16/03/2019
Ano 22 - Número 1.117

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



MULHERES

Francisco Simões, colunista - CooJornal


Acabamos de comemorar o Dia Internacional das Mulheres. Eu disse comemorar embora elas, as mulheres, tenham tanto a reclamar, tanta justiça a pedir, já que têm sido vítimas de tudo que é violência de uns tempos para cá neste nosso país.

O que se vê na mídia em geral são mulheres covardemente assaltadas, agredidas, violentadas por indivíduos certamente sem qualquer escrúpulo. Mas e estes, os agressores, os que as matam covardemente, ou as espancam e as roubam quando é o caso, o que acontece com eles? Claro que eles são sempre homens, alguns ainda tiram e divulgam fotos comemorando o assassinato covarde de sua vítima nas mídias sociais.

Infelizmente mesmo denunciados numa delegacia costumam pagar fiança e serem soltos. Ganham uma liberdade que não merecem para logo voltar a cometer as mesmas covardias. E a Justiça, onde ela se coloca nestes casos? Delegados geralmente homens aplicam uma lei que parece favorecer o agressor. Só pode ser isso.

Vivemos uma época em que tantas autoridades, começando pelo mais alto poder do país, prometeu e promete impor um reinado de justiça de várias ordens porém até agora tudo não tem passado de discursos, de declarações públicas, sem vermos os seus resultados positivos devidamente aplicados.

As mulheres continuam a ser espancadas por namorados, maridos, ex- maridos, assaltantes, sem se ver ser aplicada uma justiça de verdade para quem é agressor covarde. Entre tantas lembranças tristes de noticiários tendo sempre a mulher como vítima eu me recordo de alguém (quem seria, vocês se lembram?) que um dia se dirigiu a uma colega e lhe disse do alto de uma tribuna que ocupava: “Eu não lhe estupro porque você não merece...”

Meu Deus, e tudo ficou como estava, ou seja, nenhuma providência foi tomada. Como quase diariamente se vê nos noticiários o tal Dia Internacional das Mulheres vai continuar só em discursos, em pronunciamentos variados, em homenagens que não se concretizam em justiça que as mulheres tanto esperam.

Além da violência em geral acontecendo todos os dias especialmente nas maiores cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, eu lhes digo que aqui onde eu vivo há alguns anos, cidade praiana maravilhosa, houve uma cena lamentável neste Carnaval. Deve ter tido outras, mas esta foi a mais divulgada na mídia.

Perto da praia aqui de Cabo Frio, numa noite de sábado de Carnaval, um cidadão armado e disposto a assaltar um senhor de certa idade, este reagiu e no meio da multidão ele conseguiu escapar da fúria do assaltante.

Resultado que o ladrão, no meio da multidão que estava ali apenas para comemorar a alegria geral de blocos que passavam, acabou por usar sua arma e atirar errando o alvo e acertando uma jovem que nada tinha a ver com a intenção do assaltante e que está muito mal no hospital há uma semana quando escrevo este texto.

Mais uma vítima em pleno Dia Internacional da Mulher enquanto o assassino escafedeu-se. Cadê o policiamento, cadê a justiça, cadê as garras de um governo que prometeu agir com firmeza contra estes fatos? Governo que dizia ter em seus discursos planos para não dar vantagem a esses covardes e assassinos.

Enquanto isto eu continuo a ver em noticiários das TVs mulheres sendo espancadas, assaltadas com uma violência desmedida. Uma senhora de quase 80 anos, em plena rua, creio que em S. Paulo, sendo roubada e agredida por dois jovens e atropelada. Onde isto vai parar se é que vai?

Aqui não usa das palavras o pretenso cronista, mas o cidadão de 82 anos, revoltado, a fazer seu desabafo, por esperar viver num mundo melhor, num Brasil mais justo sem tamanha violência que ocorre todos os dias em diversas cidades.

Amigos e amigas vejam esta notícia que me enviou o amigo Manuel, de Lisboa: “A portuguesa Sílvia Nunes venceu o prémio de "Melhor Enfermeira" de Inglaterra, na sexta-feira, data em que se celebrou o Dia Internacional da Mulher. Foi à final com sete colegas, todos ingleses. Ganhou e isso enche-a, ainda mais, de orgulho.” Obrigado amigo Manuel, pelo menos de ti li uma notícia que nos enche de orgulho pois tenho raízes portuguesas como sabes.

Voltando ao nosso Brasil, hoje eu vejo e ouço tanta gente a falar em Deus, a cantar músicas religiosas sejam elas evangélicas sejam católicas etc. Enquanto isto do outro lado desta vida homens de qualquer idade desandam a fazer estragos agredindo e matando não só mulheres como crianças e animais dóceis como são nossos cachorros de estimação. Isto se vê quase diariamente na mídia, é só querer se informar, mas alguns acham que “cansa” ficar sabendo destes fatos. Meu Deus e se dizem religiosos.

E pensar que é sempre uma mulher que nos dá a vida, que nos cria, tenta nos encaminhar para o bem e nos ajuda a viver. Da minha parte só tenho a agradecer a minha falecida mãe, a tantas outras mulheres que me ajudaram a chegar até aqui nestas oito décadas de vida, esperando não estar só quando chegar a hora da minha partida. Eu conto com você mulher.

De qualquer forma parabéns pelo já passado Dia Internacional da Mulher e que nossas autoridades criem vergonha e tomem mesmo as rédeas de um governo que até agora não disse bem ao que veio, refiro-me ao local, estadual e federal.


Comentários sobre o texto podem ser enviados diretamentee ao autor, no email fm.simoes82@gmail.com







Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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