01/06/2019
Ano 22 - Número 1.127

 

ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



REVENDO MINHAS POESIAS - 1

Francisco Simões, colunista - CooJornal



A partir deste texto eu decidi rever, vez ou outra, poesias que eu escrevi durante alguns anos quando minha inspiração se voltava mais para os versos que para a prosa. Perdoem minha decisão, mas achei que estou devendo isto a meus versos embora a maioria deles tenha sido escrita antes do falecimento de minha segunda esposa que um câncer tirou desta vida.

Hoje faço minha singela homenagem ao poema que me surgiu no ano de 2001 em certa noite, aqui em Cabo Frio, quando um telefonema de Belém me informava da partida de Carmita, a Dindinha, minha segunda e quase a verdadeira mãe que cuidou que zelou por mim desde criança até eu chegar à idade da juventude.

Os versos a mim trazidos pelo sentimento de perda de pessoa tão querida, a quem eu devi e muito, surgiram de repente qual avalanche de uma dor incorrigível numa distância que jamais diminuiria o que eu sentia de tristeza, agradecimento e amor por pessoa que dedicou grande parte de sua vida para cuidar deste menino que cresceu especialmente sob seus cuidados.

Vejam que o fato ocorreu no ano de 2001, menos de ano antes de surgir a doença que em junho/2003 vitimaria minha segunda esposa. Quando escrevi os versos abaixo estávamos vivendo mais aqui em Cabo Frio, em nossa casa no bairro do Braga, do que no apartamento do Rio.

Como eu ouvi um apresentador de Tv dizer outro dia, se a vida nos dá com uma das mãos com a outra algum dia nos cobra e nos tira algo de valor especialmente sentimental. É verdade, amigos e amigas, pois todo nascer já traz consigo uma promessa de morte algum dia.

Ao que me lembro Carmita ou a nossa Dindinha, foi levada para nossa casa pelo nosso avô materno. Ela era irmã de um motorista de confiança de nosso avô Simões. Quando ela chegou a nossa casa eu já havia nascido, mas era muito criança e viria a ser o filho mais velho de mais 9 irmãos e irmãs. Hoje somos apenas seis.

A ela foi destinado entre outras tarefas o cuidar do menino Titó, eu, a quem ela se dedicou como se minha mãe de verdade fosse. Imaginem que até na minha formatura no CPOR de Belém, quando vestido com a farda de gala eu recebi minha espada, lá estava ao meu lado a dindinha Carmita muito bem vestida, de chapéu e um lindo vestido branco. Tenho foto daquele acontecimento até hoje.

Assim como ela cuidou de mim anos depois viria a dedicar também o seu zelo a minha filha Franci quando esta era ainda bem pequena e eu precisara vir para o Rio tentar salvar meu primeiro casamento. Este acabou naufragando, todavia Franci teve por um bom tempo a atenção e o carinho de dindinha Carmita. A continuação desta história é longa e complicada e não cabe neste espaço por isso paro por aqui.

Algum dia talvez eu possa revê-la, não sei, mas se isto ocorrer eu terei muito a dizer a ela. O poema tem o título de “A Manhã Seguinte” porque quando fui tomado de choque pela notícia que uma de minhas irmãs me passara ao telefone, apenas ao despertar no dia posterior foi que me surgiu a inspiração.

Eu confesso que foi difícil para mim, escrever o que me vinha à mente como mensagens que pudessem descrever a pessoa que eu homenageava após a morte, realmente foi bem difícil, todavia não me rendi a minha tristeza e prossegui escrevendo e escrevendo sempre.

Acredito que coloquei em meus versos o sentimento que invadiu minha alma naquele instante assim como o “sorriso que virou saudade”. Passados já dezoito anos eu repasso para vocês estes meus versos. Espero que os apreciem.

Francisco Simões ( 1/Junho/2019)


A MANHÃ SEGUINTE

Por isso hoje
A alvorada despertou no silêncio
E a Natureza não abriu suas asas.
Por isso hoje
Havia um tom cinza de outono
No verão da manhã entardecida.
Por isso hoje
Havia apenas sombra na alma do mundo
E uma ânsia de passado no tempo que seguia.
Por isso hoje
Na nossa solidão cresceram espinhos
E as rosas foram todas para o céu.
Por isso hoje
Um suspiro soluçava numa lágrima
E o amor dividia o coração com a saudade.
Por isso hoje
A vida antiga, o efêmero, te perdeu
E o espaço sempiterno é agora tua vereda.
Por isso hoje
Tu és uma lembrança, muito mais que um retrato,
Uma dor que não machuca
Mas nos acorda pra orfandade,
Um sorriso etéreo que não abandona,
Que abençoa, compreende e ainda perdoa,
Uma essência de vida unitiva
Comungando com a Eternidade,
A luz que acenderá nossas trevas
Sempre que a ilusão apontar nosso caminho,
A nostalgia tão presente nos detalhes,
A ausência que esvazia nosso amanhã.
Por isso hoje
O orvalho amanheceu salgado,
É que ontem, a noite chorou.
Por isso hoje
Também estou com essa vontade de chorar
Mas recordo que tu nunca foste triste
E que se ainda existe neste corpo cansado e vivo
Colheita de amor, ternura, solidariedade,
Tolerância, indulgência, perseverança
Foste tu que semeaste.
Por isso hoje
Apenas vou lembrar teu rosto, agora eterno,
E se teu sorriso para nós virou saudade
Tua bondade de fada, madrinha, teu Dom materno
Sempre estarão em cada um de nós que tanto amaste.

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FRANCISCO SIMÕES (2001)
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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.francisco-simoes.com



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