01/04/2020
Ano 23 - Número 1.167



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



HAJA QUARENTENA



Francisco Simões, colunista - CooJornal


Nesses tempos que estamos vivendo com quarentenas e mais quarentenas, gente sucumbindo, outros reagindo e superando essa crise, ou mais uma pelo que nosso mundo passa, outro dia eu vi uma cena pela janela de nossa sala que me deixou emocionado.

Enquanto nossa Tv só falava em “coronavírus” e nosso rádio também, enquanto as imagens eram meio assustadoras e as informações mais ainda, pelo mundo afora incluindo nosso Brasil, eu vinha me chegando perto da janela da sala e tive uma grata surpresa.

Dois passarinhos, rolinhas melhor identificando, caminhando e parando pelo nosso quintal, tentavam namorar. Uma delas devia ser macho, já que pretendia fazer amor com a outra. Se não é que entre os passarinhos já existe também esta coisa do homossexualismo, claro.

Nada contra, muito pelo contrário, só que fiquei excitado vendo duas pequenas avezinhas buscando a expressão maior do amor. Ele insistia e ela escorregava devagar fazendo que não queria. Mas eu percebi que ela não se afastava tanto do macho, portanto mais cedo ou mais tarde eles iam mesmo completar o lindo ato.

A certa altura eu me recordei que tínhamos no quintal a nossa Maria, uma cachorra grande que assusta quem não a conhece, porém é muito carinhosa com todos que se chegam a ela.

Entretanto como ocorre com diversas raças de cães ela não pode ver um passarinho que logo tenta pega-lo e mata-lo. Quando a pegamos para criar ela já tinha dois anos e alguns hábitos formados. Este é um deles e nos assusta isto.

Felizmente ela estava tirando um cochilo na garagem e assim não viu os dois namorados avançando para um amor maior. Passados uns poucos minutos lá estavam as duas rolinhas se amando de verdade. Confesso que aos 83 anos eu fiquei meio com inveja, claro.

Enquanto isto na TV continuavam os anúncios sobre a quarentena geral e informações meio alarmantes sobre a ação do coronavírus. Procurei um canal de filmes e assim fugi da nossa realidade. Dei um tempo também aos amantes que em nosso quintal chegavam ao êxtase.

Passados alguns dias eu caminhava pelo quintal quando vi um pequeno ninho instalado entre galhos de nosso pé de graviola. Desconfiei e ao conferir acertei: eles estavam mesmo esperando o efeito maior daquele grande amor. Maravilha.

Enquanto o Brasil e o mundo fazem de tudo para se defender da tal pandemia, as duas rolinhas esperam o momento maior, mais vibrante do amor que exibiram naquele dia em nosso quintal.

Passados mais alguns dias e logo percebi a cabeça de um filhote que no ninho buscava o amor dos seus pais para saciar sua fome. Vida que nascera e queria seguir em frente enquanto o mundo se vê envolvido numa pandemia como outras já houve há tempos idos. Quantas mortes.

Talvez esta seja a “vantagem” de morar numa casa com quintal e garage. Enquanto os seres humanos penam com medo e muito medo do tal coronavírus nós que pertencemos a grupo chamado “de risco” ficando quase o tempo todo em casa podemos assistir a cenas como a que eu vi e me fez feliz. Afinal eu estava antes ficando meio abatido.

Se você, face a todos os apelos que têm sido feitos pela grande mídia, algumas vezes se deixa cair em desânimo, pense em quanta vida há em sua volta e quantos seres, pequenos ou grandes, procuram justamente o contrário, a vida.

E haja quarentena, amigos e amigas, mas um dia venceremos, o amor é mais forte e ele prevalecerá.





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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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