01/08/2019
Ano 22 - Número 1.135



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



REVENDO MINHAS POESIAS - 4
“ALERTA”




Francisco Simões, colunista - CooJornal

Hoje vou relembrar versos por mim escritos há quase 20 anos, mais especificamente em Maio/2000. O poema “Alerta” como verão refere-se ao que eu via pelo mundo afora, e, com tristeza, muita tristeza, ainda vejo hoje, ou seja, que o ser humano está no centro de tudo que ocorre de mal com o planeta, com a nossa natureza infelizmente.

Não há como desmentir o que eu afirmo em cada verso desta poesia. É certo que afirmo coisas de hoje, mas principalmente do futuro, ou de um futuro incerto e nebuloso caso o ser humano não tenha consciência do que evitar e voltar sua atenção para a nossa “casa”, isto é, para o nosso planeta e tudo que nele existe e usamos e abusamos, enfim para sobrevivermos como raça humana até o fim dos séculos.

O planeta Terra, verdade seja dita, está ficando cansado de tanto o desrespeitarmos como se dele não dependêssemos para sobreviver. Procurei nos meus versos abordar a maioria dos ângulos nos quais percebo que estamos abusando demais, exageradamente parece que sem consciência de que dependemos de tudo que a Natureza nos oferece de graça para sobrevivermos.

“Quantos de nós ainda param para olhar um jardim para curtir a beleza de um pôr-do-sol para corresponder ao sorriso de uma criança, para relaxar com a visão grandiosa e ao mesmo tempo poética do mar? Não temos tempo, estamos quase sempre com pressa, muita pressa, ou então com medo, muito medo. E assim acabamos também deixando passar a vida, pois o tempo, este nunca olha para trás.”

As palavras acima foram por mim escritas nesta mesma revista Rio Total, onde escrevo há cerca de 21 anos. O título daquela crônica foi “A Rosa”. Tomei como mote daquele artigo o que meu bom amigo Manuel dos Santos, de Cascais, Portugal, me enviara sobre uma linda rosa que ele fotografara num jardim na cidade de Córdoba, Espanha. Ele costuma ler todos os meus textos e sei que se lembrará deste fato.

A rosa foi só o arremate daquele texto, pois nele eu descarregava antes toda a minha decepção com o comportamento humano em relação à Natureza como faço agora e nos versos que reapresento a seguir.

Então, amigos e amigas, por favor, leiam meu poema “Alerta”, ele que representa mais um dos meus brados contra a covarde violência e descaso com que seres humanos tratam o nosso lindo planeta.

Francisco Simões (01/agosto/2019).


ALERTA


Água, água, água,
Vejo um mar de baleias com sede,
Vejo um deserto de águas retirantes,
Vejo o cinza a repintar o verde.

Água, água, água,
É o sal que fugiu da terra,
É o pó que espera pela vida,
É a paz com jeito de guerra.

Água, água, água,
O alento aos poucos se expira,
Na fanfarra cretina dos discursos,
Onde o homem é a grande mentira.

Água, água, água,
Vejo cemitérios de asas no chão,
Vejo alvoradas de poeira no ar,
Ouço um mutismo de silêncio-inação.

Água, água, água,
Não há tempo para lágrimas, morre o pranto,
O espinho sobrevive sem a flor,
O amor se esvai no desencanto.

Água, água, água,
Nem fauna, nem flora, nem essência,
O racional se opõe à natureza,
A duidade é quebrada na demência.
Horror insano e tão previsível
Numa voragem destrutiva insaciável
Mas, se o homem se vestir logo do juízo
Ainda poderá se despir do inevitável.

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Autor: FRANCISCO SIMÕES
Em: Maio / 2000.
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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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