmo em capitais, ou cidades como aqui, em plena região praiana do Rio, à busca de vacina. Pior é que mesmo sem comprovar que irão frequentar algum dos lugares acima referidos, as vacinas são usadas nestas pessoas, o que acaba por prejudicar quem possa delas realmente precisar. Também pior é ver que nossa gente está sendo algumas vezes estimulada a se vacinar independente de onde esteja ou onde resida ou aonde vá. Desculpem, mas isto está completamente na contra mão do que deve ser feito.

Reparem que hoje dizem ter morrido pessoas aqui e ali, citando o nome de cidades, porém nem sempre se preocupam em dizer que foi em zonas perigosas, ou suspeitas, como sendo de matas fechadas. Aí aumenta a correria para as pessoas se vacinarem.

Por quê? Aplaudo os médicos sérios que ainda vêm a TV explicar a verdade dos fatos e pedindo moderação, jamais o pavor e a correria que acaba por prejudicar quem realmente necessitar ser vacinado. Desculpem, mas eu não entendo a posição de certa parte de nossa mídia nem de autoridades nesses casos. Por que fazem isto, por quê?


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Comentários sobre o texto podem ser enviados ao autor, no email fm.simoes@terra.com.br

(15 de janeiro, 2018)
CooJornal nº 1.061



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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