16/10/2018
Ano 22 - Número 1.097

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



ORA DIREIS, ELEIÇÕES (II)

Francisco Simões, colunista - CooJornal


Eu me recordo bem que tinha meus vinte e poucos anos quando exerci meu dever cívico de votar pela primeira vez na vida. Na época recordo ter votado em Jânio Quadros para Presidente. Ele vinha de ser Governador do Estado de São Paulo em 1951 e carregava uma fama muito forte de ser um incansável combatente contra a corrupção e outras mazelas. Era o homem da “vassoura”. Lembram?

Antes de ser Governador ele fora deputado estadual e a seguir Prefeito de São Paulo. Pois é, ao se candidatar para Presidente acabou tendo como vice João Goulart. Havia outros candidatos para a posição de vice, mas acabou vingando o nome de João Goulart que já fora vice na eleição de Juscelino.
Os dois politicamente eram de direção completamente opostas, isto é, enquanto Jânio era conservador, filiado da UDN, Jango, ou João Goulart, era declaradamente um homem de esquerda.

Jânio teve uma votação por demais expressiva e a esperança dos brasileiros era muito grande de que ele além de fazer uma limpa na política colocasse este país nos trilhos certos. Entretanto o que se viu após Jânio assumir a Presidência foi ele, em rompantes esquisitos, meter-se com briga de galo, biquínis nas praias etc.

Falava-se muito que Jânio vez ou outra gostava de tomar bebida alcoólica e parece que não eram atitudes eventuais não. Ocorreu que certo dia quando viajava num avião Jânio num rompante de ânimo renunciou ao cargo de Presidente. Até hoje há muita dúvida sobre os verdadeiros motivos que o levaram a tomar aquela malfadada atitude. Pegou quase todo o país de surpresa. Grande decepção. Assumiu Jango.

Não pretendo me estender aqui no que aconteceu depois. Jamais eu teria a pretensão de dar neste texto alguma aula de História, de jeito algum. Uma visita séria ao Google certamente orientará todos que desejarem conhecer os fatos que ocorreram a seguir. Eu, jovem ainda, fui tomado por decepção muito grande como quase todo nosso povo.

Como se diria hoje a grande esperança que eu e tantos outros brasileiros depositaram em Jânio Quadros acabou logo se transformando em “fake news”. Este foi meu primeiro voto e minha primeira decepção com o candidato escolhido.

Continuei a votar, já que neste país o voto era e continua a ser obrigatório. Tive, com certeza, algumas alegrias, mas outras várias decepções. E como as tive amigos e amigas. Diga-se de passagem que neste planeta Terra nosso país é das poucas nações que ainda mantêm o tal voto obrigatório. Alegam que se não for assim o brasileiro pode não votar.

Entretanto o que se viu agora na atual eleição para Presidente, mesmo com o voto obrigatório, pouco mais de 20% de nossos patrícios não compareceu às urnas. Isto significa que mais ou menos uns 30 milhões de eleitores não votaram ainda que esta disputa esteja muito acirrada.

Na altura dos meus 82 anos de vida e tendo passado por várias eleições em que antes eu nunca me ausentara no voto decidi não mais exercer o tal direito inalienável e também não compareci à urna. Facilitei a tarefa de minha esposa eleitora aqui de Cabo Frio enquanto meu título sempre foi do Rio, em Ipanema.

Mudando o rumo do assunto que enfoco faço questão de dizer que acompanho os noticiários e concordo plenamente com os comentários do Sr. Boechat da Tv e rádio Bandeirante. Ele tem dito e reafirmado que há muito exagero no que dizem notadamente pela imprensa estrangeira de que seja de quem for a vitória no segundo turno a tendência é nosso país mergulhar ou nos exageros de uma extrema direita ou de uma extrema esquerda, tipo Venezuela.

Apoio o Sr. Boechat porque apesar da acirrada disputa não vejo hipótese nos exageros de temores estrangeiros. O que temos, e todos sabem muito bem, é um candidato de direita, o Sr. Bolsonaro e outro da esquerda, Sr. Hadad, cujo Partido governou este país durante quase duas décadas, com acertos, mas também erros.

Não me parece estarmos à beira de algum caos. Nossas Forças Armadas estão muito conscientes de seu papel numa democracia que pretendem preservar, seja quem for o vencedor. Quem promove a ideia de confronto entre ideais diferentes são uns poucos patrícios que hoje brigam por qualquer motivo ou mesmo sem motivo aparente, seja no futebol, na política, em família, meu Deus para onde caminhamos assim? Na internet nas tais redes sociais dizem o que querem, mas tudo à distância da realidade.

No primeiro turno das eleições nossa gente tirou dos poderes legislativos, Câmara e Senado, muitos que lá estavam faz tempo e que tentavam a reeleição. Aconteceu algo parecido na eleição para governadores em alguns Estados. Julgo ter sido uma boa atitude esta renovação ainda que alguns não acreditem. Vamos aguardar.

Agora os dois candidatos que foram ao segundo turno buscam algumas alianças. Acredito que em certos casos as adesões procuram mais obter alguma vantagem do que apoiar por julgar este ou aquele ser o melhor para o país. É uma pena, todavia mesmo assim tenho a minha torcida isolada também.

Quem eu quero que ganhe? Ora, pois, que vença aquele que seja melhor para o nosso Brasil. O povo saberá decidir com certeza.







Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
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