16/08/2018
Ano 21 - Número 1.089

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



ESTE MUNDO CONECTADO

Francisco Simões, colunista - CooJornal


Recentemente nós passamos duas semanas no Rio, mais especificamente em Ipanema, como ocorre todo ano. Não contávamos com a brutal mudança de tempo e com o frio e a chuva quase constante que também iriam chegar por lá. Barbaridade.

Poucos dias eu me animei a ir à rua para passear um pouco, visto que a friagem e o constante sereno justamente a partir de após o almoço davam em mim um desânimo maior quase toda tarde. Ainda assim consegui andar com minha esposa uns poucos dias e rever lugares, lojas e pessoas amigas.

Andando pela Visconde de Pirajá e adjacências acabei me reencontrando com este tal de “mundo novo”, quase todo conectado onde muitas pessoas mais parecem robôs humanos. Elas andam pelas ruas, tal qual em nossa querida cidade de Cabo Frio, claro que guardadas as devidas proporções, sempre grudadas a um celular.

Eles e elas passam por nós a falar e alguns mesmo a gritar discutindo com alguém que nós não vemos e que deve estar do outro lado da linha do infernal aparelho. Quando entrávamos em algum lugar para lanchar ali mesmo víamos várias pessoas que não desgrudavam seus olhos do referido celular. Pareciam hipnotizadas a ler nas tais redes sociais.

Estas nós sabemos que podem ser de grande utilidade se bem usadas e em determinadas situações, assim como também se tornam uma arma quando usadas por pessoas irresponsáveis que divulgam as tais “fake”, ou notícias falsas, e as que sem qualquer confirmação dos fatos acabam por repassar a outros o que leram como sendo algo verdadeiro.

Não sou contra o uso do avanço dessa tecnologia, de forma alguma, sou sim e serei sempre contra o exagero que leva muita gente em verdade a se tornar verdadeiros “escravos” do minúsculo aparelho. Muita gente não percebe que usando os tais celulares na rua indiscriminadamente estão a dar chance à bandidagem que pode assaltá-los sabe-se lá com que consequências.

Tenho que reconhecer isto não ocorrer apenas por aqui, de forma alguma. Imagens que vêm de longe, de outras terras, comprovam que a “doença” de um comportamento inadequado atinge hoje o mundo inteiro. O ser humano parece que perdeu completamente a capacidade de estabelecer limites no seu comportamento no que se refere também ao uso dos celulares. Poucos conseguem distinguir essas diferenças.

O pior é que se falamos algo a alguém sobre o exagero a que me refiro aqui, infelizmente muitas vezes nós é que somos mal vistos por aqueles. Vejam que não me refiro apenas a pessoas estranhas ao nosso meio, não, incluo pessoas mais próximas a todos nós, e isto acontece quase que diariamente.

Digamos que alguém lhe visita levando sempre o aparelho na mão. Repare que enquanto a pessoa está com você boa parte da atenção dela não vai para o seu papo, não, mas se destina ao que está no infernal celular. É como se ele fosse mais importante sempre do que qualquer conversa qualquer assunto qualquer fato ocorrido durante sua visita. Felizmente há exceções, poucas, mas há, eu reconheço.

Alguém pode pensar que eu nunca uso celular, pois lhes afirmo que tenho sim, embora ele seja bem pequeno, da marca Sansung, e comigo é usado apenas para eu falar e ouvir, ou seja, como telefone mesmo. Jamais fiz uso da internet que me oferecem no tal aparelho, pois esta eu domino apenas no meu computador fazendo coisas úteis, como pesquisas e inclusive escrevendo crônicas, repassando outras de que gosto muito, e respondendo a mensagens que costumo receber de cerca de uma centena de amigos daqui e do exterior.

Do jeito que caminha a humanidade no que se refere a estes avanços tecnológicos, não obstante os imensos recursos úteis que aqueles aparelhos poderão nos proporcionar, não resta a menor dúvida, por outro lado certamente ainda maior será o “exército” formado por pessoas que andarão sempre como robôs escravos das referidas maquininhas pelas ruas afora.

Deveremos ter que comemorar os efeitos benéficos daqueles avanços sabendo que muitos sequer perceberão isto, visto que estarão sempre se comportando como naturais “escravos” do desenvolvimento dessa tecnologia. Incoerências deste mundo conectado...






Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com



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