01/01/2019
Ano 22 - Número 1.107

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



GENTILEZA GERA GENTILEZA

Francisco Simões, colunista - CooJornal




Eu conheci pessoalmente há muitas décadas o “profeta” que perambulava pelas ruas do Rio pregando a paz e o amor. Alguns o consideravam louco, mas eu sei que ele não o era totalmente não, quando muito apenas sofria o fato de ter perdido um filho no incêndio que ocorrera num circo em Niterói.

Vejam que naqueles anos não tínhamos o clima de violência que hoje cada dia parece se espalhar mais por nossas ruas. Os tempos de hoje se ocorressem quando o “profeta” pregava a paz certamente ele teria sido banido, quem sabe até morto por alguém menos pacífico.

Hoje se mata por qualquer motivo ou mesmo sem motivo. A violência penetrou em lares onde hoje se vê pai que mata filha ou esposa, filho que mata pai ou irmão, etc. Hoje qualquer divergência que ocorra entre casais geralmente é “resolvido” na bala, ou seja com a violência que campeia por nossas ruas e invade agora nossos lares também.

Lamento muito o sinal destes tempos, pois esperava ter uma velhice num país e em tempos muito mais amenos e pacíficos. Infelizmente mergulhamos num descontrole total das autoridades sobre a marginalidade. Isto não ocorre apenas no Rio de Janeiro, não, porém é mais destacado nesta cidade.

O título deste texto era usado pelo senhor Gentileza em painéis e sempre ele pregava a paz, o amor, no lugar de uma eventual violência. Eu o respeitava, pois para além do problema que a vida lhe atirou com tamanha tragédia, ele jamais faltava ao respeito com alguém.

Infelizmente transeuntes, alguns e algumas, costumavam olhar para ele com desdém e algumas vezes até o xingavam ou quase agrediam. Pelo menos com palavras eu vi fazerem isto. Vejam que eram outros tempos, mas já tínhamos seres que não suportavam alguém caminhando pacificamente pelas ruas a pregar um ambiente de total paz.

Gentileza não era louco, não totalmente, pelo contrário, mas assim era tido por alguns e tratado mesmo até com indiferença no mínimo. O “profeta” das ruas do Rio deixou suas marcas por vários lugares na cidade, escrevendo mensagens na base de viadutos, sempre falando da paz, ou da gentileza que gera gentileza.

Com o passar do tempo autoridades mandaram apagar tais mensagens como se elas incitassem alguém à violência por discordarem de suas palavras. Grande bobagem.

Infelizmente até tentaram apagar suas lembranças, mas isto eles jamais conseguiram ou conseguirão porque pessoas como eu aqui estarão, até quando Deus quiser, para lembrá-lo.

Felizmente pelo que eu soube recentemente alguém decidiu recompor as mensagens que o senhor Gentileza pintara com muito cuidado nas pilastras de um viaduto no Rio de Janeiro e assim certas consciências minimizaram as muitas injustiças cometidas contra o nosso Gentileza.

Enquanto o “profeta” distribuía flores às pessoas nas ruas, hoje o que vemos são autoridades, algumas sem autoridade nenhuma, a despencarem ante o avanço da violência da bandidagem, dos criminosos. Pessoas inocentes estão a ser vitimadas diariamente por qualquer motivo ou mesmo sem motivo algum.

Parece que não existe mais lugar seguro na cidade do Rio e mesmo dentro de suas casas ou apartamentos a população vive assustada pelo que se vê nos noticiários diariamente. Não se trata de fazer “terrorismo” não, mas de levar ao conhecimento de quem quer ver e não fecha os olhos à nossa realidade já que as autoridades maiores de nosso Estado foram denunciadas e presas por crimes que também agridem a população.

Pior é saber que a autoridade maior deste país, em quem nós resolvemos confiar e esperar que reorganize uma sociedade influenciada pela violência das ruas a levá-la para dentro de suas casas, isto podemos ler nos noticiários diariamente, parece que vai levar adiante o que já anunciara quando candidato.

Entristece-me saber que haverá empenho em facilitar a posse de armas de fogo por pessoas que jamais fizeram uso delas. Eu mesmo nunca usei uma dessas armas e tenho ojeriza a elas. Podem tentar facilitar o uso das mesmas que eu jamais as pegarei ou usarei.

A gentileza tão necessária, a paz e o reencontro com uma sociedade menos violenta, parece que estão a ser desprezadas e isto mais me entristece, amigos e amigas. Podem me chamar do que quiserem, todavia, eu repito, jamais participarei deste clima de eventual revanchismo com armas que eu nem sei usar e nem me interessa saber.

Feliz Ano Novo para todos que me leem e que dias melhores sejam plantados em nossa labuta diária.






Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com



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