15/04/2018
Ano 21 - Número 1.073

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



RECORDAÇÕES E SAUDADE

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Foi bem no começo de Janeiro/2004 que um sobrinho veio até Cabo Frio, bateu em minha porta e anunciou: “Simões eu vim te trazer um presente, não sei se vais querer, mas aviso que tens o direito de recusar, certo?”

Presente dificilmente a gente recusa, ainda mais de pessoa amiga. Eu estava curioso quando o meu sobrinho Glauco trouxe algo embrulhado num bonito pano e me entregou o tal presente. Logo vi que se tratava de um cachorrinho bem pequeno, todo pretinho e lindo demais.

Ele parecia uma bolinha de pelos meio assustado em busca de um lar e de amigos. Confesso que me emocionei, assim como Marlene que estava ali ao meu lado. Nem precisamos dar-lhe algum nome, pois Glauco mostrou-me os documentos que o identificavam tendo nome e sobrenome, além da filiação. Ele se chamava Touche Muraoka.

Touche nascera no dia 1/Dezembro/2003, portanto tinha apenas um mês de vida. Era da raça Yorkshire, pequeno, bem peludinho e lindo demais. Eu nunca tivera algum cachorro, seria a primeira vez, todavia foi paixão à primeira vista com certeza. Tanto eu quanto Marlene amamos o presente.

Nos primeiros tempos eu tive que ir me acostumando a lidar com o lindo Touche. Ainda bebê ele costumava eventualmente a chorar de madrugada, e como eu dormia no meu quarto no segundo andar e ele ficava na caminha dele no térreo, eu então descia a escada e ia consolá-lo.

Algumas vezes dei esta assistência a Touche, que agradecido parava de chorar e dormia. Marlene também se entrosou muito bem com ele e Touche adorava Lena. A convivência dos dois era mesmo emocionante.

Imaginem que Marlene começou a ensinar Touche como subir com segurança a escada que levava ao andar de cima de minha casa. A esta altura ele já era mais crescidinho. Mesmo assim, subia com certo receio de errar o passo e cair. Lena foi ótima professora e assim procurava evitar que ele andasse pelo lado direito da escada e pudesse cair pelos espaços abertos do corrimão.

Um belo dia nós vimos Touche subir sozinho, sem ajuda, mas sempre muito cauteloso fazendo tudo como Marlene o ensinara. Ótimo aluno, nosso lindo cachorrinho era amado por todos que o conheceram. Um dia uma de nossas vizinhas “distraidamente” deixou sua cachorrinha, também yorkshire, em nossa casa por algumas horas. Foi o tempo suficiente para o bravo Touche ter com ela uma bela lua-de-mel.

Daquele ato de amor, digamos assim, nasceram, vejam só... sete filhotes. Depois de algum tempo Marlene conheceu uma senhora que possuía outra linda cadela com pelos pretos, misturados com marrom e dourado, uma graça. Lena convenceu a tal senhora a levar sua cachorra para conhecer nosso Touche. Amigos e amigas, quando os dois trocaram olhares foi amor à primeira vista.

Nem preciso dizer o que aconteceu, afinal repetiu-se a lua-de-mel e Touche parecia mesmo apaixonado por Sabrina. Daquela união nasceram duas lindas cachorrinhas, uma que ficou conosco, a Safira, bonita, carinhosa, cheia de amor por Marlene, principalmente. Sabrina, entretanto faleceu repentinamente por problemas cardíacos, mas Safira viveu conosco ainda uns bons anos, falecendo também justo numa noite de Natal. Ficamos muito tristes, porém a vida nos deixara Touche.

Pessoas entendidas nessa raça dizem que estes cachorrinhos costumam viver no máximo 10 anos. Pois tivemos muita sorte visto que Touche viveu mais de 14 anos em nossa convivência. Quando íamos passar uns dias no Rio, em Ipanema, ela ia sempre conosco. Pela manhã dava uma volta com Marlene e à noite também. Aliás, ele não abria mão disto.

Quando Marlene voltava de sua caminhada matinal tocava nosso interfone e ele começava a se agitar e latir muito. Eu pegava a coleira e a colocava no elevador junto com o Touche que disciplinadamente descia, acreditem, até o térreo. Isto durou anos, muitos anos mesmo. Ele nos ajudou a sermos felizes.

Quem o conhecia sempre se apaixonava por Touche, fôssemos onde fôssemos. Sua grande amiga e companheira de tantas “fofocas” e lindas fotos em nosso jardim foi a falecida Tuane, A “Lady Coker”, como eu a chamava, que pertencia a Marlene e faleceu com 17 anos de vida.

Com o tempo Touche começou também a dar sinais de envelhecimento e assim foi ficando cego, além de ir perdendo o apetite, e com o tempo começou a se desinteressar de viver. Lamentamos muito, mas como o médico disse nada mais havia a fazer por ele. Afinal sua raça costuma viver, como eu já disse, uns 10 anos e ele já fizera 14 anos no dia 1/dezembro/2017. Hoje sentimos muito sua falta e jamais o esqueceremos, com certeza. Ficaram as inúmeras lembranças em centenas de fotos que temos de Touche, ora só, ora com Tuane, ora com Safira, ora com Marlene etc.

A foto que acompanha este texto foi feita há alguns anos em meu apartamento de Ipanema, no Rio. Como eu digo no título desta crônica hoje restam “Recordações e Saudade”, muitas, muitas, muitas mesmo. Adeus querido Touche.







Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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