01/11/2019
Ano 22 - Número 1.147


ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



O AMIGO DE SEMPRE



Francisco Simões, colunista - CooJornal

Lá vinha ele mais uma vez ao meu encontro. De tantas amizades, algumas que partiram desta vida, outras que ficaram e são fiéis por demais, além daquelas que por um motivo ou outro se afastaram, ele continua a ser na verdade não só o amigo de sempre, como um dos mais fiéis.

Tendo vivido mais ou menos o mesmo que eu ele sempre que pode, sempre que ocorre algum momento em que ele quer desabafar, pronto, o amigo já me elegeu como uma espécie de confessor dele. Eu gosto disto, até porque somos bem parecidos.

Se eu sou o mais velho de dez irmãos e irmãs ele também vem de uma família numerosa, teve 7 irmãos, só não é meu conterrâneo, isso não. Ele além de amigo é talvez algo como certo irmão de alma, de existência, e acreditem que ele tem algo de familiar comigo. Gente muito boa.

Senti que ele estava agora melhor no seu estado geral do que na última vez que falamos. O amigo pouco se queixou da vida, todavia não deixou de lamentar o relacionamento que vem mantendo com quem vive junto com ele embora não exista entre eles um compromisso mais sério.

Ocorre que ele esperava desde o começo ser completamente feliz depois de tudo porque já passou nesta vida, entretanto embora esta já seja sua tentativa de número cinco de reencontro com a felicidade eu disse a ele que esta, como já me disse alguém, não existe por inteiro, não, mas é apenas um estado de alma que pode durar muito ou pouco. Depende.

Acreditem que deve ser mesmo verdade. A felicidade não é um bem eterno nem tão duradouro assim não. Se eu posso confirmar por minha existência e meus relacionamentos o meu amigo de sempre vai acabar entendendo que não se deve esperar demais desta vida.

Hoje eu estou com 83 anos e ele tem 85, um pouco mais vivido do que eu, todavia ele já tropeçou e muito em sua vida. Talvez ele possa ter experimentado coisas que eu não vivi, entretanto o importante é que nossa amizade permanece viva, acesa por demais. Disto eu gosto muito e respeito uma pessoa que nem a maior alegria o afastou de mim. Como eu digo para ele amigos para sempre é o que somos.

Vejam que esta amizade já dura algumas décadas, acredito que seja a maior de todas que eu tive por toda minha já longa vida. Na verdade me considero felizardo por ter amigos que jamais me abandonaram ainda que já há algum tempo, por coisas que a vida nos impõe, tenhamos seguido trilhas bem diferentes.

Se houve quem se afastou simplesmente por querer muito mais estar no tal aparelho celular a receber e enviar mensagens em vez de falar com amigos fiéis a verdade é que este meu amigo jamais se deixou fascinar, assim como eu, por esta nova tecnologia nem seus avanços vários.

Fico feliz quando ele retorna para falar de histórias de vida que viveu no período em que esteve mais distanciado de mim. Isto eu entendo e sei que todos nós acabamos por seguir rumo, ou rumos, que nunca antes nós imaginávamos.

Vejam que eu comecei como locutor de rádio em Belém depois de seguir uma carreira, posso dizer que elogiável no rádio paraense, sendo escritor de crônicas diárias e produtor de programa, isto apenas aos 18 anos, acabei seguindo conselho do meu saudoso pai português e fiz concurso para o BB. Passei em quarto lugar. Isto me valeu ficar em Belém, minha cidade natal e capital do Estado do Pará.

Só anos depois quando eu vim para o Rio de Janeiro foi que acabei conhecendo mais este amigo, isto por volta de 1960. Até hoje jamais nos afastamos totalmente um do outro. De quando em vez voltamos a nos ver e falar. Isto é muito bom, já que hoje as pessoas olham muito o tal celular e pouco falam ou leem, ou escrevem. Desculpem, mas é verdade, aliás, uma lamentável verdade como dizem médicos.

Hoje vocês sabem que eu estou no terceiro casamento e ele no quinto relacionamento. Ele casou algumas vezes em outras apenas chegou junto como se diz. Eu desejo toda sorte do mundo para meu bom e fiel amigo não obstante a sorte ou a escolha dele nem sempre tenha dado certo. Afinal acontece com qualquer um de nós.

Isto faz parte de nossa vida, a verdade é que somos nós no final os responsáveis pelo que nos ocorre embora algumas vezes tenhamos empurrado com a barriga, fechado os olhos, e querendo sempre que a outra parte seja a grande vilã. Nem sempre o é, mas ...

Escolha certa ou errada somos nós que a fazemos. Se ficamos no “lucro” ou no “prejuízo” só o tempo o dirá. Como escreveram grandes poetas viver é uma arte, ganhar ou perder não importa, a vida está acima de nossas decisões.

Ao meu amigo de sempre desejo toda felicidade que ele possa usufruir e sei que nesta reta final de nossas existências é importante saber viver sem chorar, na medida do possível, não sofrer mesmo que a tal felicidade seja menor que o esperado.



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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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