16/07/2019
Ano 22 - Número 1.133



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



REVENDO MINHAS POESIAS - 3
“ANJOS CAÍDOS”


Francisco Simões, colunista - CooJornal


Volto hoje ao que me decidi fazer a partir de agora, isto é, rever poesias minhas que nem todos conhecem ou que já esqueceram. Umas poucas eu inscrevi em concursos no Brasil e lá fora e cheguei a ganhar bons prêmios, outras ficaram apenas para o meu uso pessoal e nada mais.

Certa vez, isto há cerca de 20 anos, vendo a situação de muitas crianças neste nosso país, a passar necessidades, a se cambiar para o crime sem sequer saber direito o que faziam, eu decidi escrever o poema que hoje relembro neste texto, ou seja, o “Anjos Caídos”. Ela aparece após este pequeno texto que a apresenta.

Notem que ela foi escrita, como digo acima, há 20 anos, pois se fosse hoje seria ainda mais real o quadro que eu mostro com palavras e versos, muito forte, eu reconheço, porém por demais reais para descrever o quadro que vivíamos e que continuamos a viver. Como eu digo em outro poema, e nossas autoridades parece que estão ... “de costas para a cena”.

A demagogia que era reinante parece que continua cada ano mais forte em nosso país e assim os políticos prometem verdadeiros “milagres” e depois pedem desculpas, quando pedem, por não poder ou não querer resolver os assuntos básicos referentes especialmente ao nosso povão. Este acredita e vota e depois o que vemos são providências que até hoje pelo menos não alcançam a gente mais humilde.

Os acordos costumam favorecer partidos solidários com o poder, tem sido assim através dos tempos e parece que agora não será diferente, não obstante os discursos que nos tentam desviar a atenção para ações que ficam apenas nos discursos mesmo. Lamentável, muito triste, e o que vemos é a violência crescente, o desrespeito do ser humano seja em que idade for, e as autoridades que fazem pronunciamentos bonitos, que prometem atacar e resolver estes problemas, mas... “de costas para a cena”.

Bem agora vamos ler o poema que escrevi, repito, em agosto/1999, sobre os “Anjos caídos”. Obrigado amigos e amigas e até a próxima.

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ANJOS CAÍDOS

Quantos segredos escondidos,
Desmedidos, enigmáticos,
Silenciosos, dogmáticos,
Entre o céu e este planeta,
Mistérios à razão proibidos.
Há tantos anjos caídos,
Nas ruas, nas praças, sarjetas,
Sombras que a luz rejeitou,
Sonhos que a sorte negou,
Pesadelos acordados,
Nos campos e nos cerrados,
Desvalidos, descarnados,
Botões de vida se abrindo
Sem um jardim pra crescer,
Lamento pelo olhar fugindo,
Sentindo a mágoa doer.
Sopro, essência, viver,
Anjos sem asas, sem céu,
Tão sós em cenário tão cruel.

Infância, carência, espera,
A paz emboscada no inferno,
Anjos-moleques, almas-meninas,
Sem berço e tristes sinas,
Sem pecado e penitentes,
Sem os benefícios da graça
E a mercê de perversa farsa,
Tendo a inocência despida
Numa vida nada indulgente.
Pobreza, a fome repartida,
Refém na cruz do seu destino,
Amor, refúgio pequenino
Da dor que açoita e não descansa.
Anjos vestidos de criança
Sem pular amarelinha,
São doces ervas daninhas
No infortúnio plantadas,
Com raízes nas calçadas
Mas brotando por todo canto.
Pétalas da flor despojadas,
Rostos de Deus no desencanto.
Sem força para dizer sim,
Sem direito a dizer não,
Começo tão perto do fim,
Um pouco do céu no chão.

....................................
Francisco Simões
Em agosto de 1999


Comentários sobre o texto podem ser enviados diretamente ao autor, no email fm.simoes82@gmail.com







Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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