04/06/2018
Ano 21 - Número 1.079

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



AS MINHAS TRÊS MÃES

Francisco Simões, colunista - CooJornal


Na crônica anterior eu deveria aproveitar a comemoração do Dia das Mães no segundo domingo de Maio e reverenciar a memória da minha mãe, ou melhor, das minhas três mães. Infelizmente motivos alheios à minha vontade fizeram com que eu escolhesse outro texto já escrito.

Hoje venho corrigir o que antes não me foi possível fazer. Alguns que me leem devem estar surpresos com o fato de eu me referir às minhas três mães, pois acreditem que é verdade. Apenas meus familiares conheceram pelo menos minhas duas primeiras mães a terceira veio muitos anos depois quando me casei pela terceira vez, desta feita com Marlene e conheci D. Thereza, então minha sogra.

A primeira delas, como a de todos os meus outros nove irmãos/irmãs, foi D. Ana Rosa Simões dos Santos, aquela que me trouxe e a eles e elas ao mundo também. Nosso pai foi o saudoso português Manuel Mário Cabral dos Santos. Ele me ensinou a gostar da boa música clássica, a ler livros, e a escrever também.

Nossa mãe Ana Rosa, já falecida há alguns anos, um dia acolheu em nossa casa uma jovem magrinha, encabulada, irmã de um dos funcionários do meu avô na Fábrica do Guaraná Simões. Ela foi morar conosco e assim passou a ajudar nossa mãe em alguns dos afazeres diários. Carmen Pinheiro era o seu nome de batismo, mas lá em nossa casa logo passaram a chamá-la por Carmita.

Na intimidade alguns de nós logo a batizamos de Dindinha. Sendo eu o primogênito de dez irmãos e irmãs, acabei tendo os cuidados de Carmita que sem querer passou a agir como se fosse minha nova mãe. Não que D. Ana Rosa tivesse me deixado de lado, isso nunca, todavia a ajuda de Dindinha foi muito bem aceita em nossa família.

Logo esta começou a controlar os meus afazeres e quando eu já estava estudando era Dindinha quem não só conferia os exercícios de casa que eu fazia como não deixava que eu os largasse de lado para ir à brincadeira. Ela agia com certo rigor, todavia sem exagerar em suas atitudes.

Sendo sempre atenciosa, educada e muito carinhosa para com todos, comigo ela controlava tudo até o horário de eu ir para a cama assim como o de eu me levantar logo cedo. Sempre gostei de praticar exercícios desde muito novo e levei este hábito por grande parte de minha vida. Hoje com 81 anos eu não abro mão de minhas caminhadas diárias, ainda que no quintal de nossa casa, além de fazer outros pequenos exercícios. Já pratiquei muito de Yoga no passado também.

A única vez que, aluno quase exemplar que eu era, decidi fazer “gazeta” e não entrei no Colégio Nazaré, mas fiquei brincando no Largo de N. Sra. de Nazaré, alguém conhecido me viu e avisou justo à Dindinha. Minutos depois ela apareceu onde eu estava e me deu o flagrante. Sem estardalhaços ela me passou uma lição de moral e me fez ver que aquilo não deveria jamais se repetir. Nunca mais faltei a qualquer aula.

Posso dizer que Dindinha foi o “anjo bom” em minha vida, pois com seu instinto materno, ela que nunca casou nem teve filhos de verdade, adotou a mim e a outros irmãos meus ajudando por demais minha verdadeira mãe não só na nossa educação como nos encaminhando para uma vida segura e feliz. Se algum dia eu cometi erro ela jamais teve culpa, eu assumo minha total responsabilidade quando já era adulto. Eu era então como se diz dono do meu nariz.

Imaginem que quando eu me formei Oficial da Reserva no C. P. O. R. de Belém após quase dois anos de estudos e muito trabalho, foi Dindinha Carmita quem compareceu como minha madrinha na festa de formatura. Tenho esta foto que registra um dos momentos mais lindos de minha vida.

Passados uns bons anos minha mãe Ana Rosa faleceu e alguns anos depois foi Dindinha quem partiu deste mundo. No dia que eu soube de seu falecimento senti muito e comecei a escrever para ela e por ela um poema que intitulei “O Dia seguinte”. Foram os versos mais inspirados que eu já escrevi no conjunto de poemas que tenho no meu arquivo. Ela mereceu todas as palavras, todos os versos, com certeza. Se alguém quiser conhecê-lo, pode me pedir que eu o enviarei.

Hoje, neste ano de 2018, estou casado pela terceira vez há dez anos. Com Marlene, minha atual esposa, conheci D. Thereza Maria Cândida, minha sogra que veio a morar conosco a nosso convite. Podem acreditar ela jamais agiu como sogra, pelo contrário, D. Therezinha eu passei a considerar minha terceira mãe pela forma carinhosa com que sempre me tratou e pelos exemplos que sempre me doou.

Quis o destino, ou Deus, que ela partisse desta vida longe de nós fisicamente, pois seu desenlace ocorreu em sua terra natal, Bom Jesus do Norte (ES), numa das vezes em que lá fora visitar familiares. Sinceramente eu me considero hoje órfão de três mães que tiveram seu papel de destaque em cada fase de minha já longa vida.

Sou agradecido a cada uma delas que me amaram e souberam nortear minha longa caminhada. Cada qual a seu tempo ensinaram-me muito, deram-me amor, foram mãe sempre amiga ajudando-me a escrever um destino no qual eu soube vencer barreiras, me erguer de quedas que a vida sempre nos promove, e ser o homem que hoje agradece o bem que minhas três mães me proporcionaram. Obrigado por tudo, minhas três mães.




Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com



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