01/02/2019
Ano 22 - Número 1.115

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



NOVA ERA, TRISTE ERA

Francisco Simões, colunista - CooJornal


Infelizmente, para discorrer sobre o assunto em questão, eu terei que comparar eras. Não gostaria de fazê-lo, porém é necessário visto que os comportamentos humanos são bem diferentes, pelo menos em muitos dos casos a que me referirei. Claro que há exceções que não naufragam nas “tentações” a que eu aludirei.

Preciso voltar no tempo, pelo menos nestes 82 anos já por mim vividos, ora a duras penas ora comemorando vitórias após esforços e criatividades muitas sempre procurando produzir algo seja nas artes seja na escrita, etc e me aposentando com idade que me permitiu realizar mais alguns planos que eu mantinha na mente desde algum tempo. Entretanto posso olhar hoje com certa tristeza o que vejo ao meu redor, e o que é divulgado e muito na imprensa escrita, falada e televisada.

Quem como eu vem de longe nesta vida sabe que muitos de nossos pais, como os meus, por exemplo, procuravam nos incentivar à boa leitura, à boa música, a praticar esportes levando enfim uma vida o mais saudável possível. O que digo não ocorria apenas em nossa casa, mas também na de amigos próximos e outros.

Não éramos “escravos” de nenhuma tecnologia até porque a que existia ainda era bem diferente da que enfrentamos ou usufruímos nos tempos atuais. Da minha parte desde cedo havia em mim um grande desejo de poder trabalhar, ganhar o meu e não depender da minha família. Não me arrependo de ter começado a trabalhar cedo.

Aliás, logo bem jovem eu montei “minha rádio” no porão de nossa casa. Ali, nas horas de folga, eu procurava atuar como locutor de alguma emissora imaginária lendo textos variados, colocando músicas a tocar num radinho de pilha, etc. Eu nem sabia, mas já estava me treinando para poucos anos depois enfrentar um concurso público para a Rádio Marajoara, tendo sido um dos dois únicos aprovados, entre 50 candidatos.

A propósito faço questão de lembrar aqui uma das frases que ficaram célebres e que foi dita outro dia por ninguém mais que o grande, o excelente, o genial Paulinho da Viola a fim de justificar que eu também não sou apenas um mero saudosista, isto não mesmo. Disse ele numa entrevista: "eu não vivo no passado, o passado vive em mim".

A partir daqui darei um salto em minha trajetória de vida só lembrando que naqueles tempos não tínhamos ainda televisão e sequer se pensava na tal internet. O Sr. Mario, português, meu genitor, homem de letras e conhecedor da boa música clássica, foi sempre meu maior incentivador sem jamais forçar a rota do meu destino quando eu entrava na idade da “definição”.

Depois ele continuou me incentivando e corrigindo erros ou equívocos por mim cometidos em textos que aos 17 anos eu já escrevia e lia ao microfone da Rádio Marajoara e depois na Rádio Club do Pará. Como disse antes em outro texto, vejam que naquela idade eu cheguei a trabalhar na Rádio, cursar a terceira série científica em Colégio particular, o Nazaré, e também fazer o CPOR, Centro Preparatório de Oficiais da Reserva, tudo simultaneamente.

Orgulho-me em afirmar que nunca perdi sequer um ano nos estudos no Colégio e nem no CPOR, como jamais faltei ao trabalho na Rádio. Alguém pode estar achando que escrevo este texto apenas “para me gabar”, não, ledo engano. Logo entenderão.

Eu poderia detalhar ainda mais da minha vida, porém já o fiz em textos passados e os que me leram sabem que é verdade. Uso-me apenas como um mero exemplo. O título deste texto identifica que hoje vivemos uma “nova era” que ouso classificar sob alguns aspectos de “triste era”. Infelizmente é verdade.

Se em tempos idos nós conduzíamos nossa vida e a direcionávamos quase como donos de nosso destino, hoje vemos muita gente que sequer pode pensar nisso ou tem condição de decidir sobre isto. Honro as inúmeras exceções.

O avanço da tecnologia nos tempos atuais e que está a dar novos passos a cada dia em vez de servir aos seres humanos, como deveria ser, tem, em muitos casos que eu conheço, até próximos a mim e outros que vejo serem divulgados na mídia, submetido pessoas a serem seus escravos. A escravidão da nova tecnologia se alastra e põe em risco o destino de boa parte de nossa raça humana, com certeza. Não exagero não.

Infelizmente muitos nem se dão conta disto e levam na “farra” o que em futuro próximo pode representar se não sua destruição, mas a ruína da sua qualidade de vida que agora pensam ser o “efeito mais brilhante”. Boa parte dessa sociedade já não lê, não escreve, e nem sempre ouvem direito o que outros com eles falam porque sua atenção está quase sempre atraída, ou escravizada, pela nova tecnologia. Muito triste.

Basta andar por nossas ruas, seja em que cidade for, e logo cruzamos com pessoas a falar, outros a gritar algo meio sem sentido, mas com os tais celulares grudados nos seus ouvidos. Alguns se atropelam, atravessam as ruas sempre a falar como que robots cujo sentido da vida naqueles momentos é dirigido não pela sua atenção, mas pela máquina, ou pelo que estão a dizer nelas.

Tantos têm sido os alertas de médicos que infelizmente muita gente sequer se dá conta dos inúmeros riscos de, por exemplo, dormirem com o celular ligado ao seu lado, passar grande parte do dia com os olhos grudados naquela telinha que os hipnotiza e que os especialistas não param de avisar sobre os perigos da intensidade da luz daqueles aparelhos para os olhos humanos com o passar do tempo. Mais sério ainda é quando estes péssimos exemplos ocorrem com crianças pequenas, algumas ainda com menos de 5 ou 10 anos etc.

Daí eu ter usado o título acima, embora saiba que pelas novas tecnologias temos usufruído muito de bom em diversas áreas das ciências em geral. A lamentar, todavia, os maus exemplos por mim citados e que podem ser comprovados diariamente nas ruas ou mesmo dentro de suas casas.

Poderia ainda me referir aos que juntam à atenção permanente aos celulares os tais fones de ouvido que também com o tempo podem provocar danos ao aparelho auditivo. O exagero no uso dos mesmos também. Procurem ouvir opiniões de médicos especialistas. Mas chega por hoje.






Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com



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