01/06/2020
Ano 23 - Número 1.175



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



TRISTE REALIDADE



Francisco Simões, colunista - CooJornal

Gente amiga, hoje eu vou confessar algo que pode escandalizar alguns, mas tenho certeza que não estou sozinho neste posicionamento. Se me perguntarem se tenho o tal aparelho celular eu direi que sim.

Até aí tudo bem, porém para mim o celular nada mais é do que um aparelho portátil que pode me facilitar telefonar para alguém amigo. O referido aparelho dificilmente toca, afinal, repito, eu o uso apenas como um telefone mesmo, um telefone portátil, digamos assim. Desculpem se decepciono alguns.

Não caio, nunca caí e jamais cairei na loucura que vejo nas ruas ou mesmo dentro de casa com pessoas que não sabem passar poucos minutos sem consultar o que se passa nas tais redes sociais. Estas podem até ser muito úteis, mas quando bem usadas, não no exagero que fazem ainda mais enchendo-as de fofoca ou “fake News”.

Desculpem os que discordarem de mim, mas considero que hoje temos escravos de uma tecnologia que lhes rouba a liberdade até de conversar com familiares ou amigos. Considero uma lástima.

Certa vez eu ia atravessando a rua Visconde de Pirajá ali no sinal com a rua Aníbal de Mendonça, em Ipanema, no Rio, quando percebi passar por mim às pressas uma mulher que berrava, afirmo que berrava mesmo ao tal telefone discutindo com alguém, para nós invisível, alguém com quem ela naturalmente falava. Parecia uma pessoa descontrolada qual uma louca.

Aquela era mais uma usuária de celular que falava de qualquer lugar sem perceber o ridículo a que se expunha. E não pensem que aquela foi a primeira e talvez única vez que presenciei uma cena daquelas. Outras vezes na calçada, lá mesmo em Ipanema ou em outro bairro ou mesmo aqui em Cabo Frio, você pode de repente cruzar com alguém que parece falar sozinho, mas “conversa ao seu celular” com alguém que para você é invisível.
Sei que me sujeito a críticas, porém desde já aviso que mesmo elas vindo a mim jamais me atingirão. Ainda me considero um ser humano que vivendo mais de 80 anos, portanto vindo de um tempo longínquo quando nem havia TV, quando muito um rádio e olhe lá, o telefone era ainda discado e nem sempre dava linha, só me orgulho de ter chegado até aqui por me cuidar bem e quem sabe ter a proteção Divina, em que eu ainda creio. E saibam que éramos muito felizes.

Hoje vejo pessoas que não se desligam do tal celular, mas como parte de seu corpo, de sua vida, de seu destino, enfim sem ele muita gente não sabe viver. Um absurdo dos absurdos é fazerem uso do tal aparelho em sala de aula, em cultos ou missas em Igrejas, conforme pastores e padres têm acusado e reclamado tanto.

Temos aqui em casa a Tv que sempre se chamou Costa do Sol. Eu gosto muito, pois além de alguns canais comuns em qualquer outra organização de comunicação possuímos canais locais que nenhuma outra emissora tem. Há câmeras que mostram a qualquer momento trechos de nossa cidade, seja do Boulevard Canal, seja do Centro da cidade, seja da praia e outros mais.

Outros canais locais, inclusive o canal Jovem, número 8, passam programas alguns muito bons outros nem tanto. No canal Jovem tenho visto quase todos os dias maravilhosas músicas que hoje já não se ouve nem em rádios nem mesmo nas TVs, com raras exceções. Isto ocorre no excelente programa do amigo Zezinho, de quem já falei, ou o “Cabo Frio sem frescura”. O melhor do som de que jamais nos esqueceremos. Obrigado Zezinho pelo seu bom gosto musical.

Tem gente que não gosta, faz críticas, porém nós gostamos e isto é que importa. Mas é a vida que hoje se leva e por educação temos que fazer de conta que está tudo bem. Na sua casa deve acontecer algo parecido. Recomendo relaxar e ter paciência. De nada adianta você se esquentar, de nada mesmo.
Já me contaram, pessoas conhecidas e amigas, que se alguém muda a Tv para filmes - ao menos prestassem atenção aos mesmos -, até se pode aceitar, mas o que eles e elas percebem em outros momentos é que seus olhos e suas mãos não largam o tal celular. Parece que as tais redes sociais são mais importantes que tudo o mais. Triste realidade.

Pobre vida, pobre sociedade que cresce, que amadurece desta forma. Talvez passem através da educação para crianças o mesmo hábito. Para onde caminha este mundo, gente amiga? Qual será a realidade do futuro? Não sei, porém como talvez eu tenha ainda pouco tempo para estar por aqui os que ficam que acordem e algum dia percebam que está tudo errado.

Podem discordar de mim, todavia em algum dia acordarão e verão que estragaram o mundo pensando que faziam o melhor para ele. Repito o que costumo dizer, essas pessoas não passam, sem perceber, que estão a se tornar escravas da tecnologia moderna. Quando “acordarem”, se acordarem, pode já ser muito tarde.





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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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