16/12/2018
Ano 22 - Número 1.105

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



ANTIGAMENTE ERA ASSIM

Francisco Simões, colunista - CooJornal



Outro dia quando eu escrevi sobre o “politicamente correto”, declarando-me inteiramente politicamente incorreto, recebi alguns apoios muito bons. Confesso que houve uns que até me surpreenderam. Outros eu já esperava.

No dia em que começo a redigir este artigo digo-lhes que ao acordar e ir até a cozinha eu me deparei com minha esposa vendo no seu celular um vídeo muito lindo, enviado por minha mana de Belém, a Maria Luiza. Fiquei exultante embora conheça outros parecidos. Relembrei muito do que vivi até alguns anos passados.

O título do tal vídeo era exatamente o que uso agora neste texto. Hoje aos 82 anos de vida e relembrando minha infância e juventude, ou algo mais um pouco, percebo que já fomos bem felizes e sempre achávamos que o futuro seria muito melhor como afirmavam meus pais e avós. Bolas, eu cheguei ao tal futuro e aí...

Não sou retrógado, não sou mesmo, porém também não aceito nem aplaudo tudo que hoje alguns tentam nos fazer engolir como sendo melhor ou mais perfeito que antigamente. Quem desejar me criticar que o faça. Eu respeito, mas não ligo mesmo.

Para alguns a vida passada era retrógada, isto porque eles não estavam lá e não viram com olhos da época o que era nossa realidade. Desde os 16 anos eu procurei trabalhar mesmo não precisando, segundo meus pais, aprovado em concurso público da Rádio Marajoara, e enquanto isto ainda terminava meus estudos no Colégio Nazaré e ao mesmo tempo servia ao Exército no CPOR de Belém do Pará.

Não obstante os temores de minha família eu jamais perdi sequer um ano no Colégio Nazaré e me formei, com muita honra, Oficial da Reserva no CPOR. No Colégio eu tinha mesmo que estudar e muito e ainda enfrentava vez ou outra algum castigo dos mestres que me privavam de ir ao recreio por algo errado, no entender deles, que eu fizera em certa aula.

Jamais me queixei de bullying ou coisa parecida. Nós precisávamos ter notas suficientes para sermos aprovado e passar de ano. Hoje o que vejo é que, segundo me parece, até tornaram “proibido reprovar”!! Este é o tal futuro. Vejo alunos usando celular até em sala de aula, o que tentam proibir, mas parece ser difícil. Na minha juventude nem tínhamos este tipo de ajuda externa, ou estudávamos para valer ou íamos à reprovação. Repetir o ano era como se dizia aos que eram reprovados.

Quando ouço dizer que “hoje se vive mais” eu pergunto: “Vivem mais como?” Esquecem-se de que os que agora ainda vivem mais em anos, ou muito mais, vieram de lá, de bem longe, dos tempos que alguns deles criticam! Dos que nasceram mais recentemente infelizmente o que se vê é muita gente vivendo pouco porque se houve avanços tecnológicos, e vários, é verdade, igualmente em diversas outras áreas, também tem havido avanços em várias doenças que até já haviam dado como eliminadas. Por que isto? E é vacinação para todos e contra tudo!?

Também hoje lamentavelmente tem havido proliferação no âmbito de vícios os mais diversos e a tal violência está ainda num crescendo assustador a destruir famílias inteiras. É verdade ou estou mentindo? Necessito reconhecer que este futuro tão esperado por nós que viemos de bem longe tem nos decepcionado bastante sob muitos aspectos. Alguns já querem até ir morar em Marte!!! Que é isto gente?!

Nas tais redes sociais, na internet, muitos ficam a contar tudo ou quase tudo sobre o seu dia a dia, como se necessitassem ficar a dar satisfação do que fazem ou do modo como vivem. Observo isto nas redes sociais de parentes, pois eu não as frequento por decisão pessoal, nada contra. Prefiro o velho estilo agora substituindo as cartas de antigamente pelos tais e-mails. No mais uso o espaço que me concedem para desabafar e comentar o que julgo necessário deva ser feito, sempre sem censura, claro.

Nossa realidade atual atira por terra todos os nossos sonhos, ou quase todos, de vivermos dias melhores. A tal corrupção que neste país proliferou demais em diversas esferas, começando pela política, levando grande parte de nossa gente a viver na miséria ou quase, não é privilégio dos brasileiros. Infelizmente não é mesmo.

Se há países em que a mesma existe em pequeno nível, o fato é que seja na Europa, na Ásia, na África, além da nossa América do Sul e América do Norte, vemos com tristeza os povos se revoltando contra seus governantes. Milhões de seres humanos vivendo à míngua de quase tudo, implorando alguns por água e comida a morrer de fome e sede.

Enquanto isto os mandantes, muitos deles adeptos da tal corrupção, esbanjam uma vida impregnada de exageros mesmo sabendo que seu povo tenta viver, ou sobreviver, na miséria ou quase nela. Falando de nosso país, é só acompanhar o noticiário e comprovar o que digo ao ver tantos “respeitados senhores” hoje apanhados pela “Lava Jato” da Polícia Federal. Estes demoraram a surgir, mas enfim estão aí tentando por ordem nas coisas prendendo pessoas eleitas nos mais altos cargos de nossa República.

Não foi o povo que votou mal, não, a verdade é que muitas das vezes, ou das eleições, nem tínhamos escolha melhor. Ainda que olhemos para este ou aquele lado parece que tudo ou quase tudo estava contaminado pelo vírus da tal corrupção. Oh mundo, oh país, para onde caminhamos?

Nossa esperança agora se renova. Será que consertaremos o que de há muito está completamente errado ou contaminado? Tomara que dê certo. Tenho neto e quero vê-lo num mundo melhor. Feliz Natal para todos, amigos e amigas leitores.






Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com



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