16/09/2019
Ano 22 - Número 1.141


ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



TEMPO DE CORVOS



Francisco Simões, colunista - CooJornal

Gente amiga, hoje eu decidi reviver estes versos que escrevi no ano de 1998. Percebam que o fiz há mais de 20 anos e parece que nem tudo mudou para melhor, pelo contrário.

Eu vivia muito ligado na situação política e social por que passava o nosso Brasil que acabara, por alguns anos, de sair de um regime de exceção que durou cerca de 20 anos. Pelo que eu via acontecer nos mais variados ângulos entendia que estávamos a viver o que decidi chamar de “Tempo de Corvos”.

Pouco parece que nós havíamos aprendido com tudo de ruim a que fomos submetidos durante aquele longo tempo. Se comemoramos a vitória da nova democracia, por outro lado tivemos um
Presidente que faleceu pouco antes de tomar posse enquanto que assumiu em seu lugar o político que antes fora até líder dos governos de exceção no Congresso, enquanto este esteve funcionando.

E assim caminhamos por cerca de uns cinco anos aguentando uma inflação galopante que sufocava especialmente os mais pobres, como sempre. Nova Democracia, mas para poucos, é verdade. Pelo menos nos livráramos da censura, do medo incessante, das prisões e torturas algumas vezes sem sentido algum, como se torturar fizesse algum sentido.

No ano em que eu escrevi esta poesia que hoje revivo já nos havíamos livrado da inflação galopante graças a uma equipe competente que articulou certo índice o qual acabou por colocar a tal inflação num patamar mais aceitável.

Politicamente, entretanto, nosso país não evoluíra muito não. Inclusive o então Presidente que acabou por ser reeleito em decisão que ele mesmo criou em proveito próprio, cumpriu um segundo mandato pouco promissor. Esta foi a maior razão por que o governo depois mudou de mãos.

Foi neste clima que me veio a ideia de escrever os versos a seguir cujo título carrega o mesmo deste texto em prosa, ou “Tempo de Corvos”. Convido-os a ler ou reler os versos abaixo.

Francisco Simões. (16/09/2019)


TEMPO DE CORVOS


Não, não é tempo de poetas
É tempo de corvos, da gralha
Que nos palácios se assoalha,
Em úberes mananciais de tetas
Sufragam a sugação do comum,
Em verborreia se espalha
Alvejando, desdourando,
Exibindo em irônicos sorrisos
O ludíbrio escabroso
Da indiferença, do tenebroso.

Não, não é tempo de poetas
É mesmo tempo de corvos.
Versífero, vejo meus versos,
Dispersos, perseguirem algum sentido
No injusto, no destrutivo,
No lascivo, num universo
Para poucos onde há muitos perdidos,
Desorientados, estuprados,
Com o rumo e a vida profanados
E um abismo sem fundo nem reverso.

Não, não é tempo de poetas,
Pois, como falar de amor com a fome,
De paz com a bala perdida,
De fé com a mão estendida,
De justiça com a força que esfola,
De educação sem ter a Escola,
De futuro sem ter a terra,
De esperança sem ter o teto,
De ordem e progresso sem o povo?
É, são tristes tempos de corvos
..............................................................

Autor: FRANCISCO SIMÕES
Em outubro / 1998



Comentários sobre o texto podem ser enviados diretamente ao autor, no email fm.simoes82@gmail.com







Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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